O buraco do tatu, poesia infantil de Sérgio Caparelli

11 11 2012

Chico Bento joga tatu-bola, ilustração de Maurício de Sousa.

O buraco do tatu

Sérgio Caparelli

O tatu cava um buraco

a procura de uma lebre,

quando sai pra se coçar,

já está em Porto Alegre.

O tatu cava um buraco,

e fura a terra  com gana

quando sai pra respirar

já está em Copacabana.

O tatu cava um buraco

e retira a terra aos montes,

quando sai pra beber água

já está em Belo Horizonte.

O tatu cava um buraco

dia e noite, noite e dia,

quando sai pra descansar,

já está lá na Bahia.

O tatu cava um buraco,

tira a terra, muita terra,

quando sai por falta de ar,

já está na Inglaterra.

O tatu cava um buraco

e some dentro do chão,

quando sai pra respirar,

já está lá no Japão.

O tatu cava um buraco

com as garras muito fortes,

quando quer se refrescar

já está no Polo Norte.

O tatu cava um buraco

um buraco muito fundo,

quando sai pra descansar

já está no fim do mundo.

O tatu cava um buraco,

perde o fôlego, geme, sua,

quando quer voltar atrás,

leva um susto, está na lua.

Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre,  LPM: 2000, 27ª edição





No mundo da lua, poesia infantil de Martins D’Alvarez

4 11 2012

Lua, ilustração David Burk — http://www.dburkart.com/blog.html

No mundo da lua

Martins D’Alvarez

Lá vai a lua…

Lá vai!…

Boiando…

como um limão que flutua.

E eu fico de cá, pensando:

que haverá dentro da lua?

Mas a lua nem me escuta…

fura uma nuvem,

se esconde.

Surge e se põe a me olhar.

Será que de esconde-esconde

ela está me convidando

para brincar?

E a lua

continua…

Lá vai andando,

lá vai!

— Ninguém a está segurando…

Por que é que a lua não cai?

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, volume I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 149

José Martins D’Alvarez   (CE 1903-1993)  Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmácia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.  Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará.  Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.

Obras:

“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).

“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).

 “Vitral”, 1934 (poemas).

“Morro do moinho” 1937 (romance)

“O Norte Canta”, 1941 (poesia popular).

“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).

“Chama infinita, 1949 (poesias)

“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)

“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)

“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)

“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)





A Boneca — poesia de Presciliana Duarte de Almeida

30 10 2012

Bonecas, ilustração de Maud Taub.

A Boneca

    A Bemvinda Feitosa

Que boneca tão bonita
Aquela que ontem ganhei!
Pus-lhe um vestido de chita,
Que eu mesma fiz e cortei.

Seu cabelinho é tão louro
Como cabelo de milho.
Minha boneca é um tesouro,
Tem sapatos e espartilho!

Vou lhe fazer uma cama,
Vou lhe bordar um lençol,
Para tão mimosa dama
Farei fronhas de molmol.

Depois, para o batizado,
Hei de arranjar uma festa:
Um altar muito enfeitado,
Em meio de uma floresta…

Convidarei as amigas
Com quem costumo brincar,
E muito lindas cantigas
Hei de com elas cantar.

Há de haver presunto e bala,
Sorvete para a madrinha,
E desse dia de gala
Minha boneca é a rainha!

Presciliana Duarte de Almeida

Presciliana Duarte de Almeida (MG, 1867 – SP, 1944) Pseudônimo: Perpétua do Valle. Nascida numa família literária, Presciliana era prima de Júlia Lopes de Almeida e Adelina Lopes Vieira.  Vai para São Paulo depois do casamento, onde funda, em 1889, a revista feminista A Mensageira – revista literária dedicada à mulher brasileira.  Colabora na revista Educação, em 1902, e na revista A Alvorada,  em 1909. Participa da fundação da Academia Paulista de Letras em 1909 onde ocupa a cadeira nº 8, escolhendo a poetisa Bárbara Heliodora, sua trisavó, como patrona. Morreu aos 77 anos, em São Paulo, em 1944.

Obras:

Rumorejos, 1890

Sombras, 1906

Páginas Infantis, 1908

O Livro das Aves, 1914

Vetiver, 1939





Pátria, poema de Pedro Canísio Braun

28 10 2012

Pátria

Pedro Canísio Braun

Entre as coisas mais bonitas
De tantas que Deus nos deu
Há uma que se destaca
É a Pátria onde se nasceu.

Pátria não é um sentimento
No sentido figurado
Pátria é um recanto de terra
Que nos deixa enfeitiçado.

Pátria é o ar que se respira
Comida que mata a fome
É a coragem de assinar
Cidadão antes do nome.

Por fim Pátria é a natureza
Campo, serra, sol e mar
Pedaço de céu na terra
Que Deus nos deu para amar.





Primavera, Mário Quintana

7 10 2012

Primavera, Ilustração Marie Cramer.

Canção da Primavera

Mário Quintana

(Para Érico Veríssimo)

 –

Primavera cruza o rio

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

 –

Catavento enloqueceu,

Ficou girando, girando.

Em torno do catavento

Dancemos todos em bando.

 –

Dancemos todos, dancemos,

Amadas, Mortos, Amigos,

Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…

Até que as paineiras tenham

Por sobre os muros florido!

Em: Canções, de Mario Quintana, Rio de Janeiro, Globo: 1946





Quadrinha da arte de bem viver

5 10 2012

Ilustração de revista americana do anos 40 do século XX, sem indicação de autoria.

Eis a arte  de viver

num conselho dos mais sábios:

às vezes, para vencer

basta um sorriso nos lábios…

(J.G. de Araújo Jorge)





Quadrinha do aluno confuso

3 10 2012

Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– a porca… tem masculino?
– tem, ‘fessora… o parafuso!

(Edmar Japiassú Maia)





Borboletas são? poema de Maria Helena Sleutjes

2 10 2012

Borboletas, ilustração de Brita Barlow, para capa da revista americana Better Homes & Garden, de setembro de 1933.

Borboletas são?

Maria Helena Sleutjes

Borboletas, como explicar?

São insetos…

Nem pensar!

São pedaços coloridos

Que voam.

Isto sim!

São as almas das flores

Visitando os jardins.

Isto sim!

Borboletas, como explicar?

São Lepidópteras…

Nem pensar!

São reflexos de anjos

Que flutuam.

Isto sim!

Borboletas

São pequenas bailarinas

São crianças dançarinas

Pedaços de serpentinas

No canto do meu olhar.

 –





Quadrinha do segredo da felicidade

1 10 2012

Cascão dá flores para Mônica, ilustração de Maurício de Sousa.

Sei que não foge à verdade,
você também pode crer;
em amor, felicidade
é dar mais que receber.


(Nice Nascimento)





Quantos Dias — poesia tradicional brasileira

28 09 2012

Reunião de bonecas, ilustração B. Midderigh Bokhorst, 1930.

Quantos dias

Trinta dias tem setembro,

mais abril, junho e novembro

fevereiro, vinte oito tem;

nos bissextos, mais um lhe deem,

e os outros, que sete são,

trinta e um todos terão.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Delta:  sem data