Outono: Hal Borland

16 06 2023

O jardim do Hospital Saint Paul, (Folhas caindo),1889

[Saint-Rémy-de-Provence]

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 73 x 60 cm

Museu Van Gogh, Amsterdã

 

 

 

“Dois sons do outono são inconfundíveis… o rápido farfalhar das folhas quebradiças ao longo da rua… pelo vento turbulento e o tagarelar de um bando de gansos em migração.”

 

Hal Borland   (EUA, 1900-1978)

 

 

Tradução : Ladyce West

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“Two sounds of autumn are unmistakable…the hurrying rustle of crisp leaves blown along the street…by a gusty wind, and the gabble of a flock of migrating geese.”
— Hal Borland




Curiosidade literária

12 06 2023

Betty

James Durden (Inglaterra,  1878-1964)

óleo sobre tela

Kenswick Museum & Art Gallery

 

No século XIX muitos cientistas se dedicaram ao estudo da frenologia para delinear características dos cérebros humanos. A intenção era determinar através da forma, do peso, das saliências, das características físicas de cada um,  se criminosos e gênios se diferenciavam substancialmente uns dos outros, através dessas medidas. 

Hoje a frenologia está totalmente desacreditada, mas, quando o escritor inglês William Makepeace Thackeray, faleceu em 1863, aos cinquenta e dois anos, seu cérebro foi retirado e investigado.

Afinal Thackeray era o grande romancista da era vitoriana,  autor de As memórias de Barry Lindon, História de Henry Esmond,  e da hoje clássica leitura obrigatória para uma bela educação literária Feira das Vaidades. Foram ao todo mais de 27 obras publicadas,  Era para todos os efeitos, um gênio.

Seu cérebro, não desapontou o público da época, foi confirmado ser mais pesado do que o normal, 1,658 quilos.   No entanto, quando comparado com outros cérebros de escritores famosos, por exemplo, do russo Turgenev, o romancista inglês perdia.  Turgenev  a 1, 984 quilos era definitivamente tamanho extra grande.  Outos cérebros de escritores pesados na balança surpreendem: o francês Anatole France pesou 1,020 quilos e Walt Whitman 1,247 quilos.  Talento definitivamente não corresponde ao tamanho do chapéu.

 

Fonte: Curiosities of Literature, John Sutherland, Skyhorse: 2011. [Kindle]

 





Outono: Lord Alfred Tennyson

9 06 2023

Festival de outono, 1915

Willard Leroy Metcalf (EUA, 1858-1925)

óleo sobre tela

 

“Lágrimas, inúteis lágrimas, não sei o que exprimem,

Lágrimas das profundezas de algum divino desalento

brotam no coração, e se acumulam nos olhos,

observando  os radiantes campos do outono,

pensando nos dias que já se foram.“

 

Lord Alfred Tennyson (1809-1892), do poema conhecido como Tears, idle tears

 

Tradução: Ladyce West

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Tears, idle tears, I know not what they mean,
Tears from the depth of some divine despair
Rise in the heart, and gather to the eyes,
In looking on the happy autumn-fields,
And thinking of the days that are no more.

 

Fresh as the first beam glittering on a sail,
That brings our friends up from the underworld,
Sad as the last which reddens over one
That sinks with all we love below the verge;
So sad, so fresh, the days that are no more.

 

Ah, sad and strange as in dark summer dawns
The earliest pipe of half-awakened birds
To dying ears, when unto dying eyes
The casement slowly grows a glimmering square;
So sad, so strange, the days that are no more.

 

Dear as remembered kisses after death,
And sweet as those by hopeless fancy feigned
On lips that are for others; deep as love,
Deep as first love, and wild with all regret;
O Death in Life, the days that are no more!

 

This poem is in the public domain.

 





Morrer, poema de Ivan Junqueira

9 06 2023

Mensageiro do amor, 1885

Marie Spartali Stillman (Inglaterra, 1844 -1923)

aquarela, têmpera, folha ouro sobre papel colado em  madeira, 81 x 66 cm

Museu de Arte de Delaware

 

 

 

Morrer

 

Ivan Junqueira (1934-2014)

 

Pois morrer é apenas isto:

cerrar os olhos vazios

e esquecer o que foi visto;

 

é não supor-se infinito,

mas antes fáustico e ambíguo

jogral entre a história e o mito;

 

é despedir-se em surdina,

sem epitáfio melífluo

ou testamento sovina;

 

é talvez como despir

o que em vida não vestia

e agora é inútil vestir;

 

é nada deixar aqui:

memória, pecúlio, estirpe,

sequer um traço de si;

 

é findar-se como um círio

em cuja luz tudo expira

sem êxtase nem martírio.

 

 

Em: O tempo além do tempo: antologia, Ivan Junqueira, organização e prefácio, Arnaldo Saraiva, Vila Nova de Famalicão, editora Quasi:2007, p.71





Outono: Robert Frost

7 06 2023

Floresta outonal com casas

Walter Moras (Alemanha,1856 – 1925)

óleo sobre tela, 60 x 100 cm

 

“Minha tristeza, quando está aqui comigo, pensa que esses dias  escuros, chuvosos do outono são tão bonitos possível; ela ama a árvore ressequida, nua; e caminha pela trilha encharcada do pasto.” 

 

Robert Frost

Do poema:  My November Guest

 

tradução: Ladyce West

 
 
 
My November Guest
 
Robert Frost  (1874 –1963)
 
My sorrow, when she’s here with me,
     Thinks these dark days of autumn rain
Are beautiful as days can be;
She loves the bare, the withered tree;
     She walks the sodden pasture lane.
Her pleasure will not let me stay.
     She talks and I am fain to list:
She’s glad the birds are gone away,
She’s glad her simple worsted grey
     Is silver now with clinging mist.
The desolate, deserted trees,
     The faded earth, the heavy sky,
The beauties she so truly sees,
She thinks I have no eye for these,
     And vexes me for reason why.
Not yesterday I learned to know
     The love of bare November days
Before the coming of the snow,
But it were vain to tell her so,
     And they are better for her praise.
This poem is in the public domain.

Nota: Robert Frost está entre os muitos poetas americanos que admiro.  Tenho um cantinho de meu coração reservado para seu domínio.  E quanto mais admiro mais difícil se torna a tradução porque sei de conotações que ligam à obra inteira do escritor.





Leitura é mágica…

7 06 2023
Ilustração de Ludvik Glazer-Naudé.




Trova de um recado

6 06 2023

62 Ray Prohaska ideas | ray, mother's day in america ...

Ilustração Ray Prohaska.

 

 

Saudade é um sutil recado

que a vida gosta de ler

nos bilhetes que o passado

não se cansa de escrever!…

 

(Mara Mellini)





Curiosidade literária

6 06 2023
Ilustração de Beatrix Potter.

 

 

O livro mais famoso de Beatrix Potter, As aventuras de Pedro, o Coelho, publicado em 1901, foi rejeitado por seis editores diferentes.  Era baseado nas histórias que Beatrix havia criado, contado e ilustrado para seus irmãos: Eric e Noel.  Depois de quase dez anos contando histórias e ilustrando-as, com incentivo da mãe dos meninos, Annie Moore, Beatrix tomou coragem para publicar o que criara.  Não obstante tanta rejeição, a escritora inglesa, determinada, insistiu no projeto, publicando por si própria esse livro que a tornou famosa.  Publicou e distribuiu duzentas e cinquenta cópias.  Todos os volumes foram para amigos e família.  Dentre esses,  estava Sir Arthur Conan Doyle, autor do famoso Sherlock Holmes, publicado em 1899.  Conan Doyle começou a comprar mais volumes.  Comprou e comprou.  Não foi o único a gostar das histórias.  Beatrix  foi imprimindo cada vez mais livros até que finalmente uma editora tradicional Frederick Warne & Co. se interessou pela publicação. Potter já estava por volta dos trinta e cinco anos quando conheceu fama e sucesso.

 

 





Muito grata!

5 06 2023
Um dos grandes prazeres que tive depois que lancei À meia voz, foi receber feedback. Tenho um volume de meu livro com marcações sobre que pessoas gostaram de que poesias. O livro está todo rabiscado… mas adoro ver que poesia marcou aquela pessoa e se possível o porquê dessa preferência.
 
Mas recebi um feedback SENSACIONAL. Uma de minhas leitoras, que se dedica à aquarela, me mandou uma aquarela da capa do meu livro. Isso não é sensacional? Aqui está. O nome dela é Lu Pimentel. E estarei para sempre  grata
 
.
Nunca pensei de ser recipiente de tão delicada lembrança.

 





Outono: P. D. James

2 06 2023

Outono em Cornwall, 1925

Walter Elmer Schofield (EUA, 1866-1944)

óleo sobre tela

 

 

 

“Era um daqueles dias ingleses de outono perfeitos que acontecem com mais frequência na memória do que na vida.”

 

P.D. James (A Taste for Death (Adam Dalgliesh, #7))

 

Tradução: Ladyce West

 

-.-.-.

“It was one of those perfect English autumnal days which occur more frequently in memory than in life.”
P.D. James (A Taste for Death (Adam Dalgliesh, #7))