Casario e vegetação tropical em Salvador, Bahia
Genaro de Carvalho (Brasil, 1926- 1971)
óleo sobre tela, 37 x 45 cm
Casario e vegetação tropical em Salvador, Bahia
Genaro de Carvalho (Brasil, 1926- 1971)
óleo sobre tela, 37 x 45 cm
Chico Bento tem um pensamento desagradável, ilustração de Maurício de Sousa.
[de uma história contada por meus avós]
Walter Nieble de Freitas
“Nhô” Vicente, certo dia,
Montando o lindo alazão,
Foi fazer uma visita
Ao compadre Sebastião.
Cavalgou horas e horas,
Chegou ao entardecer:
Sua barriga roncava
De vontade de comer!
Ao vê-lo abrir a porteira,
“Nhô” Sebastião diz contente:
— Até que um dia compadre,
Você se lembrou da gente!
Apeie, vamos chegar.
Não repare na palhoça.
Como é que vai a comadre?
Vá entrando que a casa é nossa!
Tenho muito o que contar,
Sente-se aí no banquinho.
Você sabe que morreu
A mulher do Vadozinho?…
Também, a sogra do Zeca,
A jararaca mordeu:
A velha não sentiu nada
E a pobre cobra morreu!…
Sem perceber que a visita,
De fome quase morria,
“Nhô” Sebastião, na conversa,
Longas horas consumia…
“Nhô” Vicente paciencioso,
Tudo ouvia sem falar;
Porém, a sua barriga
Não parava de roncar!
Notando que seu amigo
Parecia nada ouvir,
Sentiu, o dono da casa,
Que o melhor era dormir.
Nesta altura, perguntou-lhe
Numa rural cortesia:
— O compadre lava os pés?
Vou mandar vir a bacia.
Respondeu-lhe “Nhô” Vicente,
— Isso não! de modo algum!
Acho muito perigoso
Lavar os pés em jejum.
Em: Barquinhos de papel, poesias infantis de Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Editora Difusora Cultural: 1961, pp: 75-78.
Clodomiro Amazonas ( Brasil, 1883-1953)
óleo sobre tela
PESP [Pinacoteca do Estado de São Paulo], SP
Igreja da Glória do Outeiro, c. 1933
Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)
óleo sobre tela, 15 x 39 cm
Diego Alfonso Más (Uruguai,1974)
óleo sobre tela, 130 x 73 cm
Cidade velha de Lijiang
A Cidade Velha de Lijiang data do século XIII e se mostra completamente adaptada à topografia irregular em que foi construída. Localizada estrategicamente em uma encosta de montanha, de frente para um rio profundo, Lijiang se tornou um grande centro comercial mantendo a paisagem urbana histórica de alta qualidade e autenticidade. Sua arquitetura é notável pela mistura de elementos de várias culturas que se uniram ao longo de muitos séculos. Lijiang também possui um antigo sistema de abastecimento de água, muito complexo e de grande engenhosidade, que ainda funciona de forma eficaz nos dias de hoje. Ele se utiliza os diferentes níveis de dois rios para lavar as ruas, uma forma única de saneamento municipal. Para o abastecimento de água corrente a cidade foi entrecortada por uma rede de canais e bueiros que abastecem todas as casas da cidade. Há um total de 354 diferentes pontes. É a partir dessas estruturas que Lijiang deriva seu nome, a “Cidade das Pontes”.
Chá das cinco, ilustração de autor desconhecido, provavelmente inglês seguidor de Walter Crane.
Esse tempo que passou
de trabalho e de fadiga,
também sorrisos deixou
em nossas vidas, amiga.
(Alice de Oliveira)
Ilustração de W.T. Benda para capa da revista LIFE de agosto de 1923.
Wilson W. Rodrigues
As feições do príncipe eram desconhecidas.
Jamais alguém vira o seu rosto.
Em sua corte trabalhavam os artesãos mais hábeis, os melhores desenhistas, as costureiras mais famosas.
A observação era invariável:
— É preciso que essa máscara fique mais bela; do contrário, o Príncipe recusará.
As máscaras deviam ser sempre mais belas, pois, desde menino, o Príncipe usava todos os dias, uma nova máscara.
Dir-se-ia que elas o fascinavam, pois sempre parecia feliz.
Um dia, quando tomava parte numa caçada, o Príncipe afastou-se de sua gente e se perdeu.
Pela noite inteira, ninguém o encontrou.
De manhã, quando cruzava o vale, o Príncipe avistou uma donzela que voltava da fonte, bilha ao ombro.
Estava sedento, pediu:
— Posso beber da tua bilha?
A jovem reconheceu o Príncipe Mascarado, e com galanteria ofereceu:
Só se beberes na concha das minhas mãos.
O Príncipe desmontou. Em terra, curvou-se; nesse instante, ela, num gesto tão rápido quanto impensado, arrancou-lhe a máscara, e deu um grito de espanto.
— Sou tão feio assim?
— Não. Tu és mais belo que todas as tuas máscaras.
*****
Em: Contos do Rei do Sol, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro [Estado da Guanabara], Editora Torre: s/d, pp: 21-26