Mais um poema de Brant Horta na semana da pátria.

2 09 2008
Ilustração, Mauricio Sousa

Ilustração, Maurício de Sousa

Sê brasileiro

                                                            Brant Horta

 

Se perguntarem, filho, onde

É a terra do teu amor,

Cheio de orgulho, responde:

— Sou brasileiro, senhor.

 

Não digas  — Sou sergipano,

Sou paulista ou sou mineiro,

Pois serás mais soberano,

Dizendo:  — Sou brasileiro!

 

Mais que paulistas, mineiros,

Devemos fazer questão

De ser todos brasileiros

De nascença e coração.

 

Pois não tem entre os Estados

Nem segundos nem primeiros;

São eles férteis legados

De todos nós, brasileiros!

 

 

 

Do livro:  Brasil, minha pátria, — literatura infantil e matérias escolares — 3º livro,  Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1954. 

 

 

Francisco Eugênio Brant Horta ( Juiz de Fora, MG 1876 – Rio de Janeiro, RJ 1959) —  Poeta, tradutor, trovador, teatrólogo, jornalista, professor, músico, membro fundador da Academia Mineira de Letras.

Pseudônimos:

1) Brant Horta 

2) Bisneto Fonce

 

Obras:

 

As duas Teles, Teatro 1934  

Harpa Eólia, Poesia 1912  

Lirae Carmen, Poesia 1905  

Via Lucis, Poesia 1937  

Minha primeira história do Brasil, 1950

 





Símbolo, um poema de Brant Horta, na semana da pátria

1 09 2008

Forte de Copacabana, Rio de Janeiro

Símbolo

 

Brant Horta

 

 

Bandeira de minha terra,

 

Pano sagrado e gentil,

 

Em cujas dobras se encerra

 

O coração do Brasil;

 

 

 

Emblema que nos recorda

 

As mais gratas tradições,

 

Vibrando na mesma corda

 

Milhares de corações;

 

 

 

Pano verde – alma esperança

 

Na senda do progredir;

 

Ouro e azul – mar de bonança,

 

De opulência no porvir;

 

 

 

Ouro e verde – escrínio d’alma

 

Altiva desta nação,

 

Quer oscilante na calma

 

Tranqüila da viração;

 

 

 

Quer no choque árduo e tremendo

 

Das batalhas imortais,

 

Quer nas águas, destemendo

 

A fúria dos temporais,

 

 

 

Que sem desfalecimentos

 

Tu, Bandeira verde e azul,

 

Desfraldada aos quatro ventos

 

Domines de norte a sul.

 

 

Na semana da pátria, um poema para crianças, jovens e adultos.

 

Francisco Eugênio Brant Horta ( Juiz de Fora, MG 1876 – Rio de Janeiro, RJ 1959) —  Poeta, tradutor, trovador, teatrólogo, jornalista, professor, músico, membro fundador da Academia Mineira de Letras.

Pseudônimos:

1) Brant Horta 

2) Bisneto Fonce

 

Obras:

 

As duas Teles, Teatro 1934  

Harpa Eólia, Poesia 1912  

Lirae Carmen, Poesia 1905  

Via Lucis, Poesia 1937  

 





Sucesso! BIO-EYES um projeto para o estudo da ciência.

26 08 2008
Paulistinhas

Paulistinhas

BIOLHOS  — esta foi a melhor tradução que encontrei para o nome de um projeto de grande sucesso nos EUA — chamado Bio-EYES – que até o momento compreende as cidades de Baltimore, em Maryland, Filadélfia na Pensilvânia e South Bend no estado de Indiana.  Este programa de incentivo aos estudos, direcionado a crianças pobres, de bairros carentes destas cidades, propaga conhecimentos de ciências naturais, incentiva os estudos da genética e ajuda a demonstrar métodos científicos de pesquisa aos que muitas vezes nem pensariam que poderia haver um futuro para eles em semelhante setor.

 

Como quase todo bom projeto, BIO-EYES surgiu organicamente, como por acaso, para preencher um vazio no seio das comunidades pobres.  Não foi pensado por um governo e então aplicado.  Cresceu de uma necessidade e se enraizou pela infinita boa-vontade dos muitos profissionais que o lideram.  Começou inicialmente de graça, num laboratório local, servindo a uns poucos alunos.  Hoje é uma ONG que já cobre as necessidades de tres comunidades em cidades distantes, entre si, mas semelhantes em carência.

 

Em 2001, o biólogo americano Dr. Steven A. Farber acabava de inaugurar seu primeiro laboratório na universidade Thomas Jefferson na Filadélfia.  Um sonho de qualquer cientista que se preze, este laboratório repleto com maquinaria de ponta, levava o seu nome na porta, uma indicação que de que as pesquisas ali realizadas estavam todas sob sua responsabilidade.  Enquanto ainda desempacotava caixas de papelão e em meio a muita bagunça, Dr. Farber fazia planos para continuar a pesquisa que vinha fazendo sobre a genética da digestão de gorduras.  Por isso, seu laboratório, comportava além dos instrumentos científicos esperados um aquário onde cardume de peixes Paulistinhas fazia repetidas viagens de um canto ao outro, movendo-se incessantemente.  O Danio rerio nome científico do peixinho listrado que no Brasil chamamos de Paulistinhas é um dos seres mais usados em alguns tipos de experimentos científicos hoje em dia por serem de manutenção barata, por se reproduzirem rapidamente e por terem seus corpos transparentes, o que ajuda em muito o entendimento de qualquer processo biológico.  

 

Desde 1993, todos os anos, no dia 24 de abril, nos EUA, há a campanha [“Take your kid to work Day”]  Leve seu filho para o trabalho hoje,  uma campanha nacional (hoje em dia inclui o Canadá também) organizada para expor crianças ao ambiente de trabalho de seus pais, deixá-las curiosas sobre o mundo adulto, assim como, no futuro, ajudá-las a decidir sobre planos de carreira.  Crianças de 6 a 15 anos participam deste evento, no país inteiro.  Em 2001, enquanto ainda arrumava seu laboratório, alguém guiando um grupo de crianças pelo hospital vizinho sugeriu:  “ Ei, depois dessa visita, passem lá no laboratório do Dr. Farber para verem o aquário com os Paulistinhas.”

 

As crianças que visitaram o então recém inaugurado laboratório ficaram fascinadas.  Naturalmente intrigadas por animais, neste laboratório elas foram apresentadas ao elementos básicos da ciência biológica podendo apreciar os órgãos internos dos peixes – porque são translúcidos – puderam achar maneiras de descobrir o peixe macho do fêmea,  puderam “caçar” um macho e uma fêmea para serem colocados num aquário exclusivamente usado para reprodução e  na discussão sobre a aparência dos futuros peixinhos chegaram às linhas gerais do estudo de genética.  Todos estes conhecimentos foram passados de maneira esquemática, mas bastante interessante para instigar os alunos a considerarem as ciências seriamente.  Dr. Farber mostrou às crianças através de seu poderoso microscópio o coração dos peixes vivos bombeando células vermelhas.  O sucesso foi imediato.  E logo, logo, sem ter feito qualquer plano, seu laboratório virou parada obrigatória para qualquer turma de estudantes das escolas de nível básico e médio em dias de excursão.    

 

Na verdade, foram tantas as visitas que estas começaram a perturbar o projeto de pesquisa do Dr. Farber.  Assim, ele se dirigiu ao diretor da instituição.  Juntos acharam que havia bastante interesse para justificar uma posição para um professor de nível básico para servir de guia para os visitantes.  Procuraram então por uma maneira de financiar um professor por ano, para esta posição.  O professor, eles sabiam, tinha a maneira correta de interessar ainda mais os alunos visitantes.  Sabia exatamente como trazer um mundo de informações ao nível de conhecimento dos jovens.  

 

Assim foi o início da ONG BIO-EYES que tem como objetivo levar conhecimento cientifico às crianças na escola além de promover a curiosidade e o estudo da ciência.  Quando a ONG  — pelo menos na cidade de Baltimore — descobre que há um aluno ou aluna com talento para as ciências, com aptidão e gosto para este tipo de trabalho a ONG dirige o aluno a uma das escolas públicas modelo que dão maior incentivo aos estudos das ciências.  Hoje o projeto é bem mais elaborado.  BIO-EYES trabalha em direto contato com cada professor interessado em trazer sua turma e por uma semana as crianças são responsáveis por anotar nos “cadernos científicos” que lhes são dados suas observações junto aos peixinhos no aquário.   A descoberta ainda na idade tenra de talento em potencial entre esses alunos vindos de áreas e de famílias carentes é um dos grandes objetivos da organização.  

 

Nestes 7 anos de existência o sucesso vem quase que de imediato, revelado no número de cartas que as crianças escrevem depois das visitas, demonstrando interesse em seguirem uma profissão que inclua o que elas viram na visita ao laboratório e na observação dos cardumes de Paulistinhas, nos aquários de experimentos.  

 

 

Este artigo foi baseado na entrevista dada pelo Dr. Farber à jornalista do New York Times Claudia Dreifus, publicada no dia 29 de julho de 2008, com o título: A Conversation With Steven A. Farber: To Teach Genetics, Zebra Fish Go to School.  [Conversa com Steven A. Farber — Ensinado genética, Paulistinhas vão à escola].