Surpresa natalina, poesia de Ira Etz

25 05 2023

Metrô, 1919

Walter Pach ( EUA, 1883-1958)

óleo sobre tela

Saint Louis Art Museum

 

 

Surpresa natalina

 

Ira Etz

 

Eles se encontravam,

Ocasionalmente

Anônimos.

Pegavam o mesmo ônibus.

No começo,

se olhavam timidamente.

Aos poucos, os olhares

Tornaram-se

Mais expressivos, desejosos.

Não dava para adiar.

Marcaram encontro.

Passaram o Natal juntos.

Se deram de presente

Um ao outro.

Se amaram.

Ele perguntou,

Quer passar sua vida

Sempre assim?

Não!

 

Em: Ainda, Ira Etz, Editora Sete Letras, Rio de Janeiro:2022, p. 46

 





Trova do outono

23 05 2023

Queda das folhas de outono, 1888

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 73 x 92 cm

Museu Kröller-Müller, Otterlo

 

 

As folhas, antes viçosas,

da natureza o pulmão,

inda mostram-se graciosas

mesmo pisadas no chão!

 

(Francisco José Pessoa)





Trova do galo ciumento

11 05 2023

A galinha está… chocada…

e o galo velho, uma bala,

porque existe na ninhada

um pinto verde… que fala!!!

 

(Izo Goldman)





O pampa, poesia de Jorge de Lima

9 05 2023

Gaúcho da serra

José Lutzenberger (Alemanha-Brasil, 1882- 1951)

aquarela, 19 x 26 cm

Museu de Arte do Rio Grande do Sul

 
O pampa

 

Jorge de Lima

 

Nem chinas cantando,

nem violas gemendo,

nem ranchos,

nem fachos,

nem fandangos,

nem balaios,

nem violões,

nem habaneras de cordeonas.

 

— O pampeiro

e as almas penadas das taperas —

e as primeiras estrelas

que vieram assistir a noite escura

despencar de repente

lá do céu

sobre o pampa: pam! pa!

 

Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. IV, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974. p. 30





Um presente para o Dia das Mães!

22 04 2023

Livro À meia voz, de Ladyce West, em todas as livrarias e na Amazon, papel e digital.





Escritora no museu: Adalgisa Nery

22 04 2023

Adalgisa Nery, 1930

Ismael Nery (Brasil, 1900-1934)

[Marido da escritora]

óleo sobre tela





Mangueiras de Belém, poesia de Raul Braga

19 04 2023

 

 

Largo_de_Nazareth.Joseph Léon Righini (Turim, Itália ca.1820 - Belém PA 1884).

Largo_de_Nazareth, Belém, Pará

Joseph Léon Righini  ( Itália – Brasil, 1820 -1884)

gravura

 

Mangueira de Belém

 

Raul Braga

 

Filha de terra estranha bem distante,

Transplantada a terras brasileiras,

Aqui enfeitas, verde e galante

Na beleza de todas as mangueiras.

 

Dás folha e sombra e flor alvissareiras

De uma quadra de vida confortante,

És pouso e lar das aves cantadeiras,

pela tardinha em último descante.

 

Mas, a maldade humana, sem limite,

Ao lenhador vai dando em apetites

Uma insânia de morte carniceira,

 

Até quando não mais existe um ninho

E, derradeiro, partir o passarinho,

Quando abatida a última mangueira.

 

Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 333





Vida de escritora

12 04 2023

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Nas últimas semanas,  março e abril,  comecei a sair do meu ninho, voltando para uma vida mais normal.  Marquei um encontro com Judy Botler, no dia 25 de março.Nossos livros, Cerejas de Maio de Judy Botler e À meia voz de minha autoria estão na Amazon e em livrarias no Rio de Janeiro. Recebi um volume do livro Cerejas de Maio, para doação à biblioteca da Usina de Arte, em PE para qual o Livro Errante está recolhendo livros novos.

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Sim, tiramos fotos juntos. Mas me dei ao luxo de não gostar de nenhuma das minhas. Ou estava desarrumada, ou mais acabada do que me acho, ou parecia com sono… eliminei TODAS…. Minha página, meu gosto!





Curiosidade literária

3 04 2023

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O britânico George Gordon Byron (1788-1824), 6.º Barão Byron, ou Lord Byron, foi um dos mais influentes poetas ingleses.  Além de sua associação ao romantismo, ganhou fama no folclores literário por suas múltiplas aventuras amorosas: aparentemente ninguém conseguia escapar de seus encantos. A primeira obra que o fez centro de atenções e ilibações literárias foi publicada em 1812, com o título  Childe Harrod’s Pilgrimage [Peregrinação de  Childe Harrod].  Nela Byron descreve, em poesia, a longa viagem que fez por países europeus e do Oriente Médio. A fama veio súbita, logo após a publicação só dos dois primeiros cantos.  O sucesso foi tão rápido e completo que há registro de Byron ter exclamado  “I awoke one morning and found myself famous” [Acordei uma manhã e me encontrei famoso] acentuando sua conhecida imodéstia.  No entanto, além das escapadas amorosas e das publicações que agradaram ao público e à crítica, Byron cultivou a peculiaridade de viajar sempre, e viajou muito, com algumas dezenas de animais.  Um exemplo, foi a viagem que fez a Veneza, quando levou dez cavalos, três macacos, três pavões, oito cachorros, cinco gatos, uma cegonha, um falcão, uma águia e um corvo. 





Canto do regresso à Pátria, Oswald de Andrade

30 03 2023

Viaduto Santa Ifigênia

José Maria dos Reis Junior (Brasil, 1903-1985)

óleo sobre madeira, 20 x 18 cm

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Canto do regresso à pátria

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Oswald de Andrade

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Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos aqui

Não cantam como os de lá

 

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

 

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para São Paulo

Sem que veja a rua 15

E o progresso de São Paulo.

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p.18.