Ilustração italiana, Pierrô e Colombina
Triste vida a do Pierrô:
sofrer pela Colombina,
que, nos braços de Arlequim,
ri de sua triste sina!
(Paluma Filho)
Triste vida a do Pierrô:
sofrer pela Colombina,
que, nos braços de Arlequim,
ri de sua triste sina!
(Paluma Filho)
Ferreira Gullar
Ter medo da morte
é coisa dos vivos
o morto está livre
de tudo que é vida
Ter apego ao mundo
é coisa dos vivos
para o morto não há
(não houve)
raios rios risos
E ninguém vive a morte
quer morto quer vivo
mera noção que existe
só enquanto existo
Em: Muitas vozes: poemas, Ferreira Gullar, 3ª edição, Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p. 48

É introvertida, sua introspecção é profunda. Ela não se esconde, como dizem, por modéstia. Ela se esconde para poder entender o seu próprio segredo. O seu perfume é uma glória mas que exige da pessoa uma busca: seu perfume diz o que não se pode dizer. Um ramo de violetas equivale a “ama os outros como a ti mesmo”.
Em: De Natura Florum, Clarice Lispector, Ilustrações de Elena Odriozola, editado por Alejandro Schnetzer, São Paulo, Global: 2021.
Ladyce West
Pelo próprio nome é aumentativo.
É mais quente, mais intenso,
mais esperado, ensolarado,
letárgico, suado.
Prefiro o outono,
Excessos sempre me exaurem.
Em: À meia voz, Ladyce West, Rio de Janeiro, Autografia: 2020, p. 26
Hoje, 22-12-23, solstício de verão, é quando a estação mais quente do ano se inicia.
Papai Noel – o segredo
mais risonho da Esperança;
o mais bonito brinquedo
no sonho azul da criança.
(Durval Mendonça)
O escritor brasileiro, João Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão Veredas, apesar de formado em medicina, foi um diplomata. Passou no concurso para o Itamaraty, entrando para o serviço diplomático em 1934. Seu primeiro posto foi na Alemanha, em Hamburgo. Lá que conheceu, em 1937, sua futura esposa, Aracy Moebius de Carvalho, funcionária do consulado. Em1938, Guimarães Rosa tornou-se cônsul-adjunto, e trabalhou neste local por quatro anos. Quando o Brasil cortou relações com a Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, Guimarães Rosa foi preso em Baden-Baden. Ficou na cadeia pouco tempo, indo em seguida trabalhar como secretário na Embaixada do Brasil em Bogotá, onde permaneceu até 1944.
Durante sua estadia na Alemanha, através dos anos de guerra, ele e sua esposa deram abrigo e protegeram, por volta de cem judeus, para que escapassem das forças nazistas. Enquanto Guimarães Rosa era cônsul-adjunto, Aracy era responsável pela preparação dos documentos para emissão de vistos para o Brasil. Foi essa combinação que permitiu aos dois de assistirem aos judeus perseguidos pelo governo de Hitler. Quando o cônsul se ausentava, Guimarães Rosa assinava as permissões de entrada no Brasil. Por essa quebra das regras, ou seja leis antissemitas vigentes durante a ditadura de Getúlio Vargas e pela assistência dada aos judeus, principalmente a ajuda de Aracy: empréstimo de carro dela com chapa diplomática; distribuição de alimentos, para burlar o racionamento de comidas aos judeus, o Estado de Israel, em 1985, homenageou ambos com o nome de um bosque localizado nas encostas que dão acesso à cidade de Jerusalém.
Papai Noel, bom velhinho,
neste Natal, sob a lua…
procure meu sapatinho
sobre a janela da rua!…
(Adelir Machado)
A jovem e o cão
Pedro Lira (Chile,1845-1912)
óleo sobre tela
Nadar ou escrever? Houve um momento em que o escritor brasileiro Fernando Sabino (1923-2004) considerou esta escolha. Foi campeão de nado sul-americano, aos dezesseis anos, em 1939, nado de costas, tendo treinado no Minas Tênis Clube em Belo Horizonte. As forças da natação e da escrita lutavam pela atenção de Sabino simultaneamente, também em 1939, ficou em segundo lugar na Maratona Nacional de Português e Gramática Histórica, empatando com Hélio Pellegrino (1924-1988). Mas sua adolescência já formava o escritor que conhecemos, pois começou a publicar seus contos aos doze anos, a primeira publicação na revista Argus, publicação da polícia, onde cabia perfeitamente o conto policial que escreveu. E seu primeiro livro de contos, Os grilos não cantam mais (1941) que foi publicado Rio de Janeiro teve a contribuição de alguns contos escritos quando Sabino tinha quatorze anos. Ainda bem que escolheu a escrita!
Desde 2003, ou seja há vinte anos, o grupo de leitura Papalivros se encontra mensalmente para um papo e discussão do livro do mês. Hoje comemoramos nosso último encontro do ano. Conversamos, brincamos com as crianças, falamos sobre Noites Brancas de Dostoiévski, livro do mês, votamos nos três melhores livros do ano, e tivemos o prazer de estarmos envolvidas, como espectadoras, no acender da quarta vela da cerimônia de Chanucá, a festividade que comemora a vitória da luz contra a escuridão, a preservação do espírito de Israel e a liberdade religiosa. Não poderia ter sido um momento mais apropriado para nos lembrarmos desse significado. Foi uma reunião memorável. Algumas de nós estamos juntas desde o primeiro encontro. Envelhecemos juntas. Mas mesmo a mais recente participante está no grupo há muitos anos. Nem todas puderam vir hoje: de dezesseis, doze estavam presentes.
Houve muitos pontos altos nesta reunião. Entre eles, é claro, a votação dos melhores do ano. Aqui vão os candidatos, ou melhor, os 12 livros lidos durante o ano de 2023.

Lições, Ian McEwan
Ninféias negras, Michel Bussi
A tenda vermelha, Anita Diamant
O mistério de Henri Pick, David Foenkinos
Hotel Portofino, J. P. O’Connell
Orgulho e preconceito, Jane Austen
A última livraria de Londres, Madeline Martin
Uma mulher singular, Vivian Gornick
Caderno proibido, Alba de Cespedes
O sol também se levanta, Ernest Hemingway
Véspera, Carla Madeira
Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski
Como são computados os votos. Cada participante recebe um cédula com a lista dos livros livros. Ao lado do título colocará a classificação de acordo com seu gosto. Só os três primeiros colocados. Cada número 1 recebe 3 pontos; cada segundo lugar, recebe 2 pontos e 1 ponto os que ficaram em terceiro lugar. Ao final somamos os pontos e temos a classificação.
A última livraria de Londres, de Madeline Martin
Orgulho e preconceito, Jane Austen
Caderno Proibido, Alba de Céspedes e Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski