
Natal da minha velhice…
não sinto qualquer revolta:
– Papai Noel… ah! quem disse
que, em nós, o sonho não volta?
(Pompílio O. Vieira)

Natal da minha velhice…
não sinto qualquer revolta:
– Papai Noel… ah! quem disse
que, em nós, o sonho não volta?
(Pompílio O. Vieira)

Alphonsus de Guimaraens Filho
É Natal. Foram tantos os Natais…
Pois que é Natal mais uma vez, apreende
esse cântico longo que se estende
por terras, mares, não termina mais.
Natal mais uma vez. Uma vez mais,
o menino que só a estrela entende,
os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende
a certeza das coisas abissais.
Pois que é Natal, pensemos no menino,
apenas no menino. E o contemplemos
no berço onde ora está, tão pequenino.
Já quanto aos pais, a meditar deixemos.
Sabem os pais qual a hora do destino.
Fingindo não saber, sonhando olhemos.
Em: Todos os sonetos, Alphonsus de Guimaraens Filho, Rio de Janeiro, Editora Galo Branco: 1996
Árvore de Natal
Spiridon Vikatos (Grécia, 1878 – 1960)
óleo sobre tela
Miguel Torga
Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.
Figura feminina
Angelo Simeone, (Itália-Brasil, 1899-1963)
óleo sobre tela colado sobre eucatex, 60 X 48cm
Cora Coralina
Não sei se a vida é curta
ou longa para nós,
mas sei que nada
do que vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
o colo que acolhe,
o braço que envolve,
a palavra que conforta,
o silêncio que respeita,
a alegria que contagia,
a lágrima que corre,
o olhar que acaricia,
o desejo que sacia,
o amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira,
pura enquanto durar.
Foi esta poesia que abriu, para reflexão, o Encontro de Fim de Ano dos grupos de leitura Papalivros e Ao Pé da Letra, no domingo, dia 8 de dezembro próximo passado. Agradeço ao Professor Sérgio Gonçalves Mendes [PUC-RJ] a sugestão desta abertura.

“São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes, os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável — apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.”
Em: Ilusões do mundo, Cecília Meireles, Global: 2019

Que saudades dos folguedos
dos meus Natais mais risonhos…
em que singelos brinquedos
amanheciam meus sonhos!
(João Freire Filho)
Ilustração Margaret Tarrant.
No meu Natal é rotina
deixar tudo no “capricho”:
no peito faço faxina e
jogo as mágoas no lixo!
(Élbea Priscila de S e Silva)
Ilustração de Alice Havers.
“Volta!”, eu peço, em voz bem alta!
Antes que a minha ansiedade
faça com que o “sentir falta”
passe a chamar- se… “saudade”…
(Izo Goldman)
Ilustração Stacy Curtis.
Vinícius de Moraes
Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.
Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.
Quer ver a foca
Fazer uma briga?
É espetar ela
Bem na barriga!
Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição, página 67-69.
Figura feminina
Angelo Simeone, (Itália/Brasil, 1899 -1963)
óleo sobre tela colada sobre eucatex, 60 X 48 cm
Sosígenes Costa
Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.
Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.
É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.
Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.