–
–
Ilustração de Christina Rossetti.
–
–
–
Ilustração de Christina Rossetti.–
–
–
–
Manuel Bandeira
–
Dorme, meu filhinho,
Dorme sossegado.
Dorme que ao teu lado
Cantarei baixinho.
O dia não tarda…
Vai amanhecer:
Como é frio o ar!
O anjinho da guarda
Que o Senhor te deu,
Pode adormecer,
Pode descansar,
Que te guardo eu.
–
Em: Que aconteceu?, Primeiro Livro, Magdala Lisboa Bacha, Rio de Janeiro, Agir: 1962
–
–
Wander Melo (Brasil, contemporâneo)
Acrílica sobre tela, 120 x 80 cm
http://wmeloarts.blogspot.com.br
–
Em bando sutil, as garças,
pontilhando o lamaçal,
são quais pérolas esparsas,
adornando o pantanal.
–
(Dorothy Jansson Moretti)
–
–
Tropeiros no Rio de Janeiro
Henry Chamberlain (Inglaterra 1796-1844)
Gravura em Views and costumes of the city and neighbourhood of Rio de Janeiro, 1822
–
O tropeiro viajante
que em nossa terra surgiu,
foi marco muito importante
no progresso do Brasil.
–
(Alda Lopes Rezende)
–
–
–
A união se faz maior
em noite fria que tenha
uma família em redor
de um velho fogão de lenha.
–
(Eduardo A. O. Toledo)
–
–
Ilustração de Maurício de Sousa.–
–
Maria de Lourdes Figueiredo
–
A luz atrai mariposas,
o melado, formiguinhas;
e, como a flor as abelhas,
sorvete atrai criancinhas.
–
Mal se escuta, ao longe, o grito:
— É o sorvete! Vai querer?
Aparecem sem demora,
as crianças a correr.
–
Quero um de creme — diz Paulo;
pede Lúcia: — Um de abacate.
— Eu, de manga! — Um de morango!
— Eu quero um de chocolate!
–
Saem todos bem contentes,
com seu sorvete na mão;
menos Rosinha. Que pena!
O dela caiu no chão…
–
Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p.112
–
–
Ilustração Walter Crane.–
–
Mário Quintana
–
Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.
–
O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.
–
E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin…
–
–
–
–
Carlos Queiroz Telles
–
Cabelos molhados,
sol encharcado,
pele salgada,
vento nos olhos,
areia nos pés.
O corpo sem peso
é nuvem à-toa.
O tempo inexiste.
a vida é uma boa!
Mergulho na água
azul deste céu.
Sou peixe de ar.
Sou ave de mar.
Mergulho em mim mesmo,
silêncio profundo.
Sou eu e sou Deus
de passagen no mundo,
nadando sem rumo
entre conchas e paz.
–
Em: Sonhos, grilos e paixões, Carlos Queiroz Telles, São Paulo, Moderna: 1990
–
—
–
O vento, com seus gemidos,
que só a dor sabe tê-los,
gelado como a saudade,
vem me beijar os cabelos.
–
(Manuel Lins Caldas) [pseud. Daslak]
–
–
Ilustração de John Rae.–
–
Bocage
——————-(tradução de La Fontaine)
–
É fama que estava o corvo
Sobre uma árvore pousado
E que no sôfrego bico
Tinha um queijo atravessado.
Pelo faro, àquele sítio
Veio a raposa matreira,
A qual, pouco mais ou menos,
Lhe falou desta maneira:
– Bons dias, meu lindo corvo;
És glória desta espessura;
És outra fênix, se acaso
Tens a voz como a figura.
A tais palavras, o corvo,
Com louca, estranha afouteza,
Por mostrar que é bom solista
Abre o bico e solta a presa.
Lança-lhe a mestra o gadanho
E diz: – Meu amigo, aprende
Como vive o lisonjeiro
À custa de quem o atende.
Esta lição vale um queijo;
Tem destas para teu uso.
Rosna então consigo o corvo
Envergonhado e confuso:
– Velhaca, deixou-me em branco;
Fui tolo em fiar-me dela;
Mas este logro me livra
De cair noutra esparrela.