As virtudes, poesia de Alphonsus de Guimaraens

7 08 2015

 

3 girlsTrês meninas, autoria desconhecida.

 

As virtudes

 

Alphonsus de Guimaraens

 

 

São três irmãs, são três flores,

feitas de raios de luz.

Plantou-as, entre fulgores,

a mão santa de Jesus.

 

Uma é a Fé, outra, a Esperança,

vem a Caridade após…

Feliz de quem as alcança!

Vivem sempre junto a nós.

 

São belas como princesas.

A Caridade  é talvez,

neste mundo de incertezas,

a mais formosa das três.

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 62-3





“As moedas caídas do céu”, conto infantil das Histórias do Arco da Velha

4 08 2015

 

7af64c476092e9afb5e62d2fbe52a602Cartão de Natal, década de 1950.

 

As moedas caídas do céu

 

Conceição era uma pobre mas interessante menina, cujos pais haviam morrido. Era tão pobre, que não tinha nem um quarto, nem cama para se deitar; não possuía senão os vestidos que tinha sobre o corpo e um pequeno pedaço de pão que uma alma caridosa lhe havia dado; era, porém, boa e piedosa.

Como se achava abandonada de todo o mundo, pôs-se em viagem, confiando-se à guarda do bom Deus.

No caminho encontrou um pobre homem, que lhe disse:

— Ai de mim! Tenho muita fome! Dai-me um pouco de comer.

A menina deu-lhe o pai, dizendo:

— Deus te auxilie. — e continuou a caminhar.

Depois encontrou um menino que chorava, dizendo:

— Tenho frio, dai-me alguma coisa para cobrir-me.

Ela tirou o gorro e deu-lho.

Mais tarde ainda viu outro que estava trânsido de frio por falta de uma camisola, e deu-lhe a sua. Finalmente, um último pediu-lhe a saia, que ela deu também.

Caindo a noite, chegou a um bosque pedindo-lhe a camisa outro menino. A piedosa menina pensou:

— É noite escura, ninguém me verá. Posso bem dar-lhe a minha camisa. E deu-lha.

Assim nada mais possuía no mundo. Mas no mesmo instante as estrelas do céu puseram-se a cair e no chão elas se transformaram em belas moedas reluzentes. E embora ela tivesse tirado a camisa, tinha uma completamente nova, do mais fino tecido. Ela apanhou o dinheiro e ficou rica para o resto de sua vida.

 

 

Em: Histórias do Arco da Velha — Livro para crianças, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Quaresma: 1947,pp: 91-92.





Pescaria, história para crianças de Wilson W. Rodrigues

2 06 2015

 

menina na rede, willcox smithMenina na rede, ilustração de Jessie Willcox Smith.

 

 

Pescaria

Wilson W. Rodrigues

 

 

— Sai daí moleque, deixa eu arrumar a rede para Sinhazinha.

Pai João menino afastou-se da mucama e veio para a escada da varanda onde, sentado num dos degraus, Coco Velho preparava o cigarro de palha.

O moleque indagou:

— Por que Sinhazinha gosta tanto de ficar deitada na rede?

Coco Velho sorriu, deu uma baforada e explicou:

— Óia, menino, a vida tem duas redes. Uma pra pescar peixe…

— E a outra para dormir, não é Coco Velho?

— Não, moleque. A outra é pra pescar sonho.

 

 

Em: Pai João menino, Wilson W. Rodrigues, Coleção Mãe Maria, vol. 2, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949, p.71





Quadrinha do pescador

12 05 2015

 

???????????????????????????????Bolinha e os meninos vão pescar.

 

Bem cedinho, o pescador,

No rio, foi apanhar

Esse peixe apetitoso

Que eu vou comer no jantar.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965

 





Fantasias, conto infantil de Wilson W. Rodrigues

12 05 2015

 

 

ursinho equilibrista

 

Fantasias

 

Os dois Ursos haviam se convertido na atração máxima do grande baile de Carnaval do Teatro Municipal.

Um deles, entre risos dos foliões, acabara, havia pouco, com todas as frutas que ornamentavam as mesas, devorara um enorme peixe e a mais volumosa bandeja de salada russa. Nem por isso parecia saciado, pois se atirara à geleia e ao creme com a volúpia de um menino. Bebeu dúzias e dúzias de cervejas geladinhas; comeu dezenas de camarões recheados, coxinhas de galinha, ovos, uma quantidade assombrosa de comida e doces sem conta.

Perto da meia-noite, os alto-falantes convocaram os foliões para o famoso desfile do Concurso de Fantasias.

Todos aplaudiram:

— Os Ursos! Os Ursos!

O primeiro deles levantou-se e apontou a passarela:

— Vamos, seremos os Reis do Baile.

— Eu não, resmungou o outro.

— Não vai participar do desfile?

— Não.

— Sem você … que será de mim?

E numa confissão melancólica:

— Um casal de Ursos não é a mesma coisa que um Urso solitário. Perderei o prêmio.

— Não vou, nem devo ir… já é muito tarde.

— Mas a festa mal começou!

— Por isso mesmo, não quero estragar a alegria de ninguém. À meia noite, todos terão de arrancar as máscaras.

— E que tem isso?

— Acontece que eu não uso máscara. Eu sou um Urso mesmo.

 

***

Em:Contos dos caminhos, Wilson W. Rodrigues, Torre Editora, Estado da Guanabara, s/d, pp: 31-34





As doces rosas-dos-ventos, poesia de Stella Leonardos

1 05 2015

 

 

vendedor-de-cataventos, sérgio bastosVendedor de cataventos, Sérgio Bastos.

 

 

As doces rosas-dos-ventos

 

Stella Leonardos

 

 

— Onde estás, vendedor de pirulitos,

Fazedor das ventoinhas de papel?

Daqueles cataventos tão bonitos?

Daquelas gostosuras cor de mel?

Tu que adoças as ruas com teus gritos

E que marcas os ventos nas calçadas:

Me dá de novo os sonhos infinitos

Das tuas rosas que são quase aladas!

— Queres minhas ventoinhas? Há-de tê-las.

Criança grande! Por que te agradam tanto?

— Não são ventoinhas: são almas de estrelas

De um céu ingênuo que foi céu de encanto.

 

 

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.79





O cisne, poema de Geir Campos

6 02 2015

cisnes brancos, alice haversCisnes Brancos

Alice Havers (Inglaterra, 1850-1890)

O Cisne

Geir Campos

Pluma e silêncio, vinha pela vida

aceita com resignação, conquanto

talvez em hora alguma pretendida.

Pressente no ar o aviso da partida

— urge tentar o eterno: um voo, um canto,

um gesto nunca ousado, alguma prece…

Canta, e se vai. O canto permanece.

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, selecionado por Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961,p. 86.

 

 

 

 

 

 

 

 

 





Precisa-se de uma bola de cristal, poesia de Roseana Murray

10 01 2015

 

waterhouse_the_crystal_ball_skullA bola de cristal, 1902

John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

Precisa-se de uma bola de cristal

que mostre um futuro grávido de paz:

que a paz brilhe no escuro

com o brilho especial que algumas

palavras possuem

mas que seja mais do que a palavra,

mais do que promessa:

seja como uma chuva que sacia  a sede da terra.

 

 

Em: Classificados Poéticos, Roseana Murray, Belo Horizonte, Miguilim:1984, 17ª edição, p. 38





O grilo, poesia infantil de Almir Correia

7 11 2014

 

 

insetosIlustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.

 

O Grilo

 

Almir Correia

 

O grilo

gritou no saco

gritou no papo

do sapo

gritou no poço

gritou na cara do moço

gritou no mato

gritou no

sa

………..pato.

 

E de repente

pra espanto da gente

não gritou mais.





Campestre, poesia de Zalina Rolim

28 10 2014

Aldo Bonadei - Paisagem - Óleo sobre placa - 1964 - 29 x 39 cmPaisagem, 1964

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

óleo sobre placa, 29 x 39 cm

 

Campestre

Zalina Rolim

Longe da estrada, à beira do riacho

que molha os pés revoltos da colina,

vejo-lhe o teto enegrecido e baixo

e a cancelinha baixa e pequenina.

Da chaminé desprende-se um penacho

de fumo branco… Levemente inclina

as verdes palmas sobre o louro cacho,

do coqueiro frondoso, a aragem fina…

Faísca o sol. Do terreirinho à frente

galinhas, patos, debicando o milho,

batem as asas preguiçosamente.

Nenhum rumor de pássaros palpita,

e a roceirinha, adormecendo o filho,

canta lá dentro uma canção bonita.

Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949, pp, 73-4