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Espelho, 1922, ilustração de André Edouard Marty.
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A beleza não existe
fora de quem a aprecia…
– Para quem é triste, é triste
a mais ruidosa alegria.
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(Israel Fonseca)
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Espelho, 1922, ilustração de André Edouard Marty.–
A beleza não existe
fora de quem a aprecia…
– Para quem é triste, é triste
a mais ruidosa alegria.
–
(Israel Fonseca)
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Em cada lição deixada
no saber que me forjou
meu pai, sem deixar-me nada
deixou-me tudo que sou.
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(Valter Augusto Guimarães Rosa)
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Pato Donald não faz nada, ilustração de Walt Disney.–
Quem perde seu tempo em vão
com coisa pequena e fútil,
já bem sabe, de antemão,
que nada fará de útil.
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(Haroldo Castro)
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Um dia de chuva, ilustração: ignoro a autoria.–
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Lêdo Ivo
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Chove sobre a cidade
e a chuva inunda o asfalto, difunde o desastre e o desencontro
e procura abater as palmeiras que do fim da tarde
queriam apenas — graça plena — as estrelas.
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Os trovões reboam, espantando os pássaros
que vieram refugiar-se no meu quarto.
Os relâmpagos, fotógrafos do absoluto, iluminam as pessoas que passam
— são outros rostos, minha irmã, são as faces
revoltadas porque as divindades impossibilitaram os idílios,
a chegada pontual a uma casa, o já adiado trespasse com o inefável.
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As sarjetas recebem finalmente a Poesia. Como são belos
e nítidos os barcos de papel
que navegam buscando os reinos fantásticos, os inaccessíveis!
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A chuva tem uma canção. Jamais uma elegia
para saudar sua gentileza. Jamais uma ode,
um himeneu, uma écloga deploratória.
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Meu irmão, deixa que a goteira molhe tuas últimas
poesias. Pouco importa que amanhã te reconcilies com os grandes temas poéticos.
O amanhã é inconsumível. A chuva te ensina
a ser invariável sem se repetir.
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Em: Central Poética: poemas escolhidos, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Aguilar:1976
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Em homenagem ao poeta Lêdo Ivo, falecido hoje, aos 88 anos.
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Natal em Moçambique, ilustração autoria desconhecida.–
Junto do berço que a luz
da fé cristã alumia,
toda criança é Jesus
e toda mãe é Maria.
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(Padre Celso de Carvalho)
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Natividade
Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)
óleo sobre tela
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Fernando Pessoa
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Natal… Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.
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Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade !
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.
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E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei !
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Feliz de quem busca amigos
entre homens bons e singelos.
– Quem aos porcos se mistura,
aprende a comer farelos…
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(Tapajós de Araújo)
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Carta, ilustração de Henry Clive.–
As tuas cartas, querido,
guardadas com muito amor,
de tanto que as tenho lido,
quase mudaram de cor!
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(Téula Athayde)
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Bahia… Voz que se exprime
num canto alegre e encantado,
pelo violão de Cayme
e a pena do Jorge Amado!…
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(Augusto Astério de Campos)
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Pateta quer descansar, ilustração Walt Disney.–
Quando acaso sinto, crede,
vontade de trabalhar,
deito-me logo na rede,
até a vontade passar…
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(Augusto Linhares)
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