Pintura pré-histórica da Caverna das Mãos na Patagônia, Argentina.
Se o plural de pão é pães
por que das mãos que se tem
não se diz “são duas mães”
direita e esquerda também?
(Paulo Amorim Cardoso)
Pintura pré-histórica da Caverna das Mãos na Patagônia, Argentina.
Se o plural de pão é pães
por que das mãos que se tem
não se diz “são duas mães”
direita e esquerda também?
(Paulo Amorim Cardoso)
Santo Antônio de Pádua, 1941*
Cândido Portinari, ( SP, 1903 – RJ, 1962)
Pintura mural à têmpera – 180 x 75 cm
Casa de Portiinari, Brodowski, SP
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NOTA: Uma amiga da peregrina mandou a seguinte informação depois de visitar Brodowski, terra natal de Cândido Portinari sobre a tela que ilustra a poesia abaixo. Em suas palavras: “A guia nos contou que Portinari pintou Santo Antônio como pagamento por uma promessa feita, quando seu filho se encontrava muito doente. O quadro foi doado à pequena igreja da praça, em frente à casa dos Portinari, com a promessa de que nunca seria retirado da igreja (e nem vendido)”. Achei essa informação muito interessante e passo para vocês. Obrigada, Marilda.
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Chegamos ao dia 30 de junho e não postei nada, absolutamente nada, sobre as festas juninas. Que vergonha! Gosto muito delas. Principalmente daquelas mais singelas, de cidade do interior, sem lantejoulas nem paetês, sem competição de grupos de quadrilhas, sem essa grandiosidade de escola de samba que anda invadindo as comemorações de época. Gostava mais quando essas festas estavam mais relacionadas ao fim da época da colheita e ao início de um inverno abarrotado com os produtos da terra. Mas este ano não me lembrei de postar coisa alguma para a época. Portanto, acabo o mês, tocando vagamente no assunto, com uma poesia do poeta paulista Walter Nieble de Freitas, que de relacionamento com as festas juninas só tem mesmo o santo… Divirtam-se:
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Walter Nieble de Freitas
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Para comprar uma imagem
De Santo Antônio, um caipira
Entra na loja de um árabe,
É atendido e se retira.
Leva o precioso objeto,
Muito contente e feliz,
Sem saber que o esperto sírio
Lhe vendera um São Luiz.
Dali dirige-se ao templo
E ao padre, diz comovido:
Aqui trago um Santo Antônio
Para que seja benzido.
— Santo Antônio, explica o padre,
Traz consigo uma criança;
O que você trouxe é a imagem
De São Luiz, o rei de França.
Desapontado, o caboclo
Dispara feito uma bala;
Entra na loja do árabe
E deste modo lhe fala:
— O senhor é um mentiroso
Que nunca sabe o que diz.
Em lugar de Santo Antônio
Me vendeu um São Luiz!
Nunca mais queira fazer
Seus fregueses de palhaços:
Santo Antônio sempre teve
Uma criança nos braços!
— Eu sei disso exclama o sírio,
Muito seguro e matreiro:
Você levou Santo Antônio
Quando ainda era solteiro!
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Em: Poetas Paulistas: antologia, ed. Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968.
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Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP) Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.
Obras:
Barquinhos de papel, poesia, 1963
Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966
Desfile de modas na Bicholândia, 1988
Simplicidade, poesia, s/d
Chico Vagabundo e outras histórias, 1990
Moça no trigal, 1913
Eliseu Visconti ( 1866-1944 )
Óleo sobre tela, 65 x 80 cm
Como postei no dia 3 de maio estou elaborando algumas notas sobre as excelentes informações do Professor Vanderlei Vicente sobre os 5 livros do romantismo necessários para o vestibular, publicado no Portal Terra. Meu objetivo é ajudar aqueles que precisam destas leituras: não só a entenderem um pouquinho mais do romantismo no Brasil, mas conseguirem se lembrar de alguns detalhes das obras mencionadas. O artigo original estará sempre em itálico azul.
A Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães – “Este romance apresenta a trajetória de Isaura, escrava paradoxalmente clara que é perseguida por seu senhor, Leôncio. Após fugir para o Nordeste, Isaura conhece e apaixona-se por Álvaro. O desfecho do romance é mais que feliz: Álvaro liberta Isaura das mãos de Leôncio ao pagar dívidas deste e tomar-lhe os bens. Vale lembrar que a obra obteve importância em sua trajetória por tratar de um tema polêmico para a época: a escravidão”.
Até hoje, este é um dos romances favoritos do público brasileiro. Seu sucesso atual não surpreenderia aqueles que testemunharam em 1875 a estrondosa reação do público leitor que se encontrava cada vez mais familiarizado com romances de aventuras num cenário brasileiro.
Solar do Barão de Carapebus, construído em 1846 em Campos dos Goitacazes. Esta construção seria do tipo de fazenda em Campos, retratado no romance de Bernardo Guimarães.
A história se passa numa grande fazenda fluminense na cidade de Campos dos Goitacazes. O romance aparece quatro anos depois da Lei do Ventre Livre. A escravidão serve mais como impedimento no desenvolvimento do romance, do que como assunto a ser abordado contra ou a favor. Bernardo Guimarães, joga com a aceitação da mulher de pele clara, como demonstração do preconceito de raça. Enquanto que a escravidão simplesmente existe. Há algumas poucas falas de estudantes abolicionistas, mas não são mais do que um aceno, uma batida na aba do chapéu, que Bernardo Guimarães dá ao movimento abolicionista. A divisão da sociedade, a mostra da irracionalidade da escravidão, estão centradas na cor da pele da escrava. Bernardo Guimarães remove a máscara da sociedade brasileira e mostra a falsidade de seus preconceitos. Realça a fragilidade e a dualidade da posição pró-escravidão, numa sociedade que já se caracterizava como miscigenada.
Há, no entanto, uma grande novidade: os cenários do romance não são estáticos. O leitor correrá o Brasil seguindo o caminho de Isaura, o romance começa na cidade de Campos dos Goitacazes, mas sua linha de ação se move, do Estado do Rio de Janeiro para Recife, no estado de Pernambuco.
Recife em 1890, rua Vitória, com bonde puxado a uma parelha de burros.
Bernardo Guimarães é um escritor da chamada segunda geração do Romantismo, e se olharmos com cuidado os textos de seus livros, encontraremos um pendor por algumas características que viriam a aparecer nos escritores do movimento realista, principalmente no retrato da miscigenação da sociedade brasileira e também no retrato do homem e dos costumes sertanejos.
Também é um escritor com um grande número de anedotas associadas à sua vida. A maioria das quais puras inverdades mas que serviam para acentuar algumas de suas mais famosas características e o peculiar de modo de encarar a vida. Reproduzo aqui duas anedotas encontradas num artigo de Armelim Guimarães, neto do escritor.
1 – Em 1925, nas suas “Memórias de João Barriga”, José Avelino registrava este caso, de quando era o poeta professor no liceu de Ouro Preto:
“Examinador, a todos aprovava. Conta-se que, numa feita, um bicho [estudante calouro] estava tão cru em noções de Cosmografia que a reprovação seria inevitável no exame oral. Dois examinadores deram logo nota má, e Bernardo deu ótima. Perguntou-lhe um colega:
– Por que deu ótima, doutor, a um examinando que não soube o ponto?
— Porque eu também não sei.”
2 – … vale lembrar um fato contado por Sousa Ataíde:
“Descia o poeta, certa vez, a rua de sua casa, em companhia de dois amigos, quanto, passando por eles três ou quatro pessoas que caminhavam em sentido contrário, uma delas perguntou-lhe:
– Saberá o cavalheiro informar-me onde mora o escritor Bernardo Guimarães?
“Eram pessoas que desejavam visitá-lo, e que ainda não conheciam. Bernardo, tranqüilamente, apontou a sua residência, e deu prontamente a informação pedida:
— É ali, naquele sobrado, ao alto.
“E continuou a descer imperturbavelmente a ladeira. O Bretas espantou-se:
— Que é isso, homem! Eles querem te conhecer!
— Perguntaram-me onde eu moro. Dei, acaso, informação errada?, respondeu o poeta.”
E ao que tudo indica, histórias engraçadas e anedotas diversas são até hoje contadas em Minas Gerias sobre este bem amado escritor mineiro.
***
A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, já se encontra em domínio público. Para lê-lo, clique AQUI.
Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (Ouro Preto, MG, 15/8/1825 – Ouro Preto, MG, 10/3/1884). Advogado, juiz, professor, escritor, jornalista, contista e poeta. Bernardo Guimarães é o patrono da Cadeira N.º 5 da Academia Brasileira de Letras.
Obras:
Cantos da Solidão, poesia, 1852
Poesias, 1865
O Ermitão do Muquém, romance, 1871
Lendas e Romances, novelas, 1871
O Garimpeiro, romance, 1872
O Seminarista, romance, 1872
Histórias e tradições de Minas Gerais, 1872
O índio Afonso, romance, 1873
A Escrava Isaura, romance, 1875
Novas Poesias, 1876
Maurício, romance, 1877
A Ilha Maldita, romance, 1879
O Pão de Ouro, romance, 1879
Rosaura, a Enjeitada, romance, 1883
Fôlhas de Outono, poesia, 1883
O Bandido do Rio das Mortes, poesia, póstuma, 1905
O Elixir do Pajé, poesias eróticas, s/d impresso às escondidas, raríssimo.
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Eliseu D’Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832 – 1903) e Estêvão Silva (ca.1844 – 1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 – 1915), Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Henrique Bernardelli (1858 – 1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849 – 1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Visconti volta a freqüentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na [i]École Nationale et Spéciale[/i] des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na [i]École Guérin[/i], com Eugène Samuel Grasset (ca.1841 – 1917), um dos introdutores do Art Nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599 – 1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do Art Nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.
A lua branca passava,
Pelo céu devagarinho
E no mar a onda olhava
A lua no seu caminho.
(Maria Dulce Prado Carvalho Rosas)
Pantera cor-de-rosa. Ilustração Freleng e DePatiee.
O Menor Esforço
Guiuseppe Artidoro Ghiaroni
Ferreiro e filho de ferreiro,
um dia visitei meu vizinho carpinteiro.
E ao ver quanto a madeira era macia
em relação ao ferro que eu batia,
deixei de ser ferreiro.
Tornei-me carpinteiro e, vendo o oleiro
modelando o seu barro molemente,
cobicei seu oficio de indolente
e larguei meu formão de carpinteiro.
Mas fui depois a casa do barbeiro,
que alisava uns cabelos de menina.
E achando aquela profissão mais fina,
deixei de ser oleiro.
Um dia, em minha casa de barbeiro
entrou um poeta de cabelo ao vento.
E ao ver quanto era livre e sobranceiro,
troquei minha navalha e meu dinheiro
por sua profissão de encantamento…
Meu Deus! Por que deixei de ser ferreiro ?
—
Giuseppe Artidoro Ghiaroni — Nasceu em Paraíba Do Sul, (RJ), no dia 22 de fevereiro de 1919. Jornalista, poeta, redator e tradutor; Depois de ter sido ferreiro, “office-boy” e caixeiro, passou a redator do “Suplemento juvenil ” iniciando-se assim no jornalismo de onde passou para o Rádio distinguindo-se como cronista e novelista. Faleceu em 2008 aos 89 anos.
Obras:
O Dia da Existência, 1941
A Graça de Deus, 1945
Canção do Vagabundo, 1948
A Máquina de Escrever, 1997
Neste mês de junho completamos um ano de postagens na Peregrina Cultural. Eu não poderia ter advinhado que teria tanto material para postar e que houvesse tanta gente que se agradasse com isso, pessoas muito especiais que me dão o maior incentivo… Foi uma grande surpresa o carinho de todos e também conseguir fazer amigos virtuais. Quem diria que as minhas preocupações culturais fossem populares? Num dia normal, este blog recebe de 1700 a 2100 visitas. Acho fenomenal! So posso agradecer: Muito obrigada!
Junto a esta comemoração, chegou este mês para mim, uma outra publicação, não-virtual, também especial: o livro, Contos do Livro Errante, uma coletânea dos contos premiados no concurso de contos da Comunidade do Livro Errante no ORKUT em 2008. Um de meus contos recebeu Menção Honrosa, e saiu publicado no livro ao lado dos contos vencedores.
Como anteriormente tive um poema que também recebeu menção honrosa, no concurso de poesias sobre o meio ambiente, patrocinado pela revista cultural carioca: Bafafá, em 2006, e considerando pedidos do meu cara-metade para que eu deixasse de ser tão tímida a respeito do que escrevo, hoje, faço a postagem do conto premiado. Mais tarde farei a postagem do poema. Nunca me considerei primeiramente uma escritora e muito menos uma poeta. Mas, vez por outra, confesso, sentir urgência de colocar no papel uma ou outra idéia. Agradeço desde já a todos que se dispuserem a “dar uma olhadinha”.

Ilustração: Cartão postal [Alemanha], 1929.
Quem julga ser importante
nem sempre importância tem;
e além de deselegante,
é presunçoso também.
(Lucina Long)
Ilustração de Maurício de Sousa.
Cão
Alexandre O’Neill
Cão passageiro, cão estrito
Cão rasteiro cor de luva amarela,
Apara-lápis, fraldiqueiro,
Cão liquefeito, cão estafado
Cão de gravata pendente,
Cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
Cão ululante, cão coruscante,
Cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão ali, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal de poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção,
cão pré-fabricado,
cão espelho, cão cinzeiro, cão botija,
cão de olhos que afligem,
cão problema…
Sai depressa, ó cão, deste poema!
Em: Abandono Vigiado, Lisboa, Guimarães: 1960
—
Alexandre O’Neill – (Portugal 1924-1986) poeta português. Frequentou a Escola Náutica (Curso de Pilotagem), trabalhou na Previdência, no ramo dos seguros, nas bibliotecas itinerantes da Fundação Gulbenkian, e foi técnico de publicidade. Durante algum tempo, publicou uma crônica semanal no Diário de Lisboa.
Obras:
Tempo de Fantasmas, poesia, 1951
No Reino da Dinamarca, poesia, 1958
Abandono Vigiado, poesia, 1960
Poemas com Endereço, poesia, 1962
Feira Cabisbaixa, poesia, 1965
De Ombro na Ombreira, poesia, 1969
Entre a Cortina e a Vidraça, poesia, 1972
A Saca de Orelhas, poesia, 1979
As Horas Já de Números Vestidas, poeisa, 1981
Dezenove Poemas, poesia, 1983
O Princípio da Utopia, poesia, 1986
Poesias Completas, 1951-1983, 1984
As Andorinhas não têm restaurante, prosa, 1970
Uma Coisa em Forma de Assim, crônicas, 1980
Ilustração: Maurício de Sousa.
Na solidão da carteira
O aluno vadio cola
Pensando que a vida inteira
Viverá dessa “esmola”.
(J. Eloy Santos)
O pássaro azul
Wilson W Rodrigues
— Quem quer comprar o pássaro azul?
— O pássaro azul! repetiram os meninos.
— Quer-me vender? Dou todos os meus brinquedos.
O moleque vendeu.
O menino rico levou a gaiola com o pássaro. De tarde, o tio do menino foi visitá-lo, e ficou tão encantado com o pássaro que propôs:
— Em troca do pássaro azul eu lhe dou um automóvel.
O menino rico aceitou.
Mal o tio levou o pássaro para casa, chegou um amigo banqueiro:
— O pássaro azul… o pássaro da felicidade.
O banqueiro desafiou:
— Vamos disputá-lo num jogo de cartas?
O tio, que estava convencido que aquele era o pássaro azul da felicidade, aceitou. E perdeu.
O banqueiro levou o pássaro azul para o palácio.
— Coloquem-no em uma gaiola de ouro… é o pássaro da felicidade.
Um criado, sabendo que aquele pássaro trazia a felicidade, roubou-o e deu-o de presente a sua noiva:
— É o pássaro da felicidade.
— Vou botá-lo no viveiro do jardim.
Botou.
Um moleque que estava com outros em cima do muro, reconheceu:
— Lá está o meu pássaro azul.
— È ele mesmo.
— Ainda está pintado de azul. A cor não desapareceu.
E o pássaro vendo o lagozinho jogou-se n’água, tomou um banho… e a cor desapareceu.
Quando a moça voltou com o alpiste, ficou espantada:
— Cadê o meu pássaro azul da felicidade?
***
Em: Contos dos caminhos, Wilson W. Rodrigues, s/d, Estado da Guanabara [RJ]:Torre Editora.
Wilson Woodrow Rodrigues — poeta, folclorista, jornalista, professor e técnico de educação. Nasceu em 6 de julho de 1916, na cidade de São Salvador, Bahia. Filho do Cel. Julio Rodrigues de Sousa e de D. Josina Parente Rodrigues, família do Recôncavo Baiano. Desde menino revelou vocação para a poesia, tendo publicado as suas primeiras composições em periódicos escolares. Seu primeiro livro publicado teve as bençãos antecipadas do poeta Jorge de Lima.
Obras:
A caveirinha do preá, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro
O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro
O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Bahia flor, 1948 (poesias)
Folclore Coreográfico do Brasil, 1953
Contos, s/d
Contos do Rei-sol, s/d
Contos dos caminhos, s/d
Pai João, 1952
Sombra de Deus
Pai João, 1952
Lendas do Brasil