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Outono, ilustração de Hergé.
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Vem o outono as folhas caem,
sopra o vento devagar.
Ilusões nunca se esvaem
ficam no mesmo lugar.
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(Therezinha Radetic)
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Vem o outono as folhas caem,
sopra o vento devagar.
Ilusões nunca se esvaem
ficam no mesmo lugar.
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(Therezinha Radetic)
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Ribeiro Couto
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Sabor de antigamente, sabor de família.
Café que foi torrado em casa,
Que foi feito no fogão de casa, com lenha do mato de casa.
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Café para as visitas de cerimônia,
Café para as visitas de intimidade,
Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada,
para toda gente.
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Café para de manhã, para de tardinha, para de noite,
Café para todas as horas do riso ou da pena,
Café para as mãos leais e os corações abertos,
Café da franqueza inefável,
Riqueza de todos os lares pobres,
Na luz hospitaleira do Brasil.
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Em: Antologia Poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961.
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Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.
Obra
Poesia
O jardim das confidências (1921)
Poemetos de ternura e de melancolia (1924)
Um homem na multidão (1926)
Canções de amor (1930)
Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)
Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)
Correspondência de família (1933)
Província (1934)
Cancioneiro de Dom Afonso (1939)
Cancioneiro do ausente (1943)
Dia longo (1944)
Arc en ciel (1949)
Mal du pays (1949)
Rive etrangère (1951)
Entre mar e rio (1952)
Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)
Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)
Poesias reunidas (1960)
Longe (1961)
Prosa
A casa do gato cinzento, contos (1922)
O crime do estudante Batista, contos (1922)
A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)
Baianinha e outras mulheres, contos (1927)
Cabocla, romance (1931);
Espírito de São Paulo, crônicas (1932)
Clube das esposas enganadas, contos (1933)
Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)
Chão de França, viagem (1935)
Conversa inocente, crônicas (1935)
Prima Belinha, romance (1940)
Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)
Isaura (1944)
Uma noite de chuva e outros contos (1944)
Barro do município, crônicas (1956)
Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)
Sentimento lusitano, ensaio (1961)
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Ilustração Maurício de Sousa.–
Esperando, apaixonado,
antes que a Lua desponte,
o Sol pinta de dourado
as paredes do horizonte!!!
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(Izo Goldman)
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Lírios brancos
Chris Wilmshurst (Inglaterra, contemp.)
aquarela
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Olhai os lírios do campo,
e vede quanta brancura!…
No entanto, suas raízes
mergulham na terra escura!
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(Zulmiro Vieira)
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Nossa terra e a terra lusa,
Na doce língua que as liga,
São cordas nas mãos da musa,
Cantando a mesma cantiga.
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(Dorothy Jansson Moretti)
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João de Deus Souto Filho
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O trenzinho piui
Apita aqui e ali
Levando gente
Levando carga
Levando graça
Pro meio da praça
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O trenzinho piui
Apita aqui
E apita ali
Piui, piui,
Piuipiriripipi!!!
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Em: Jornal de Poesia
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João de Deus Souto Filho, Geólogo e educador. Nasceu em 1957 na cidade de Carolina, MA. É formado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, pós-graduado em Geo-Engenharia de Reservatórios de Petróleo pela UNICAMP (1994), Formado em Letras (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999). Desenvolve trabalho sobre a importância da formação de uma consciência de preservação dos recursos hídricos.
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Obras infantis:
O quintal do Seu Nicolau, 1992
O aprendiz de jardineiro, teatro, 1992
O passeio da Cinderela, teatro, 1992
Brincadeira de palavras, inédito
Na ponta da pena, inédito.
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O bom exemplo do pai
reflete sempre no filho;
e, pela vida, ele vai
seguindo no mesmo trilho!
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(Amélia Ferreira de Carvalho)
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Natureza Morta com livros
Judith Gibson ( Reino Unido, comtemporânea)
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Gualter Cruz
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Quando eu morrer te deixarei, irmão,
Os livros todos que eu em vida amei,
Livros que ao lê-los eu sorri, chorei,
Sentindo-me pulsar o coração!
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Queira guardar, irmão, este tesouro
Porque era tudo que na vida eu tinha,
O bem e o mal querer da minha vida,
A minha arca a transbordar de ouro!
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São folhas gastas, lidas e relidas,
Que sempre me falaram bem à alma
E me trouxeram, pouco a pouco, a calma,
Páginas belas, ricas, coloridas!
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Em cada autor eu tive um grande amigo,
Emoções belas, sentimentos novos.
Senti bater o coração dos povos
Como a este coração que está comigo!
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Quando eu morrer, irmão, tu nunca os venda,
Embora não os queira como eu quero,
Pois são no mundo aquilo que eu venero,
A mais formosa, a mais ditosa prenda!
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Tem pois, por eles, paternal cuidado,
E de uma mãe puríssima afeição;
Cuida bem deles, meu querido irmão,
Pois eles são o meu tesouro amado!
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Em cada livro ficará meu ser,
Com um suspiro eterno de saudade,
Que cortará sentido a eternidade
Quando eu deixar na terra de sofrer!
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E cada folha que rasgada for,
Qual um punhal o peito me ferindo,
Para minh’alma sofrimento infindo,
Reavivará no espaço a minha dor!
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Tem mui cuidado! Ó, não os rasgues, irmão!
E nem sequer os vendas , por favor!
Seria por demais a minha dor
Vê-los correr ao léu, de mão em mão!
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Quando leres, um dia, com carinho,
As mesmas linhas que eu em vida lia,
Grande no espaço, então, minha alegria,
E bem mais claro, pois, o meu caminho!
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Quero levar daqui mil esperanças!
Quero deixar nos livros que te dei,
Nas páginas que em vida tanto amei,
A mais rica, talvez, dentre as heranças!
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Em: Poesias completas, Gualter Cruz, Petrópolis, Editora do autor: 1983.
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Gualter Germano Chaves da Cruz (Petrópolis, RJ, 1921, Rio de Janeiro, RJ 1978)
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Rosas na caixa, cartão postal.–
Disfarça as falhas teimosas
fazendo o bem nos caminhos;
quando a roseira tem rosas
ninguém percebe os espinhos!
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(Pedro Ornellas)
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Murilo Araújo
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Mãe, estás vendo
estrelas voando?
Estrelas voando!
Que lindo, não?!
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São verdes… finas…
tão pequeninas!
São lamparinas
da escuridão.
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Vão nalgum jogo —
tão pequeninas! —
brincar com fogo
no céu, no chão?
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E vêm no escuro…
São anõezinhos,
anões vizinhos
em procissão,
que vêm no escuro
com as luzinhas
das lanterninhas
que têm, na mão?
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Os vagalumes!
Mas duas luzes
conheço, lindas
mais que eles são.
As duas luzes,
Mãe, são teus olhos…
Mãe — os teus olhos
têm mais clarão.
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Que têm teus olhos
que abrem, tão tenos,
dois céus eternos
no coração?!
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Em: Poemas Completos de Murillo Araújo, com introdução de Adonias Filho, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti: 1960, 3 volumes.
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Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito. Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta. Veio para o Rio de Janeiro em 1907 estudar no Colégio Pedro II. Membro do movimento modernista brasileiro.
Obras:
Poesia:
Carrilhões (1917)
A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)
Árias de muito longe (1921)
A cidade de ouro (1927)
A iluminação da vida (1927)
A estrela azul (1940)
As sete cores do céu (1941)
A escadaria acesa (1941)
O palhacinho quebrado (1952)
A luz perdida (1952)
O candelabro eterno (1955)
Prosa:
A arte do poeta (1944)
Ontem, ao luar (1951) — uma biografia de Catulo da Paixão Cearense
Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)
Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)