Trova dos namorados

12 06 2025
Ilustração anos 50

 

 

Em teus braços aninhada,

tenho, ao alcance da mão,

toda uma noite estrelada,

todo o sol no coração.

 

(Colombina)

 





Resenha: “A contagem dos sonhos”, Chimamanda Ngozi Adichie

11 06 2025
ilustração por IA.

 

 

Este é o quarto livro de Chimamanda Ngozi Adichie que leio.  Como outros leitores que gostam de sua escrita esperei dez anos para essa nova produção.  Finalmente A contagem dos sonhos veio, trabalho pós pandemia, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Júlia Romeu.  É óbvio que não há falta de assunto para a autora, nunca houve, por tudo que já li dela, Chimamanda continua loquaz na sua escrita. 

A sensação que tive é que após alguns anos sem publicar, a autora tinha muito, muito mesmo, a dizer sobre mulheres e seus sonhos.  O livro é extenso.  Sinto que poderia ser dividido em dois excelentes romances com diferentes diretrizes.  Isso porque ele relata desejos, sonhos e o cotidiano de quatro mulheres que lutam para se realizar economicamente, profissionalmente, além de preencherem seus destinos de esposas, amantes, mães e filhas.  Não é um conjunto fácil de tarefas a concretizar.  Essa luta, a persistência na busca, a procura do preenchimento do sonho é a coluna dorsal da obra. Ela trata das expectativas frustradas, dos obstáculos do dia a dia, e mostra a quase impossível ideia de casar sonho com realidade.  

 

 

Não falta vontade, perseverança, educação ou dinheiro a três dessas mulheres: Chiamaka, Zicora e Omelogor, as três nigerianas.  O caso de Kadiatou já é diferente desde de seu nascimento.  Outra obra deveria ser escrita para ela. Originária da Guiné ela se faz adulta dentro  dos ditames  da educação muçulmana.  Traz consigo os limites de seu papel social que diferem daqueles das outras três personagens, quando emigra, acaba sofrendo consequências traumáticas pelas quais não é responsável. 

As quatro mulheres são apresentadas em sequência, e têm suas vidas levemente entrelaçadas. Chiamaka abre a narrativa. Ela é escritora-jornalista especializada em escrever colunas para revistas de viagem, vem de família rica, emigra para os EUA, não tem problemas financeiros e é apoiada pelos pais, mas não consegue encontrar um parceiro de vida adequado.  Zikora, a segunda que conhecemos, é amiga de Chiamaka e pode até ter sido apresentada ao leitor anteriormente, já que sua história apareceu como um conto independente, em 2020, Zikora, pela Amazon Original Stories.  Lá, é personagem principal.  Aqui, a mesma história: advogada de sucesso em Washington DC, que se vê igualmente lograda na escolha de um companheiro de vida. Quando engravida é deixada de lado pelo homem que ama. Foi durante o parto e nos dias subsequentes que conseguiu perceber as dificuldades que sua mãe teve, e consegue reconciliar seu desejo com o que sua mãe imagina para ela e o neto. Omelogor, é prima de Chiamaka, mas as duas não poderiam ser mais diferentes. Ela também se muda para os Estados Unidos para estudar. Tem muito sucesso no campo das finanças.  Mostra também seu lado de defensora das mulheres quando dá conselhos para homens, incentivando-os a agir de maneira mais ‘civilizada’ em seu blog.  Entra em controvérsias, mas é autêntica.  Das três nigerianas, ela é a personagem mais  tridimensional, suas faltas, pecados, erros de julgamento a fazem uma pessoa completa.  Talvez seja a mais interessante das nigerianas.

 

Chimamanda Ngozi Adichie

Finalmente, na sequência, temos a história de Kadiatou, comovente, triste, de grande poder dramático.  Sua relação com as outras mulheres retratadas é que ela foi empregada de Chiamaka, e vai para os EUA, asilada, procurando uma vida melhor para sua filha.  Essa história, completamente diferente das outras, até mesmo no tom, lembra um caso real que chegou às manchetes dos jornais por volta de 2011, quando de uma camareira de hotel foi abusada por um homem de negócios de alto nível, em Nova York. Para mim, essa história deveria ser um livro à parte.  Principalmente porque na seção final quando voltamos a saber de Chiamaka — cujo relato fecha o livro — percebemos ainda com maior precisão a diferença de tom usado nas três primeiras narrativas, e a dela.  E também os problemas que afetam Kadiatou serem de muito maior grandeza do que os enfrentados pelas outras.

O que as une é a constante procura do amor e da felicidade. Todas acabam frustradas pelos homens que escolhem, pelas escolhas que fazem ou pelas pressões sociais.  Com esse perfil fica óbvio que Chimamanda Ngozi Adichie continua dando voz às frustrações das mulheres que lutam contra o machismo, o racismo e desigualdades sociais. Tudo dentro do tradicional perfil de suas obras, que conquistaram, a cada publicação, milhares de leitores devotos. Mas neste livro acredito que ela poderia ter sido mais sucinta.  O livro é longo. E se arrasta em algumas passagens.  Para mim, sua melhor obra até hoje, mais redonda, mais completa, é Meio Sol Amarelo, narrativa de grande impacto.  Se você nunca leu Chimamanda Ngozi Adichie, recomendo que comece com Hibisco Roxo, o mais leve e mais direto de seus romances. Mas recomendo A contagem dos sonhos com as restrições mencionadas acima.

De cinco estrelas, no máximo eu lhe daria entre três e quatro.  Mas não há meios pontos nesse jogo.  Fico com quatro, em admiração por todo trabalho dessa escritora. 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Aurora Boreal, poema de Antonio Gedeão

10 06 2025
Ilustração, Thomas Crane

 

 

Aurora boreal

 

Antonio Gedeão

 

Tenho quarenta janelas

nas paredes do meu quarto.

Sem vidros nem bambinelas

posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol,

por outra a luz do luar,

por outra a luz das estrelas

que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea

como um vapor de algodão,

por aquela a luz dos homens,

pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,

pela menor a certeza,

pela da frente a beleza

que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança

de quatro lados iguais,

quatro arestas, quatro vértices,

quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,

que as vigias são redondas,

e o sonho afaga e embala

à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,

por aquela entra a saudade,

e o desejo, e a humildade,

e o silêncio, e a surpresa,

e o amor dos homens, e o tédio,

e o medo, e a melancolia,

e essa fome sem remédio

a que se chama poesia,

e a inocência, e a bondade,

e a dor própria, e a dor alheia,

e a paixão que se incendeia,

e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco,

e o grande pássaro negro

que se olham obliquamente,

arrepiados de medo,

todos os risos e choros,

todas as fomes e sedes,

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.

 

Oh janelas do meu quarto,

quem vos pudesse rasgar!

Com tanta janela aberta

falta-me a luz e o ar.

 

 

 

António Gedeão, Obra Poética, Edições João Sá da Costa, Lisboa, 2001





A morte de Roland, ou a Canção de Roland

10 06 2025

Batalha de Roncesvales, em 778: morte de Roland. c. 1455-1460

Jean Fouquet (França, ? – 1481)

Iluminura das Grandes Crônicas da França

Biblioteca Nacional da França, Paris

 

 

A Canção de Roland é um poema do século XI, talvez a mais antiga canção épica, que dá início à literatura francesa, mesmo tendo sido, na sua forma original, escrita em uma língua românica.  A obra inspirou muitas outras criações sobre a França e circulou por toda a Europa.  Ela narra a morte heroica de Roland, no campo de batalha de Roncesvales.  A batalha aconteceu no dia 15 de agosto de 778, e Roland, que era sobrinho de Carlos Magno, comandava o exército da retaguarda, formado pelos Doze Pares de França, um grupo lendário de cavaleiros associados a Carlos Magno.  Na tropa liderada por Roland os cavaleiros são: Roland, Olivier, Gérin, Gérier, Bérenger, Otto, Samson, Engelier, Ivon, Ivory, Anséïs e Girart de Roussillon.  Mas em outros poemas e lendas da época, esses cavaleiros poderiam ser outros.  Como há muitas versões da Canção de Roland, todas em manuscritos que deram por sua vez origem a outras tantas lendas, é difícil de precisar exatamente quem fazia parte desse exército ou aqueles cuja existência são pura lenda. 

Roland morreu numa batalha na região basca da França.  A tropa vinha da Península Ibérica onde lutava contra os sarracenos.  Dependendo da versão os autores do massacre de Roncesvales, podem ser tanto bascos quanto muçulmanos.  Sabe-se que essa batalha realmente ocorreu, está historicamente comprovada e em espírito pertence ao contexto das Cruzadas e da Reconquista cristã da Península Ibérica. 

 

A morte de Roland, 1462

Iluminura em de manuscrito

Autor desconhecido

Bruges, Flandres [Bélgica]

 

 

Uma coisa interessante é que a Canção de Roland teve grande popularidade no Brasil no século XIX. Isso graças a um livro de um médico português, Jerónimo de Moreira Carvalho, que escreveu em 1737, portanto no século XVIII, uma continuação da Canção de Roland: Segunda parte da História do Imperador Carlos Magno e dos doze pares de França. Esse romance de cavalaria se tornou leitura de grande sucesso no Brasil do século XIX.  Aliás, esse é um de dois portugueses que escreveram uma continuação de história de Carlos Magno.  O outro,  História nova do Imperador Carlos Magno, e dos doze pares de França de José Alberto Rodrigues, impressa em Lisboa em 1742.  Essa no entanto, não foi popular no Brasil. 

 

 





Julian Barnes lista seis livros favoritos

9 06 2025
ilustração Laurence Fellows

 

 

O escritor inglês e vencedor do Man Booker Prize em 2011, com o livro O sentido de um fim, deu à revista The Week, uma pequena lista de seus livros favoritos.  Foi uma lista diferente da que eu imaginaria, mas são obras muito boas.

1 – A viúva Couderc, George Simenon.  Infelizmente não encontrei a tradução para o português.  Foi publicado em 1942.  “Todos os anos, Simenon se irritava com aqueles “idiotas” de Estocolmo que  ainda não lhe haviam dado o Nobel de literatura.  Na época eu achava aquilo muito louco; agora acho bastante apropriado.  Seus romances duros são poucos e rigorosos, demonstrando profundo conhecimento da natureza humana.  Este é um dos melhores.”

2 – Rapazes de zinco de Svetlana Alexievich, publicado em 1989. “Alexievich ganhou o Nobel, como deveris, em 2015, por suas histórias polifônicas retratando o final do Comunismo Soviético.  Rapazes de zinco retrata as experiências terríveis dos soldados sovi[eticos no Afganistão.”

3 – O início da primavera [The beginning of Spring], Penelope Fitzgerald, publicado em 1988.  Não encontrei tradução para o português, mas achei em espanhol, inglês e italiano. “A história se passa na Rússia pré-revolucionária. Esse é o melhor das quatro grandes obras de Fitzgerald.  Irônico, inadequado, sábio, e terno ao mostrar os incompetentes. A obra de Fitzgerald tem uma graça moral que permanecerá e sobreviverá às obras mais espalhafatosas da nossa época.

4 – Persuasão, Jane Austen, publicado em 1817. Os meus três romances favoritos do século dezenove foram escritos por mulheres. Middlemarch Jane Eyre  são os outros dois.  Persuasão é o último romance de Austen, sombrio, irônico e intenso.  Imagine que mais ela poderia ter escrito se não tivesse morrido aos 41 anos. 

5 – Amours de voyage, de Arthur Hugh Clough, publicado em 1849.  “Um longo poema e também um pequeno romance — sobre amor, dúvida e viagem; sobre perder a chances oferecidas, sobre não entender o momento, analisar demais e covardia moral. Clough é contemplativo, argumentativo,  inteligente e extremamente moderno.

6 – Ethan Fromme, Edith Whaton, publicado em 1911.  “Wharton disse que “para escrever esse livro eu trouxe grande alegria e total conforto”.  Com a maioria das edições tendo próximo de 100 páginas, o livro combina a densidade de uma novelaem carater e tema com a simplicidade e força de um conto. Como muitos de seus livros, uma tragédia, para uma época não trágica. E ela escreveu o original em francês!

NOTA:  Você encontrará minha resenha sobre O sentido de um fim de Julian Barnes aqui neste blog.  Julian Barnes é um dos meus escritores favoritos.  Preparo nesse momento a lista do livros de mais gostei nesses primeiros 25 anos do século XXI e tenho dois livros de Barnes na minha lista. 





“Nada nos satisfaz”, Michel de Montaigne

7 06 2025
DETALHE  (veja tela inteira abaixo)

Emina, lembranças do Oriente

Louis-Emile Pinel de Grandchamp (França, 1831-1894)

óleo sobre tela 

 

 

Nada nos satisfaz

 

Michel de Montaigne

 

Se ocasionalmente nos ocupássemos em nos exa­minar, e o tempo que gastamos para controlar os outros e para saber das coisas que estão fora de nós o empregás­semos em nos sondar a nós mesmos, facilmente sentiríamos o quanto todo esse nosso composto é feito de peças frágeis e falhas. Acaso não é uma prova singular de imperfeição não conseguirmos assentar o nosso contentamento em coi­sa alguma, e que, mesmo por desejo e imaginação, esteja fora do nosso poder escolher o que nos é necessário? Dis­so dá bom testemunho a grande discussão que sempre houve entre os filósofos para descobrir qual é o soberano bem do homem, a qual ainda perdura e perdurará eterna­mente, sem solução e sem acordo: Enquanto nos escapa, o objecto do nosso desejo sempre nos parece preferível a qualquer outra coisa; vindo a desfrutá-lo, um outro desejo nasce em nós, e a nossa sede é sempre a mesma. (Lucrécio).
Não importa o que venhamos a conhecer e des­frutar, sentimos que não nos satisfaz, e perseguimos cobi­çosos as coisas por vir e desconhecidas, pois as presentes não nos saciam; em minha opinião, não que elas não te­nham o bastante com que nos saciar, mas é que nos apo­deramos delas com mão doentia e desregrada: Pois ele viu que os mortais têm à sua disposição praticamente tudo o que é necessário para a vida; viu homens cumulados de riqueza, honra e glória, orgulhosos da boa reputação de seus ftlhos; e entretanto não havia um único que, em seu foro íntimo, não se remoesse de angústia e cujo cora­ção não se oprimisse com queixas dolorosas; compreendeu então que o defeito estava no próprio recipiente, e que esse defeito corrompia tudo de bom que fosse colocado de fora em seu interior (Lucrécio).
O nosso apetite é indeciso e incerto: não sabe con­servar coisa alguma, nem desfrutar nada da maneira certa. O homem, julgando que isso seja um defeito dessas coi­sas, acumula e alimenta-se de outras coisas que ele não sabe e não conhece, em que aplica os seus desejos e espe­ranças, honrando-as e reverenciando-as; como diz César: Por um vício comum da natureza, acontece termos mais con­fiança e também mais temor em relação às coisas que não vimos e que es­tão ocultas e desconhecidas.

 

Michel de Montaigne, Ensaios

 





Minutos de sabedoria: Shopenhauer

6 06 2025

Menino lendo

Francesc Domingo Segura (Espanha-Brasil,1893-1974)

óleo sobre tela, 74 x 60 cm 

 

 

“Devemos abster-nos, na conversação, de observações críticas, mesmo que sejam as mais bem intencionadas, pois magoar as pessoas é fácil; difícil, se não impossível, é melhorá-las.”

 

Arthur Shopenhauer

Arthur Shopenhauer
(1788-1860)





Todo mundo lê!

6 06 2025
A mãe Guji lê para os filhos (gansos e um jacaré) de Chih-Yuan-Chen.




Ladyce, poesia de Gessner Pompêo de Barros

5 06 2025
Ilustração de Maud Tousey Fangel.
 
 
Ladyce *

 

Gessner Pompêo de Barros

 

Pediu-me sua Mãe que, em versos, dedicasse 

este Álbum a você, minha querida,

onde o seu progredir se registrasse,

ou se fotografasse,

mês a mês, ano a ano, toda vida.

.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 

Pediu-me versos ternos a um bebê…

Mas dois bebês eu vejo: ela e você!

Isto porque, 

entre a filha e a netinha há pouca diferença 

— não há distância imensa…

Bem pouca distinção entre ambas faz

o coração dos seus avós e pais.

.. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 

Ela é também bebê, que já cresceu,

que já sofreu, 

Que agora é Mãe e assim, vai realizando

o sublime destino da Mulher!

Você, novo bebê, que está iniciando, 

os passos para idêntico mister…

                   * * *

Você há de ter na vida o doce encanto

que ela oferece às nobres criaturas:

— o riso alegre, que afugenta o pranto,

— a graça com que Deus, lá das alturas,

— bênção divina —

o caminho dos bons sempre ilumina…

 

 

Em: Revista O Malho, volume XI, página 7

  • Poema escrito por meu avô materno, Gessner Pompêo de Barros. Vovô era advogado, mas também exerceu a profissão de escritor. Teve por algum tempo, não sei quanto tempo, uma coluna semanal no antigo jornal Última Hora, coluna sindicalizada que aparecia em muitos jornais do interior do país. Sendo mato-grossense, da época em que aquele era um só estado, suas colunas certamente ficaram conhecidas por lá. Minha sobrinha, que recentemente descobriu que seu bisavô era, como ela, advogado, hoje me mandou a foto da página da revista em que esse poema aparece. O poema eu tenho no meu álbum de bebê. Na primeira página.

Também neste álbum aparece um poema que meu pai, um cientista, químico industrial e professor de física, escreveu na mesma ocasião. Conta a lenda que enciumado pela poesia de vovô, ele também resolveu meter as mãos na poesia, para não ficar para trás. Papai não era um mau escritor. Tenho alguns de seus escritos publicados nos jornais das escolas que frequentou. Ele cresceu na época em que se decorava Os Lusíadas na escola (que ele frequentemente, chegada a hora apropriada, declamava — para embaraço total dessa filha, rs…) Um dia acho nas caixas que deixarei para os sobrinhos destrincharem, o álbum em questão e passo para o blog, e para o julgamento de vocês, meus leitores, a resposta do genro enciumado. Rs…rs…

Uma nota sobre meu nome: Ladyce (pronunciado Lêidice) é um nome americano, parece até que mamãe havia vislumbrado meu destino para assim me chamar, já que passei a maior parte de minha vida adulta nos Estados Unidos, eventualmente casando com um americano. Nunca foi um nome comum. É um nome antigo, e mais comum no final do século XIX e início do século XX. Mamãe tirou-o de um romance. E bateu o pé para que eu assim me chamasse, porque papai insistia que eu levasse o nome de sua avó materna, um nome de que minha mãe não gostava: Leopoldina.





Lidos em maio…

2 06 2025

 

O banqueiro anarquista e outros contos, Fernando Pessoa

SINOPSE — Este livro reúne 24 textos em prosa: 21 da autoria de Fernan­do Pessoa, o primeiro d­e­­les escrito originalmente em in­glês, e três traduções que realizou do contista americano O. Henry. Dispostos em ordem crono­lógica, são textos produzidos entre 1907 e 1935, ou seja, da adolescência do autor até o ano de sua morte. Há, na maioria, uma data em alguns casos aproximada, e cinco deles têm data ignorada: “A perversão do Longe”, “O mendigo”, “Memórias de um ladrão”, “Manuel Fontoura” e “O Soares e o Pereira”.

 

Oração para desaparecer, Socorro Acioli

SINOPSE — Cida, uma mulher sem identidade nem memória, reconstrói pouco a pouco uma nova vida em um lugar completamente desconhecido. Jorge encontra nessa misteriosa estrangeira uma paixão inesperada, que recria o que não parece provável. Do outro lado do Atlântico, Joana é o fantasma de um amor há muitos anos perdido por Miguel.

Quando os quatro personagens se entrecruzam no tempo em busca de respostas para as próprias angústias, se deparam também com uma trama fantástica sobre magia, ancestralidade e pertencimento. Oração para Desaparecer é uma das histórias possíveis sobre o amor e seu poder de dissolver as barreiras do imponderável.

 

A contagem dos sonhos, Chimamanda Ngozi Adichie

SINOPSE — Chiamaka é escritora de livros de viagem e vive nos Estados Unidos. Sozinha durante a pandemia, ela relembra os relacionamentos do passado e pondera sobre suas escolhas e seus arrependimentos.

Zikora, sua melhor amiga, é uma advogada que foi bem-sucedida em tudo, até que, após ser traída e ter o coração partido, busca a ajuda de quem achou que menos precisava.

Omelogor, a prima ousada e franca de Chiamaka, é uma gênia das finanças na Nigéria que começa a questionar o quanto se conhece de verdade.

E Kadiatou, que cuida da casa de Chiamaka, cria com orgulho a filha nos Estados Unidos — mas precisa lidar com uma provação inconcebível que ameaça tudo que ela trabalhou para conseguir.

Neste romance, Chimamanda Ngozi Adichie volta seu olhar arguto a essas mulheres, numa narrativa brilhante que discute a própria natureza do amor. A verdadeira felicidade é de fato alcançável? Ou é apenas um estado passageiro? E quão honestos devemos ser com nós mesmos para amar e ser amados?

Uma reflexão incisiva sobre as escolhas que fazemos e aquelas feitas por nós, sobre filhas e mães, sobre nosso mundo interconectado, A contagem dos sonhos pulsa com urgência emocional e observações pungentes e inflexíveis sobre o coração humano, em uma linguagem que se eleva com beleza e poder. Isso confirma o status de Adichie como uma das escritoras mais fascinantes e dinâmicas da cena literária hoje.