Desconheço a autoria da ilustração.
Do dia a dia na cena
a verdade não prefiras,
que a vida só vale a pena
por suas lindas mentiras.
(Gilka Machado)
Desconheço a autoria da ilustração.
Do dia a dia na cena
a verdade não prefiras,
que a vida só vale a pena
por suas lindas mentiras.
(Gilka Machado)
Praça Paris, Rio de Janeiro, 2008
Sandra Nunes (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 40 x 90 cm
J. G. de Araújo Jorge
No mês de julho, todo ano, as amendoeiras da minha rua
mudam de roupa.
Despojam-se de repente das velhas folhas
enferrujadas
e abrem outras tão verdes como se o criador acabasse de
tocá-las…
Em: A outra face, J. G. de Araújo Jorge, Rio de Janeiro, Vecchi:1958, 2ª edição, p. 141
Holmes Neves (Brasil, 1925)
óleo sobre tela, 50 x 61 cm
Carlos Drummmond de Andrade
I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
Fuga para o Egito, século XVIII
Azulejos portugueses
Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, Salvador
Wilson W. Rodrigues
Roubei azulejo antigo
de um convento na Bahia.
Tirei da vida de Cristo
a figura de Maria,
Para botar no oratório
de meu quarto de dormir,
e poder rezar feliz,
e sonhar sempre a sorrir…
Não passaram sete luas,
não passaram sete auroras,
o meu azulejo antigo,
devoção de minhas horas,
Do oratório foi roubado,
quem foi o ladrão não sei…
Fui rezar lá no convento
e meu azulejo achei…
Louvado seja o ladrão
Que fez Maria voltar
para junto de Jesus
no Calvário a caminhar…
Votei mais puro pra casa
rezei uma prece aos céus.
Nossa Senhora é mais bela
a chorar junto de Deus.
Em: Bahia Flor : poemas, Rio de Janeiro, Editora Publicitan:1949, pp: 107-108
Pato Donald vai pescar, ilustração de Walt Disney.
Na pesca, era o Chico Armando
o maior…pescava aos feixes…
até que o pesquei…pescando
num Entreposto de Peixes…
(João Freire Filho)
Ilustração de um dos livros “Père Castor”, com ilustração provável de Feodor Stepanovich Rojankovsky, conhecido como Rojan.
Miguel Torga
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar…
Moça à noite, ilustração de F. Cayley Robinson.
Nos dedos eu conto as horas,
não sei contar diferente,
mas, hoje, sei que demoras
bem mais do que antigamente.
(Amália Max)
Ilustração de José Luís Merino.
Roseana Murray
Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.
Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.
O que é que você quer
esconder na minha caixa?
Em: Fábrica de poesia, Roseana Murray, São Paulo, Scipione: 2008
O cortejo nupcial, 1920
Gabriel Charles Deneux (França, 1856-1926)
óleo sobre tela, 139 x 177 cm
Coleção Particular
Gonçalves Crespo
A noiva passa rindo
De rosas coroada,
Como um botão surgindo
À luz da madrugada.
Na fronte imaculada
O véu lhe desce lindo,
E a brisa enamorada
Lhe furta um beijo infindo…
Ante o altar se inclina
A noiva, e purpurina
Murmura a medo: “Sim”.
Agora é noite; a lua
No céu azul flutua,
E o noivo diz: “Enfim!”
(1870)
Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro, p. 75.
Ilustração de Pierre Brissaud, para a revista House & Garden, março 1927.
Stella Leonardos
Ah pássaro triste!
Quem larga cantigas
de penas tão cinzas
nas horas que voam?
Ah flor escondida!
Choraste tão triste
nas gotas de brilho
do orvalho que foi-se.
Ah nuvem lá em cima
fugindo fugindo
tão triste tão triste
tão alma de sonho!
Vem, chuva dos tristes,
irmã comovida
cinzentas retinas
chorando horizontes!
Em: Ar Lírico, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1961, p. 21