Aníbal Mattos (Brasil, 1886-1969)
óleo sobre eucatex, 35 x 45 cm
Saíra-sete-cores, Saíra-das-sete-cores ou Tangará seledon. Foto: Wikipedia
A Saíra-das-sete-cores é uma ave natural do Brasil, pequenina, de no máximo uns 13 cm. Come frutas: da palmeira, goiaba, mamão, ameixa e caju; também gosta de bagas de bromélias. Aprecia além disso uma variedade de insetos. Encontrada na Mata Atlântica e nas florestas baixas com menos de 900 m de altitude. É comum no Sudeste brasileiro. Sua área de habitat: Bahia, Minas Gerais todo o Sudeste até o Rio Grande do Sul. Pode ser encontrada também Sudeste do Paraguai e no Nordeste da Argentina.
Tintim e Milu sobem o rio pedregoso, ilustração de Hergé.
Já repararam que o rio,
quando vai a caminhar,
é nas pedras do caminho
que mais parece cantar?
(Albercyr Camargo)
Domenico Peterlini (Itália, 1822-1891)
óleo sobre tela
Palácio Pitti, Florença
Hoje vendo notícias sobre os imigrantes haitianos lembrei-me desse ensaio de André Aciman. Enquanto morei por muitos anos fora da minha terra natal passei um bocado de tempo interessada na questão dos imigrantes e dos exilados, que, quer voluntariamente, quer aqueles obrigados a deixar suas terras natais por governos que lhes eram antagônicos, mostravam sinais de uma tristeza profunda, uma cicatriz emocional, mesmo naqueles que melhor pareciam ter-se adaptado. Muitos escreveram sobre o tema no final do século XX. André Aciman é um dos mais citados. Aqui, falando dos exilados, como ele próprio:
“Eu queria que tudo permanecesse o mesmo. Porque isso também é típico dos que perderam tudo, incluindo suas raízes ou a habilidade de criar novas raízes. Eles podem ser móveis, espalhados, nômades, sem lares, mas permanecem completamente imóveis no seu estado de agitação transitória. É exatamente porque não têm raízes que não se mexem, que se amedrontam com mudanças, que preferem construir em qualquer lugar, do que procurar por uma terra. Um exilado não é simplesmente uma pessoa sem casa; é alguém que não consegue achar outra, que não pode pensar em outra. Alguns nem sabem mais o que um lar significa. Eles reinventam o amor com o que sobrou a cada reviravolta. Algumas pessoas trazem consigo o exílio, assim como o sofrem não importa onde estejam.”
[Tradução minha]
Em: Shadow Cities, de André Aciman, Letters of Transit, reflexions on Exile, Identity, Language and Loss, diversos autores, ed. André Aciman, Nova York, 1998, p.21
O texto integral pode ser achado na WEB aqui.
Joseph Clarke (Grã-Bretanha, 1834-1926)
óleo sobre tela, 90 x 120 cm
“Depois chegou a hora das luzes e do jantar. Eu encomendara pelo Grilo ao nosso magistral cozinheiro uma larga travessa de arroz-doce, com as iniciais de Jacinto e a data ditosa em canela, à moda amável da nossa meiga terra. E o meu Príncipe à mesa, percorrendo a lâmina de marfim onde no 202 se escreviam os pratos a lápis vermelho, louvou com fervor a ideia patriarcal:
-Arroz-doce! Está escrito com dois ss, mas não tem dúvida… Excelente lembrança! Há que tempos não como arroz-doce! Desde a morte da avó.
Mas quando o arroz-doce apareceu triunfalmente, que vexame! Era um prato monumental, de grande arte! O arroz, maciço, moldado em forma de pirâmide do Egito, emergia duma calda de cereja, e desaparecia sob os frutos secos que o revestiam até ao cimo onde se equilibrava uma coroa de Conde feita de chocolate e gomos de tangerina gelada! E as iniciais, a data, tão lindas e graves na canela ingênua, vinham traçadas nas bordas da travessa com violetas pralinadas! Repelimos, num mudo horror, o prato acanalhado. E Jacinto, erguendo o copo de Champanhe, murmurou como num funeral pagão:
–Ad Manes, aos nossos mortos!”
Eça de Queiroz, A cidade e as serras
[Exemplo de Narrativa Descritiva]
Em: Flor do Lácio, [antologia] Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 194.
NOTA: Ad manes é a abreviação da expressão em latim Ad manes abiit, que significa: Aos mortos, aos que morreram.
Interior com senhora lendo, década 1930
Leo Gestel (Holanda, 1881-1941)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918) do poema Aos meus amigos de São Paulo, também conhecido pelo primeiro verso: Se amo, padeço, e sonho, a recompensa.