Adalgisa Nery, 1930
Ismael Nery (Brasil, 1900-1934)
[Marido da escritora]
óleo sobre tela

Largo_de_Nazareth, Belém, Pará
Joseph Léon Righini ( Itália – Brasil, 1820 -1884)
gravura
Raul Braga
Filha de terra estranha bem distante,
Transplantada a terras brasileiras,
Aqui enfeitas, verde e galante
Na beleza de todas as mangueiras.
Dás folha e sombra e flor alvissareiras
De uma quadra de vida confortante,
És pouso e lar das aves cantadeiras,
pela tardinha em último descante.
Mas, a maldade humana, sem limite,
Ao lenhador vai dando em apetites
Uma insânia de morte carniceira,
Até quando não mais existe um ninho
E, derradeiro, partir o passarinho,
Quando abatida a última mangueira.
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 333
O grupo de leitura Papalivros comemorou hoje vinte anos de existência. Nesse período muita coisa mudou. Já tivemos nascimentos de filhos, de netos, divórcios e casamentos. Falecimentos, três. Já fomos grandes: vinte e duas pessoas, Mas agora no limitamos a quinze, porque é difícil arranjar lugar para vinte pessoas. É difícil para quinze! Já nos encontramos nas nossas casas, e fora. Atualmente nos encontramos em restaurantes. Mesmo assim passamos um aperto para encontrar mesa para todas nós. Fomos um grupo que incluía homens e mulheres. Mas eles não aguentam… a gente fala muito! Foram até hoje 239 encontros e 239 livros lidos. Só não nos encontramos quando fiquei viúva, ano passado, na semana do nosso encontro. Querendo ver o que lemos nesses vinte anos, leitura sempre decidida por votação de uma série de livros sugeridos, visite a página do grupo aqui no blog.
AVISO: Não temos vaga no grupo. Se você quiser posso lhe dar o passo a passo para você formar um grupo de leitura. Mas não temos vagas para este grupo, nem para os dois outros grupos que gerencio: Ao pé da letra, Encontros na praça. Infelizmente não tenho como dar atenção a mais nenhuma pessoa ou grupo.
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Nas últimas semanas, março e abril, comecei a sair do meu ninho, voltando para uma vida mais normal. Marquei um encontro com Judy Botler, no dia 25 de março.Nossos livros, Cerejas de Maio de Judy Botler e À meia voz de minha autoria estão na Amazon e em livrarias no Rio de Janeiro. Recebi um volume do livro Cerejas de Maio, para doação à biblioteca da Usina de Arte, em PE para qual o Livro Errante está recolhendo livros novos.
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Sim, tiramos fotos juntos. Mas me dei ao luxo de não gostar de nenhuma das minhas. Ou estava desarrumada, ou mais acabada do que me acho, ou parecia com sono… eliminei TODAS…. Minha página, meu gosto!
Leitura silenciosa à sombra
George Goodwin Kilburne (GB, 1839-1924)
aquarela
O escritor brasileiro Nelson Rodrigues, arrancou todos os dentes aos vinte e um anos. Sofrendo de um febre insistente sem apresentar outros problemas, foi diagnosticado, erroneamente, que seus dentes lhe causavam essa condição febril que não cessava. Estavam errados. Depois de remover todos os dentes, descobriu-se com tuberculose. Nelson Rodrigues usou dentadura por toda vida.

O britânico George Gordon Byron (1788-1824), 6.º Barão Byron, ou Lord Byron, foi um dos mais influentes poetas ingleses. Além de sua associação ao romantismo, ganhou fama no folclores literário por suas múltiplas aventuras amorosas: aparentemente ninguém conseguia escapar de seus encantos. A primeira obra que o fez centro de atenções e ilibações literárias foi publicada em 1812, com o título Childe Harrod’s Pilgrimage [Peregrinação de Childe Harrod]. Nela Byron descreve, em poesia, a longa viagem que fez por países europeus e do Oriente Médio. A fama veio súbita, logo após a publicação só dos dois primeiros cantos. O sucesso foi tão rápido e completo que há registro de Byron ter exclamado “I awoke one morning and found myself famous” [Acordei uma manhã e me encontrei famoso] acentuando sua conhecida imodéstia. No entanto, além das escapadas amorosas e das publicações que agradaram ao público e à crítica, Byron cultivou a peculiaridade de viajar sempre, e viajou muito, com algumas dezenas de animais. Um exemplo, foi a viagem que fez a Veneza, quando levou dez cavalos, três macacos, três pavões, oito cachorros, cinco gatos, uma cegonha, um falcão, uma águia e um corvo.
Viaduto Santa Ifigênia
José Maria dos Reis Junior (Brasil, 1903-1985)
óleo sobre madeira, 20 x 18 cm
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Oswald de Andrade
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Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos aqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para São Paulo
Sem que veja a rua 15
E o progresso de São Paulo.
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p.18.
Como o sino que não soa,
como a lâmpada sem luz,
de que vale uma pessoa
que nada de útil produz?
(J. B. Mello e Souza)
A morte não é tristeza,
é fim… É destinação…
Tristeza é ficar na vida
depois que os sonhos se vão…
(Adelmar Tavares)
Cleonice Rainho
Nosso jardim é uma festa
de borboletas:
pequenas e grandes,
listradas,
amarelas e pretas
e uma pintadinha
que é uma graça.
Mas a azul, azulzinha,
a preferida,
é como se fosse
minha filhinha:
vi-a nascer da lagarta,
virou crisálida,
depois borboleta.
Quando voou
pela primeira vez
bati palmas: Vivô!!!
Voa e volta leve,
azul, azulzinha
e pousa num cacho
de rosas brancas
sua casinha.
Às vezes se ajeita,
mansinha,
tomando a forma
de um coração.
Seu corpo sedoso,
macio,
parece vestido
com pano do céu.