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Ilustração Maurício de Sousa.
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A maneira mais segura,
De a gente enriquecer
É procurar nos bons livros
O tesouro do saber.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Ilustração Maurício de Sousa.–
A maneira mais segura,
De a gente enriquecer
É procurar nos bons livros
O tesouro do saber.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Monteiro Lobato
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Tomavam sol à beira dum brejo uma rã e uma saracura. Nisto chegou um boi, que vinha para o bebedouro.
— Quer ver — disse a rã — como fico do tamanho deste animal?
— Impossível, rãzinha. Cada qual como Deus o fez.
— Pois olha lá! — retorquiu a rã estufando-se toda. Não estou “quase” igual a ele?
— Capaz! Falta muito amiga.
A rã estufou-se mais um bocado.
— E agora?
— Longe ainda!…
A rã faz novo esforço.
— E agora?
— Que esperança!…
A rã, concentrando todas as forças, engoliu mais ar e foi-se estufando, estufando, até que PLAF! Rebentou como um balãozinho de elástico.
O boi que tinha acabado de beber lançou um olhar de filósofo sobre a rã moribunda e disse:
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Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.
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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948). Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.
Obras:
A Barca de Gleyre, 1944
A Caçada da Onça, 1924
A ceia dos acusados, 1936
A Chave do Tamanho, 1942
A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955
A Epopéia Americana, 1940
A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924
Alice no País do Espelho, 1933
América, 1932
Aritmética da Emília, 1935
As caçadas de Pedrinho, 1933
Aventuras de Hans Staden, 1927
Caçada da Onça, 1925
Cidades Mortas, 1919
Contos Leves, 1935
Contos Pesados, 1940
Conversa entre Amigos, 1986
D. Quixote das crianças, 1936
Emília no País da Gramática, 1934
Escândalo do Petróleo, 1936
Fábulas, 1922
Fábulas de Narizinho, 1923
Ferro, 1931
Filosofia da vida, 1937
Formação da mentalidade, 1940
Geografia de Dona Benta, 1935
História da civilização, 1946
História da filosofia, 1935
História da literatura mundial, 1941
História das Invenções, 1935
História do Mundo para crianças, 1933
Histórias de Tia Nastácia, 1937
How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926
Idéias de Jeca Tatu, 1919
Jeca-Tatuzinho, 1925
Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921
Memórias de Emília, 1936
Mister Slang e o Brasil, 1927
Mundo da Lua, 1923
Na Antevéspera, 1933
Narizinho Arrebitado, 1923
Negrinha, 1920
Novas Reinações de Narizinho, 1933
O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926
O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930
O livro da jangal, 1941
O Macaco que Se Fez Homem, 1923
O Marquês de Rabicó, 1922
O Minotauro, 1939
O pequeno César, 1935
O Picapau Amarelo, 1939
O pó de pirlimpimpim, 1931
O Poço do Visconde, 1937
O presidente negro, 1926
O Saci, 1918
Onda Verde, 1923
Os Doze Trabalhos de Hércules, 1944
Os grandes pensadores, 1939
Os Negros, 1924
Prefácios e Entrevistas, 1946
Problema Vital, 1918
Reforma da Natureza, 1941
Reinações de Narizinho, 1931
Serões de Dona Benta, 1937
Urupês, 1918
Viagem ao Céu, 1932
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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC. Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC. Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada. Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.
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Bernard Salomon — Foi um pintor, desenhista e gravador francês. Nasceu por volta de 1508 em Lyon e faleceu próximo a 1561. Foi um grande ilustrador, seus trabalho ulusttrando Fábulas de Esopo, em 1551; Histórias ilustradas da Bíblia, em 1553, 1555; Ilustrações do Novo Testamento, em 1556; Metamorfose de Ovídio, em 1557, tornaram-se padrões para ilustrações posteriores não só na França mas em toda a Europa.
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O tropeiro na escadinha de São Chico de Baixo, década de 1980
Alberto Braga (Brasil, ?-?)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm
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B. Lopes
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Recordo: um lago verde e uma igrejinha,
Um sino, um rio, um pontilhão, e um carro
De três juntas bovinas que ia e vinha
Rinchando alegre, carregando barro.
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Havia a escola, que era azul e tinha
Um mestre mau, de assustador pigarro…
(Meu Deus! que é isto? que emoção a minha
Quando essas cousas tão singelas narro?)
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Seu Alexandre um bom velhinho rico
Que hospedara a Princesa; o tico-tico
Que me acordava de manhã, e a serra…
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Com o seu nome de amor Boa Esperança,
Eis tudo quanto guardo na lembrança
Da minha pobre e pequenina terra!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968.
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Bernardino da Costa Lopes, pseudônimo B. Lopes (Rio Bonito, RJ, 1859 — RJ,1916) foi um poeta brasileiro de diferentes tendências literárias na passagem do século XIX ao XX. Nasceu em Boa Esperança, município de Rio Bonito, na província do Rio de Janeiro a 19 de janeiro de 1859. Vindo de família pobre, iniciou sua vida como caixeiro e após muitos sacrifícios conseguiu estudar no campo das humanidades. No Rio de Janeiro tomou a profissão de jornalista. Foi funcionário do Correio Geral. Membro da boemia intelectual carioca foi um poeta de transição do fim do romantismo. Ficou muito conhecido pelos seus sonetos parnasianos. Tem grande afinidade com os simbolistas.
Obras:
Cromos (1881) – 2ª Edição 1896
Pizzicatos – “Comédia Elegante” (1886)
D. Carmen, (1894)
Brasões (1895)
Sinhá Flor (1899)
Val de Lírios (1900)
Helenos (1901)
Plumário (1905)
Poesias Completas (1945)
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Um rapaz rico e solteiro desejava casar-se e começou a procurar noiva. Um dia mandou preparar sua carruagem e passou por uma rua da cidade. Mandou parar, desceu e entrou numa casa. Saiu uma mulher bonita e agradável.
— Senhora dona, me alcance um copo d’água!
A mulher foi buscar um copo d’água e agradou muito o rapaz que ficou satisfeito. Voltando para casa pensou em casar com ela.
No outro dia foi pedir água numa outra casa e saiu-lhe uma mulher ainda mais bonita e mais agradável. O rapaz ficou contente e achou que devia casar com ela.
No outro dia foi pedir de beber num rancho de palha onde foi servido por uma mocinha muito acanhada e bem parecida. O rapaz ainda gostou mais desta do que das outras. Para decicir procurou o padre vigário e pediu um conselho. O sacerdote disse:
— Vá procurar o Doutor Doido na Cidade Fulana. Ele não presta atenção a ninguém e vive passeando para lá e para cá, numa calçada. Diga o que quer e ouça o que ele disser.
O rapaz tomou sua carruagem e tocou-se para a Cidade Fulana. De tarde um criado do hotel levou-o para a tal rua onde ele viu o Doutor Doido andando para cima e para baixo, falando alto. O rapaz aproximou-se e contou o seu caso.
— Estou querendo casar e achei três mulheres que me agradam. Uma é mulher dama, outra uma viúva e a terceira uma moça donzela. Com quem devo dar a mão de esposo?
O Doutor veio cá e foi lá, e sem parar a marcha, respondeu:
— Quem sempre foi, sempre é. Besta velha não se acostuma em pasto novo! Quem nunca foi, vai-se fazer!
O rapaz tomou a carruagem, voltou e casou com a moça.
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Em: Contos Tradicionais do Brasil (folclore), Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro,Ediouro: 1967
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O canário não cantava,
entretanto, o vendedor,
a quem comprou explicava:
“Não canta, é compositor…”
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(César Torraca)
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Paisagem com pastora, s/d
Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)
óleo sobre tela, 43 x 60 cm
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Guilherme de Almeida
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Simplicidade… Simplicidade…
Ser como as rosas, o céu sem fim,
a árvore, o rio… Por que não há de
ser toda gente também assim?
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Ser como as rosas: bocas vermelhas
que não disseram nunca a ninguém
que têm perfumes… mas as abelhas
e os homens sabem o que elas têm!
Ser como o espaço, que é azul de longe,
de perto é nada… Mas quem o vê
— árvores, aves, olhos de monge —
busca-o sem mesmo saber porquê.
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Ser como o rio cheio de graça,
que move o moinho, dá vida ao lar,
fecunda as terras… E, rindo, passa,
despretencioso, sempre a cantar.
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Ou ser como a árvore: aos lavradores
dá lenha e fruto; dá sombra e paz;
dá ninho às aves; ao inseto, flores…
Mas nada sabe do bem que faz.
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Felicidade– sonho sombrio!
Feliz é o simples que sabe ser
como o ar, as rosas, a árvore, o rio:
simples, mas simples sem o saber!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968, Coleção Henriqueta.
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Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Formou-se em direito em 1912, pela Faculdade de Direito de São Paulo.
Obras:
Nós (1917);
A dança das horas (1919);
Messidor (1919);
Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);
Era uma vez… (1922);
A flauta que eu perdi (1924);
Meu (1925);
Raça (1925);
Encantamento (1925);
Simplicidade (1929);
Você (1931);
Poemas escolhidos (1931);
Acaso (1938);
Poesia vária (1947);
Toda a poesia (1953).
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Porquinhos na lama, ilustração M&W editores.–
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Ralhando com seus porquinhos
a porca, mãe exemplar,
vendo-os, assim, bem limpinhos…
– já pro barro se sujar !!!
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(Amália Max)
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A mais grave das ofensas
quase sempre tem raízes
quando dizes o que pensas
ou não pensas no que dizes.
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(Izo Goldman)
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Ilustração de meados do século XX, sem indicação de autor.–
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Ribeiro Couto
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Um raio de sol atravessa a janela.
alegria entrou com esse raio de sol.
Como está claro agora o meu quarto de doente!
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Se eu fosse um raio de sol não desceria a um
quarto de doente.
Iria para aquela nuvem que vai passando lá
longe,
aquela nuvenzinha branca no céu azul,
para viajar com ela, para ser feliz…
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Entretanto, fica, raio de sol.
Espera um momento, raio de sol…
Meu raio de sol…
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Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.
Obra
Poesia
O jardim das confidências (1921)
Poemetos de ternura e de melancolia (1924)
Um homem na multidão (1926)
Canções de amor (1930)
Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)
Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)
Correspondência de família (1933)
Província (1934)
Cancioneiro de Dom Afonso (1939)
Cancioneiro do ausente (1943)
Dia longo (1944)
Arc en ciel (1949)
Mal du pays (1949)
Rive etrangère (1951)
Entre mar e rio (1952)
Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)
Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)
Poesias reunidas (1960)
Longe (1961)
Prosa
A casa do gato cinzento, contos (1922)
O crime do estudante Batista, contos (1922)
A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)
Baianinha e outras mulheres, contos (1927)
Cabocla, romance (1931);
Espírito de São Paulo, crônicas (1932)
Clube das esposas enganadas, contos (1933)
Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)
Chão de França, viagem (1935)
Conversa inocente, crônicas (1935)
Prima Belinha, romance (1940)
Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)
Isaura (1944)
Uma noite de chuva e outros contos (1944)
Barro do município, crônicas (1956)
Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)
Sentimento lusitano, ensaio (1961)
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Não peço vaga, nem rogo,
nos “rachas” lá da varzinha;
em toda pelada eu jogo,
mas, porque a bola é minha!
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(Ademar Macedo)