Quadrinha das borboletas

10 04 2013

borboletas e lagarta Christina RosettiIlustração de Christina Rossetti.

Lá estão as borboletas…
coloridas, no infinito;
nas asas levam facetas
do meu sonho mais bonito!
(Giva da Rocha)




Acalanto de John Talbot, poesia de Manuel Bandeira

7 04 2013

mãe ninando o bebe. frederick richardson, 1975

Ilustração de Frederick Richardson, 1975.
Acalanto de John Talbot

Manuel Bandeira

Dorme, meu filhinho,

Dorme sossegado.

Dorme que ao teu lado

Cantarei baixinho.

O dia não tarda…

Vai amanhecer:

Como é frio o ar!

O anjinho da guarda

Que o Senhor te deu,

Pode adormecer,

Pode descansar,

Que te guardo eu.

Em: Que aconteceu?, Primeiro Livro, Magdala Lisboa Bacha, Rio de Janeiro, Agir: 1962





Trova do pantanal

6 04 2013

Wander melo,TUIUIUS-2009,ast-120x80Tuiuius, 2009

Wander Melo (Brasil, contemporâneo)

Acrílica sobre tela, 120 x 80 cm

http://wmeloarts.blogspot.com.br

Em bando sutil, as garças,

pontilhando o lamaçal,

são quais pérolas esparsas, 

adornando o pantanal.

 –

(Dorothy Jansson Moretti)





Quadrinha do tropeiro

2 04 2013

henry chamberlain, tropeiros no rj

Tropeiros no Rio de Janeiro

Henry Chamberlain (Inglaterra 1796-1844)

Gravura  em Views and costumes of the city and neighbourhood of Rio de Janeiro, 1822

O tropeiro viajante
que em nossa terra surgiu,
foi marco muito importante
no progresso do Brasil.

(Alda Lopes Rezende)





Quadrinha da família

18 03 2013

jantar em família Arthur SarnoffThanksgiving

Jantar em família, ilustração de Arthur Sarnoff.

A união se faz maior
em noite fria que tenha
uma família em redor
de um velho fogão de lenha.

(Eduardo A. O. Toledo)





O sorveteiro, poesia infantil de Maria de Lourdes Figueiredo

15 03 2013

sorveteiroIlustração de Maurício de Sousa.

O sorveteiro

Maria de Lourdes Figueiredo

A luz atrai mariposas,

o melado, formiguinhas;

e, como a flor as abelhas,

sorvete atrai criancinhas.

Mal se escuta, ao longe, o grito:

— É o sorvete! Vai querer?

Aparecem sem demora,

as crianças a correr.

Quero um de creme — diz Paulo;

pede Lúcia: — Um de abacate.

— Eu, de manga! — Um de morango!

— Eu quero um de chocolate!

Saem todos bem contentes,

com seu sorvete na mão;

menos Rosinha. Que pena!

O dela caiu no chão…

Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1,  Rio de Janeiro, Delta: 1975, p.112





Canção da Garoa, poesia infantil de Mário Quintana

4 03 2013

chuva, ilustração  Walter CraneIlustração Walter Crane.

Canção da Garoa

Mário Quintana

Em cima do telhado

Pirulin lulin lulin,

Um anjo, todo molhado,

Soluça no seu flautim.

 –

O relógio vai bater:

As molas rangem sem fim.

O retrato na parede

Fica olhando para mim.

 –

E chove sem saber porquê

E tudo foi sempre assim!

Parece que vou sofrer:

Pirulin lulin lulin…

 





Identidade, poema infantil de Carlos Queiroz Telles

1 03 2013

praia, Wesley Snyder

Praia, ilustração de Wesley Snyder.

Identidade

Carlos Queiroz Telles

Cabelos molhados,
sol encharcado,
pele salgada,
vento nos olhos,
areia nos pés.

O corpo sem peso
é nuvem à-toa.
O tempo inexiste.
a vida é uma boa!

Mergulho na água
azul deste céu.
Sou peixe de ar.
Sou ave de mar.

Mergulho em mim mesmo,
silêncio profundo.
Sou eu e sou Deus
de passagen no mundo,
nadando sem rumo
entre conchas e paz.

Em: Sonhos, grilos e paixões, Carlos Queiroz Telles, São Paulo, Moderna: 1990

 





Quadrinha do vento

27 02 2013

vento, andré edoaurd marty, 1919

Vento, cartão postal, ilustração de André Edouard Marty, 1919.

O vento, com seus gemidos,

que só a dor sabe tê-los,

gelado como a saudade,

vem me beijar os cabelos.

(Manuel Lins Caldas) [pseud. Daslak]





O corvo e a raposa, poema e fábula, Bocage

24 02 2013

1289703457Ilustração de John Rae.

O corvo e a raposa

Bocage

——————-(tradução de La Fontaine)

 –

É fama que estava o corvo

Sobre uma árvore pousado

E que no sôfrego bico

Tinha um queijo atravessado.

Pelo faro, àquele sítio

Veio a raposa matreira,

A qual, pouco mais ou menos,

Lhe falou desta maneira:

– Bons dias, meu lindo corvo;

És glória desta espessura;

És outra fênix, se acaso

Tens a voz como a figura.

A tais palavras, o corvo,

Com louca, estranha afouteza,

Por mostrar que é bom solista

Abre o bico e solta a presa.

Lança-lhe a mestra o gadanho

E diz: – Meu amigo, aprende

Como vive o lisonjeiro

À custa de quem o atende.

Esta lição vale um queijo;

Tem destas para teu uso.

Rosna então consigo o corvo

Envergonhado e confuso:

– Velhaca, deixou-me em branco;

Fui tolo em fiar-me dela;

Mas este logro me livra

De cair noutra esparrela.