Quadrinha do meu jardim

6 02 2013

jardim, portão, Ethel Blains ,House and Garden 1921-04Jardim, ilustração de Ethel Blains, capa da Revista House & Garden, Abril 1921.

Melhor entretenimento
não existe para mim:
é ver, a cada momento,
mais flores no meu jardim!
(Giva da Rocha)




O amor materno, texto de Garcia Redondo

5 02 2013

mãe e filho, 1922, John Rae

Mãe e filho no jardim, ilustração de John Rae, 1922.

O Amor Materno

Garcia Redondo

No fundo da chácara, numa touceira de arbustos, um menino encontrou um ninho, onde três avezinhas mal emplumadas dormiam. Contente do seu achado e no desejo inconsciente de se apoderar dele, o menino meteu o braço por entre a trama dos galhos e das folhas e aproximou a mão cobiçosa dos pobres inocentes, que logo ergueram para ele o biquinho e o sussurro duma asa que lhe roçou pelo rosto.  Depois sentiu que essa asa lhe batia nos olhos e que um bico audaz lhe espicaçava o rosto. Tímido, receoso dessa inesperada agressão, retirou o braço e olhou. Era um tico-tico, a mãe da avezinhas no ninho, que defendia a prole, e continuou a atacar o menino, enquanto ele permaneceu junto à touceira de arbustos. Saindo dali, muito admirado da audácia e da coragem  dessa ave minúscula, o menino contou o caso à mãe. E a mãe lhe disse:

— Não há que estranhar, meu filho: essa avezinha faz pelos filhos o que eu faria por ti.

 

[Exemplo de narrativa demonstrativa]

Em: Flor do Lácio, Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva:1964, página 202.





Quadrinha do canto do galo

5 02 2013

 

galo, ilustração de livro, sem autoria, 1890Galo, ilustração de livro, sem autoria, 1890.

A serenata de um galo
vai, de quebrada em quebrada,
e de intervalo a intervalo,
acordando a madrugada!

(Sebastião Paiva)





Papagaio de papel, poesia infantil de Carlos Chiacchio

4 02 2013

David Ricci, Segurando Pipa esperando o vento, 2005, ost, 60x 40cm

Menino segurando pipa, 2005

David Ricci (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 40 cm

Papagaio de papel

Carlos Chiacchio

Certa vez, era noite de luar,

Havia vento

A valer.

Bom para empinar

Meu papagaio oblongo de espavento.

Se havia vento, que importava a noite.

Era só dependurar

Longo,a lanterna acesa a todo o açoite

Do vento, e soltar

Meu papagaio oblongo, num momento.

Dito e feito.

Mas, ao peso da lanterna, não subia

O invento,

Senão a curtos vôos, de jeito

Que toda gente via

Com certo espanto aquela luz ao vento:

“Vai destelhar as casa  com tamanho arrojo…

“Vai pegar fogo em tudo, e o sobressalto

“E o incêndio semear daquele bojo….”

Era, esse, o tom geral da gritaria.

Mas de repente,

Meu lindo papagaio

Brilha, de súbito, como um raio,

A bailar ziguezagueando pela altura,

Muito acima do clamor de toda a gente,

Meu alado sonho de papel luzente,

Alto, a voar, muito alto…

Até perder de rumo…

Até a chama apagar…

Até tornar-se em fumo…

Em: Encantos literários: antologia, Deomira Stefani, São Paulo, Ática:s/d

carlos-chiacchio1

Carlos Chiacchio ( Januária, MG 1884 – Salvador, BA, 1947)  jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia, foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929).  Estudou no colégio Spencer em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina.

Obras:

A Dor, 1910

A Margem de uma polêmica, 1914

Biocrítica, 1941

Canto de marcha, 1942

Cronologia de Rui, 1949

Euclides da Cunha, 1940

Infância, poesia, 1938

Modernistas e Ultramodernistas, 1951

Os grifos, 1923

Paginário de Roberto Correia, 1945

Presciliano Silva, 1927

Primavera, 1910, 1941





Quadrinha do bom livro

2 02 2013

Lendo na cama, livro, John Gannam

Ilustração John Gannam, para propaganda de lençóis, década de 1950.

Livro bom é como o trigo:
hóstia branca, pão dourado
Na solidão, é o amigo
que vem dormir ao teu lado…

(Eloy Maria de Oliveira Fardo)





Siri, poesia infantil de Ana Maria Machado

1 02 2013

caranguejo 1

 

Siri

Ana Maria Machado

Siri
não ri
em serviço.

Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.

Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.

Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.





Quadrinha da fome do coração

29 01 2013

Menina pronta para come, ilustração de agnes richardson, cartão postal

“Um pouco de tudo, por favor”, cartão postal, ilustração de Agnes Richardson (Inglaterra, 1880-1954)

Conheço um tipo de fome

Que não se farta de pão:

Fome de amor — eis o nome

Da fome do coração.

(Aparício Fernandes)





Ação Social, livros para biblioteca escolar

26 01 2013

escola, crianças, colorida, sem autoria

Escola, ilustração americana, sem autoria.

Para comemorar os 5 anos de aniversário do blog Livro Errante, Regina Porto, autora do blog, volta a fazer uma ação social de doação de livros infantis, em boas condições,  para uma escola que precise.  Já participei de dois projetos semelhantes da própria Regina mandando livros para uma escola em Minas Gerais e outra na Paraíba.  Desta vez a escolhida — e Regina sempre seleciona com muito cuidado esses locais, porque os professores precisam estar envolvidos — foi no estado de São Paulo.  Eu vou contribuir.  Peço que quem puder faça o mesmo.  Obrigada.

Nas palavras da Regina:

“A Escola Municipal prof. Alberto Thomazi vai contar com a nossa colaboração para a a formação de sua biblioteca.  Este blog, acredita que você também queira colaborar. Se você é da cidade de Piracicaba pode ir lá pessoalmente doar quantos livros infantis quiser.  Se mora longe, pode enviar pelos correios para o endereço abaixo.”

E.M Prof. Alberto Thomazi
Rua Batatais S/N – Cruz Caiada
13413.015 Piracicaba SP




Quadrinha da criança dormindo

21 01 2013

rezando antes de dormir coby, 70sRezando, ilustração anericana,  Coby, década de 1970.

Instante de um doce infindo,
aquele depois da prece,
quando a criança, sorrindo,
beija a boneca e adormece…

(Amadeu Fontana Lindo)





Quadrinhas dos nossos pedidos

17 01 2013

lista

Monica faz uma lista de pedidos, ilustração Maurício de Sousa.

Se Deus sempre deferisse
tudo o que lhe suplicamos,
veríamos a tolice
do que tanto desejamos.

(Manoelita Amorim Meyer)