Trova dos olhos

7 06 2024

Não sei que mais me fascina,

que mais me traz entre abrolhos:

se os olhos dessa menina,

se as meninas desses olhos!

(Belmiro Braga)





Dia a dia…

3 06 2024




Retiro de escritores

25 05 2024




Flor, poema de Maria Dinorah

24 05 2024
Ilustração de Nellie Benson, 1910
 
 
Flor

 

Maria Dinorah

 

Menina das brancas asas,

dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,

quando passas pelas casas,

canta a rua e o céu sorri.

Tanto encanto há no seu jeito

feito de campo e açucena,

que as águas dançam no leito

enquanto a lua te acena.

Um anjo morre de inveja,

um astro morre de amor

ao ver-te cor de cereja,

tingindo o mundo de cor.

Menina, tão menininha,

nem sabes que és uma flor!





Dia a dia…

18 05 2024

ENCONTRO DE ESCRITORES –  Aqui estou eu, o poeta e letrista paulista José Mauro e a encantadora Aninha na porta Livraria Argumento, no Leblon, depois de um delicioso jantar no Café Severino.  Foi uma das noites mais agradáveis que passei nos últimos tempos, que espero poder repetir em breve.  José Mauro tem diversas letras de músicas em seu portfólio assim como alguns prêmios.





Trova do destino

16 05 2024
Ilustração, Clarence Coles Phillips (EUA, 1880-1927)

 

 

 

Ao beijar a tua mão,

que o destino não me deu,

tenho a estranha sensação

de estar roubando o que é meu.

 

(Durval Mendonça)





A Fazenda Santa Cruz, poesia de Olegário Mariano

13 05 2024

Entrada da fazenda, 1966

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

óleo sobre tela, 59 x 77cm

 

 

O Rio Grande do Sul está em todos os nossos pensamentos.  Dia sim. outro também.  Durante a semana passada, uns versos, que eu não sabia de quem, e que não sabia de onde vinham, vieram me visitar, memória é uma coisa chocante. 

Por muitos anos tive o hábito de anotar versos que lia e que achava bonitos.  Na adolescência certamente sem o cuidado que desenvolvi, ao longo dos anos, de anotar o autor, o livro etc.  A frase que me perseguiu foi “os rios são com certeza, o pranto da natureza.”  Bem, chegar à autoria de Olegário Mariano foi fácil.  Bastou abrir aspas, colocar a frase no Google, fechar aspas e procurar.  O problema foi achar a poesia….  Achei.  Tenho em casa a obra completa do poeta.  Mas são dois volumes…  Levei  um tempinho.  Aqui vai para vocês.

 

Acredito que o rio mencionado na poesia seja o Rio Saracuruna aqui no estado do Rio de Janeiro.  Já naquela época, antes de 1931, Mariano nos alertava sobre os maus tratos que este rio recebia.

 

 

 

A Fazenda Santa Cruz

 

Olegário Mariano (1889-1958)

 

 

Por entre a folhagem verde

Que pelas brenhas se perde,

No coração da Fazenda

Dorme a casa de vivenda.

 

Um pátio largo defronte,

Ao fundo azul — o horizonte

A crepitar, esbraseado,

Num crepúsculo doirado.

 

A mata pesada, imensa,

Parece que sonha ou pensa…

Catedral verde que encerra

O culto simples da terra.

 

Abre-se um rio de prata

E, num fragor de cascata,

Borbulha de duna em duna…

É o rio Saracuruna.

 

À tona um enxame treme

Se equilibra e vibra e freme,

E às vezes se desmorona

Como uma coluna, à tona…

 

Umas partem, outras voltam,

As asas doiradas soltam

Em nervosas tarantelas,

Brancas, verdes amarelas.

 

Bate a porteira da entrada.

Sonolenta entra a boiada:

— Pintado!  Moreno!  Audaz!

And à frente, meu rapaz!

 

Um deles, o mais tristonho,

Que é pesado como um sonho,

Olhando o campo tão lindo,

Vai passando, vai mugindo…

 

Entre árvores surge a lua,

Branca e inteiramente nua,

Mostrando, em suaves coleios,

O tronco, os braços, os seios…

 

Sobe e do alto descampado

Espalha um véu de noivado

Com cintilações estranhas

Pela encosta das montanhas…

 

Depois desce ao rio, e o rio

Que rola sereno e frio,

Se enrosca num frenesi:

— Beija-me as águas, Iaci!

 

O Saracuruna sonha…

Na marcha lenta e tristonha,

O rio lembra um vivente

Porque chora, porque sente.

 

Vai sinuoso… Entra a devesa

Levando na correnteza

Troncos, arbustos e ninhos

Que encontrou pelos caminhos.

 

E perde-se longe…  Agora

Nem sinal da água que chora…

 

Os rios são, com certeza,

O pranto da natureza.

 

 

Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 1 (1911-1931), pp. 90-92.





Dia das Mães está chegando!

3 05 2024




Trova da minha terra

2 05 2024
Ilustração, Lívia, 1980

 

 

 

 

Quando revi, monte a monte,

os campos de minha terra,

parece que a alma da fonte

cantava no altar da serra.

 

(José Lucas de Barros)





Trova dos pirilampos

23 04 2024
Vagalumes na noite, ilustração anônima.

 

 

É Deus que à noite dispersa

o bando dos pirilampos,

taquigrafando a conversa

que há entre as flores, nos campos.

 

(Balthazar de Godoy Moreira)