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Ilustração Gaston Maréchaux, 1918.
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É Inverno … mas, que importa ?
Estou sempre à tua espera.
Quando chegas e abro a porta,
entra junto a Primavera…
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(Déspina Athanásio Perusso)
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Ilustração Gaston Maréchaux, 1918.–
É Inverno … mas, que importa ?
Estou sempre à tua espera.
Quando chegas e abro a porta,
entra junto a Primavera…
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(Déspina Athanásio Perusso)
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Luís Pimentel
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A vida dá muitas voltas
e volta sempre ao começo.
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Nos mostrando em cada volta
seus passos e seus tropeços.
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A vida é maré revolta.
A morte é que vem de berço.
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Em: O calcanhar de Aquiles, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004
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Casarios e igreja, s/d
Durval Pereira ( Brasil, 1917-1984)
óleo sobre tela 50 x 65 cm
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Domingos Pellegrini
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Os galos disputando a alvorada
o retorno dos pés para as sandálias
o espelho que me olha e sempre cala
a pia minha mais gentil criada
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Fogão com seu milagre que não falha
armário com modéstia tão calada
perto da geladeira dedicada
a resmungar tanto quanto trabalha
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O céu a me espiar pelas janelas
novidades florindo no jardim
formigas a cuidar da vida delas
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Sangrando sol varrendo as amarguras
sem pesadelos nem sonhos enfim
cada manhã me pare e inaugura
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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005
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Ilustração, “Pensamentos distantes”, Jonathan Green. www.jonathangreenstudios.com–
Há tempo de flor… de espinho…
Tempo de ouvir… de falar…
Tempo de dar um tempinho…
Tempo.. de o tempo matar!
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(Dirce Davenia Guayato)
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Virgínia Lloyd-Davies (EUA, contemporânea)
aquarela, 45 x 69 cm
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Olegário Mariano
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As asas das horas passam ligeiras
Como andorinhas riscando o ar…
Ruídos de penas de aves viajeiras
Que as minhas penas vêm aumentar.
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Porque no vôo do tempo a vida
Passa com as horas, de braços dados.
Quanta poesia mal compreendida!
Quantos amores mal compensados!
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E as horas passam levando a vida
Como andorinhas nos céus nublados.
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E os rios passam levando a vida…
Tudo que corre, tudo que voa,
O vento… as águas… E, na corrida,
Quanto castelo no ar se esboroa,
Quanta esperança desiludida!
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E pelos ares, angustiado
Coro de vozes longe ressoa:
“Tempo maldito! Tempo apressado!
Ventos bravios! Águas correntes!
Não corram tanto! Vão devagar!…”
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E as andorinhas indiferentes
Passam ligeiras, riscando o ar…
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Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, volume II (1932-1955), Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, pp: 552-553
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Capa da revista Fruit & Garden, década 1910.–
Um pássaro engaiolado
qualquer maldade suplanta.
Pois ele foi condenado,
simplesmente porque canta!
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(Hildemar de Araújo Costa)
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Pescador na beira do rio, 1932
Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983)
óleo sobre madeira, 27 x 35 cm
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Fernando Pessoa
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Na ribeira deste rio
ou na ribeira daquele
passam meus dias a fio.
Nada me impede, me impele,
me dá calor ou dá frio.
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Vou vendo o que o rio faz
quando o rio não faz nada.
Vejo os rastros que ele traz,
numa sequência arrastada,
do que ficou para trás.
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Vou vendo e vou meditando,
nem bem no rio que passa
mas só no que estou pensando,
porque o bem dele é que faça
eu não ver que vai passando.
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Vou na ribeira do rio
que está aqui ou ali,
e do seu curso me fio,
porque, se o vi ou não vi,
ele passa e eu confio.
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Em: Antologia poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, p. 150-151.
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Cartão postal com ilustração de Margret Boriss.–
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Bastos Tigre
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— Mamãe! Que chuvinha enjoada!
Me deixou toda molhada,
Sapato, roupa e chapéu!
Não serve mesmo pra nada
Esta água que cai do céu…
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— Não digas tal, minha filha:
A chuva é uma maravilha
Pois ela molhando o chão,
Faz crescer a couve, a ervilha,
O arroz, o milho, o feijão.
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A chuva, molhando a terra,
Cobre de flores a serra,
Amadurece o pomar,
E a semente que se enterra
A chuva é que faz brotar.
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Por isso é que a chuva é boa
E a terra seca a abençoa…
— Sim, Mamãe, compreendo bem.
Mas por que é que a chuva, à toa,
Cai nas calçadas também?
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Em: Antologia Poética de Bastos Tigre, Bastos Tigre, 2 volumes, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1982, 1º volume, p. 241.
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Monica faz justiça, ilustração de Maurício de Sousa.–
Neste mundo de cobiça,
o criminoso se esquece
que embora falhe a justiça,
sempre a verdade aparece.
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(Simeão Cohen)
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Aurélio d’Alincourt (Brasil, 1919-1990)
óleo sobre madeira, 46 x 38 cm
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Stella Leonardos
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Penugem de ave pequena.
No corpo fruta macia.
Na pele fresca açucena.
Na vida raiar do dia.
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Raio de luz, ilumina.
E sendo pássaro e planta
É inocência que germina,
É madrugada que canta.
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Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.11