Ilustração italiana, Pierrô e Colombina
Triste vida a do Pierrô:
sofrer pela Colombina,
que, nos braços de Arlequim,
ri de sua triste sina!
(Paluma Filho)
Triste vida a do Pierrô:
sofrer pela Colombina,
que, nos braços de Arlequim,
ri de sua triste sina!
(Paluma Filho)
Ferreira Gullar
Ter medo da morte
é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo que é vida
Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos
E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo
Em: Muitas vozes: poemas, Ferreira Gullar, 3ª edição, Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p. 48
Papai Noel – o segredo
mais risonho da Esperança;
o mais bonito brinquedo
no sonho azul da criança.
(Durval Mendonça)
Papai Noel, bom velhinho,
neste Natal, sob a lua…
procure meu sapatinho
sobre a janela da rua!…
(Adelir Machado)
Terra – bendito seu nome,
sinônimo de fartura;
só quem nunca sentiu fome
menospreza a agricultura!
(Arlindo Tadeu Hagen)
Paisagem Rural com Espelho D’água e Casinha
Augusto Rodrigues Duarte (Portugal-Brasil, 1848 -1888)
óleo sobre madeira, 24 x 32 cm
Narcisa Amália
Calmo, fundo, translúcido, amplo o lago
longe, trêmulo, trêmulo morria,
No seu límpido espelho a ramaria,
curva, de um bosque punha sombra e afago
Terra e céu, ondulando, eram na fria
tela fundidos! O queixume vago
que a água modula, de ambos parecia
solto, ululante, intérmino, pressago!
“Trecho vulgar de sítio abstruso e agreste”
talvez; mas todo o encanto que o reveste
sentisse; contemplasses-lhe a beleza;
comigo ouvisse-lhe a mudez, que fala,
e sorverias no frescor que o embala
todo o alento vital da Natureza!
(1872)
Do meu anúncio em jornal
gostei tanto quando li
que antes do prazo final
comprei tudo o que eu vendi.
(Abílio Kac)
Insônia
Joana Aslanian (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 73 x 91 cm
Insônia
Reynaldo Valinho Alvarez
A manhã se aproxima e é sempre duro
quando o sol rompe a treva e inunda o escuro
de um sono que nem mesmo aconteceu.
Sinto-me novo e inútil Prometeu
a quem bicam o fígado, melhor
dizendo a mente, e que aprendeu de cor
os caminhos da noite soluçados,
como vagidos, em jardins murados,
numa vigília que não se escolheu.
Ah, estradas da noite, ah, poços fundos,
sempre cheios de lodo, tão imundos
deste vazio amortalhado em breu.
Ah, pontes sem destino, cruel fadiga
do tempo debulhado como espiga.
Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.63
Glicínia em flor
Da série: Flores da Primavera
Yushi Osuga (Japão, 1946-1970)
xilogravura policromada
CHUVA DE PRIMAVERA
Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.
FESTA MÓVEL
Nós dois? – Não me lembro.
Quando era que a primavera
caía em setembro?
Neste mundo que nos cansa
tanta maldade se vê,
que a gente tem esperança
mas já nem sabe de quê…
(José Maria Machado de Araújo)