Reza, poema de Laura Esteves

27 09 2011

Costurando, s/d

Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela

Reza

Laura Esteves

Queria minha avó de volta,

ligeirinha, caminhando

pela antiga alameda.

As balas de limão e laranja

envoltas em papel de seda.

As rezas do ventre-virado,

Simpatias, mau-olhado:

Deus te fez,

Deus te criou,

Deus tire o mal

que em ti entrou.”

Galho de arruda murcho,

doente já sorrindo,

moeda na palma da mão.

Precisa não”.

É só uma ajuda”.

Lá ia o rico dinheiro

Para a fezinha do bicho.

“Sonhei com leque, vai dar pavão.

Grande falseta: leque de ar e cor,

Só podia mesmo ser borboleta”.

Minha avó, matreirinha,

arrumava um jeito de ser feliz.

Foi ela quem me ensinou sobre

alegria, astúcia e sorte.

Foi ela quem demonstrou:

Mulher é sempre mais forte.

Em: Poesia simplesmente, ed. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, ed. autor: 1999.

Laura Esteves nasceu no Rio de Janeiro.  É escritora e poeta.  Faz parte do Grupo Poesia Simplesmente.





Quadrinha do silêncio

27 09 2011
Mônica e Magali no cinema, ilustração Maurício de Sousa.

Se Deus nos deu dois ouvidos

e um só meio de falar,

sejamos, pois, comedidos

mais no dizer que escutar.


(Amilton Monteiro)





Quadrinha infantil sobre o livro

25 09 2011

Leitura à luz da lâmpada, 1973

Daniele Akmen (França, 1945)

acrílica sobre tela, 116 x 89 cm

Nos momentos de alegria,

Ou nas horas de aflição,

O livro é um companheiro,

É um amigo, um irmão.

(Walter Nieble de Freitas)





Abrace 10 animais em extinção no vale do Paraíba do Sul

24 09 2011

O governo do Rio de Janeiro lançou ontem, dia 23,  a campanha “Defesa das Espécies Ameaçadas – Abrace essas Dez“. O objetivo é preservar dez espécies de animais ameaçadas de extinção no estado. Entre elas, estão o mico-leão-dourado, a preguiça-de-coleira e a jacutinga.  O governo distribuirá cartilhas em escolas, universidades, prefeituras e delegacias de polícia. Cartazes com fotos dos animais também serão afixados nesses locais. 

Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a campanha vai apoiar pesquisadores que estudam as dez espécies ameaçadas e traçar um plano para preservá-las. O governo, assinalou, também está preocupado com mais 267 espécies que correm o risco de extinção.   A lista dos dez animais ameaçados de extinção inclui, além do mico-leão-dourado, da preguiça-de-coleira e da jacutinga, o cágado-do-paraíba, formigueiro-do-litoral, boto-cinza, lagarto-branco-da-areia, muriqui, surubim-do-paraíba e o tatu canastra.

Boto-cinza, foto Faperj.

Cágado do paraíba, foto Caraplatrugas.

Formigueiro-do-litoral, foto Ciência Hoje.

 

Jacutinga, foto Cracids.

Lagarto-branco-da-areia, foto Ciência Hoje.

Mico leão dourado, foto Ecobiologados.

Muriqui, foto Meliponario Mantiqueira.

Preguiça de coleira, foto Ciência Hoje.

Tatu canastra, foto Portal São Francisco.

Surubim do paraíba, foto Tudo leva à perícia.





Quadrinha sobre a Poesia

24 09 2011

Ilustração Andrea Laliberte.

A verdadeira Poesia

não se prende a nenhum laço:

na tristeza, ou na alegria,

ela ocupa o mesmo espaço.

(Moysés Augusto Torres)





Crianças amai as árvores — poema de Martins d’Alvarez

21 09 2011
Ilustração: Bolinha posa para fotografia subindo na árvore.

Crianças, amai as árvores!

Martins D’Alvarez

Meninos, amai as árvores!

Pois elas são como nós…

Têm coração nas raízes

E as folhas falam, têm voz.

Não devemos machucá-las;

Elas também sentem dor.

E são tão boas… Dão sombra,

E os seus frutos nos dão cor.

Elas morrem para dar

Conforto ao nosso viver…

Do leito, para sonhar,

Ao carvão para aquecer.

Sejamos irmãos das árvores!

Façamos-lhes festas mil!

A árvore é a fada da pátria…

Foi quem deu nome ao Brasil!

Feliz Dia da Árvore

para todos vocês!





Quadrinha infantil para a Primavera

16 09 2011

Ah!  se as árvores falassem!

Diriam, por certo, assim:

Criança, sou tua amiga,

Peço que zeles por mim!

(Walter Nieble de Freitas)





Ilustrações de Joselito para o livro “Princesinha do Castelo Vermelho” de Vicente Guimarães

15 09 2011

A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, Rio de Janeiro, edição do autor:1950, capa e ilustrações de Joselito. 2ª edição

Para quem, como eu, sempre teve um interesse na literatura e que trabalhou com as artes plásticas é surpreendente a falta de informação que temos quer nas bibliotecas, quer na internet, sobre ilustradores de livros brasileiros para crianças.  Dentre eles há o ilustrador que se assina  Joselito que, ao que eu saiba, ilustra pelo menos quatro obras de Vicente Guimarães [Vovô Felício].  Trabalhando em meados do século XX este artista gráfico, cujo nome não aparece em nenhum dos dicionários de artes plásticas de que disponho, tem um traço firme, elegante.   E um colorido fascinante.  Suas composições estão dentro dos parâmetros estéticos de pós-guerra.    Joselito seria certamente merecedor de um estudo mais aprofundado, não só pelo seu trabalho mas também pela influência que exerceu sobre algumas gerações de crianças brasileiras que embalaram muitos de seus sonhos nos textos de Vicente Guimarães e nessas imagens.  Suas mais famosas ilustrações, no mundo das crianças, talvez sejam as das aventuras de João Bolinha, de Vicente Guimarães.    Abaixo seguem as ilustrações de página inteira do livro Princesinha do Castelo Vermelho.   Há muitas outras ilustrações nesse livro, em preto e branco, que tenho esperanças de colocar mais tarde no blog.  Espero que ao final, vocês concordem comigo sobre a necessidade de conhecermos melhor aqueles que tanto influenciaram gerações de brasileirinhos.  Isso é válido também para outros ilustradores que tempo e espaço permitindo iremos conhecendo ao longo dos próximos anos… 

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo 1

Mireninha gostava imensamente dos animais e nunca os maltratava.  Sua distração predileta consistia em ouvir o canto dos passarinhos no pomar.” 

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

 Capítulo I

“A menina procurou o passarinho e foi encontrá-lo preso em grossa teia de aranha.  Estava cansado de tanto debater com uma das asas.  A outra emaranhara-se nos fios.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo II

“Quem teria rebentado?  Ninguém sabia responder.  Finalmente, acusaram a arrumadeira de quarto, que se chamava Amélia e era muuito amiga de Mireninha, a quem sempre contava lindas histórias.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo II

“Na varanda estava o papagaio, triste e mudo. Mireninha pegou a ave e começou a alisá-la:”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo III

“Todo dia a menina voltava à caverna da pedreira para palestrar com seus novos e encantadores amigos e com a linda fada que lhe dera o dom de compreender a linguagem dos bichos.” 

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo III

“Com a chegada da lua, a menina mais enlevada ficou.  Sentou-se nas grossas raízes de uma velha mangueira para descansar um pouco.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IV

” Uma tarde, ela estava jogando milho para as pombas, quando, de longe, veio vindo um pombo cinzento, grande, de pescoço grosso e topete.  Pousou na cerca de arame e dali voou para o ombro da Princesinha.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IV

“Assim que a argola foi retirada, o pombo transformou-se em um belo jovem.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo V

“Quando esta, no dia seguinte, se acercou do lago, encontrou seus amigos, nadando, alvoroçados, de um lado para o outro.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo V

“Assim que ela chegou as águas moveram-se com mais força e delas emergiu um peixe grande, muito vermelho,com escamas douradas e linda coroa na cabeça.  Era o rei dos peixinhos dourados.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VI

“O caçador chamava-se Saulo, porém era mais conhecido pela alcunha de ‘O moço da cara preta’.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VI

“Uma vez, eu e Mário, meu colega de escola, passávamos perto da chácara do avarento e vimos, dependurados nos galhos, lindas mangas madurinhas.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VII

” As águas do lago começarama subir, surgiram algumas bolhas e, em seguida, apareceu o rei dos peixes.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VII

“A fada bateu a varinha de condão, e apareceu uma linda carruagem, puxada por inúmeras parelhas de passarinhos verdes, de peito amarelo  e topete vermelho.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VIII

“Ainda não havia penetrado no bosque, quando avistou, à beira do caminho,mpequeninas frutas vermelhas, que pareciam saborosas.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo VIII

“Era uma grande onça malhada, estirada no chão, à sombra da  velha gameleira.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IX

“Nisto, apareceu-lhe um morcego preto, trazendo no pé uma flor amarela.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo IX

“A Fada apareceu e perguntou o que a menina desejava.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo X

“Do lago dos peixinhos dourados, ia a princesinha para o jardim, apreciar as flores.”

Joselito, Ilustração para A princesinha do castelo vermelho, de Vicente Guimarães, 1950

Capítulo X

“O mais deslumbrante acontecimento do dia do casamento foi a manifestação dos passarinhos.”

Aqui estão as vinte ilustrações — duas para cada capítulo — feitas por Joselito para esse livro.  O texto em azul fui eu mesma que escolhi como significante para as imagens mostradas, mas no livro essas ilustrações coloridas são de página inteira e não têm nenhum texto ligado a elas.  Há muitas outras ilustrações em preto e branco, também feitas por ele,  com gosto e um bocado de humor.  Vou postá-las numa outra ocasião. 





Currículo, poema de Gilberto Mendonça Teles

13 09 2011

Estudante, s/d

Roberto de Souza ( Brasil, 1943)

óleo sobre tela,  88 x 55 cm

Currículo

Gilberto Mendonça Teles

Fiz meu curso de madureza,

passei nos testes com bom conceito:

conheço tudo de cama e mesa,

tenho diplomas dentro do peito.

Aluno médio de neolatinas,

vi línguas mortas, literaturas…

Mas eram tantas as disciplinas,

as biografias, nomenclaturas,

tantos os rumos na encruzilhada,

tantas matérias sem conteúdo,

que acabei não sabendo nada,

embora mestre de quase tudo.

Doutor em letras, as minhas cartas

são andorinhas nos vãos dos templos;

ensino o fino das coisas fartas

e amores livres com bons exemplos.

Livre-docente, sou indecente

e nunca ensino o pulo-do-gato:

esta a razão por que há sempre gente

contra o meu jeito de liter-rato.

Com tantos títulos e uma musa,

sou titular, mas jogo na extrema:

o ponta-esquerda que nunca cruza,

que sempre dribla nalgum poema.

Sou bem casado, mas já fiz bodas;

Já fui cassado, tive anistia:

e, buliçoso, conheço todas

as coisas boas de cada dia.

Só não conheço o que mais excita,

o que me envolve por todo lado:

talvez a essência da coisa escrita,

talvez a forma de um mau-olhado.

Em: Plural de nuvens, Gilberto Mendonça Teles, Rio de Janeiro, José Olympio: 1990

Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931) é um poeta e crítico literário brasileiro.

Obras:

Alvorada, 1955.

Estrela-d’Alva, 1958

Fábula de Fogo, 1961

Pássaro de Pedra, 1962

Sonetos do Azul sem Tempo, 1964

Sintaxe Invisível, 1967

La Palabra Perdida (Antología),1967

A Raíz da Fala, 1972

Arte de Armar. Rio de de Janeiro: Imago, 1977

Poemas Reunidos, 1978

Plural de Nuvens, 1984

Sociologia Goiana, 1982

Hora Aberta, 1986

Palavra (Antologia Poética),1990

L ´Animal (Anthologie Poétique), 1990

Nominais, 1993

Os Melhores Poemas de Gilberto Mendonça Teles

Sonetos (Reunião), 1998

Casa de Vidrio (Antología Poética, 1999





Primavera, poema de Olegário Mariano

9 09 2011

Ilustração assinada como MEE.

Primavera

                                               Olegário Mariano

Terra florida.  Estação nova.  Tanta

Vida em redor!  Ser folha quem dera!

Cada arbusto que vejo é uma garganta,

Um grito de entusiasmo à Primavera!

Bendito o sol que no alto céu flameja

E desce em fogo pelas serranias…

O sol é um velho sátiro que beija

Sofregamente as árvores esguias.

Anda, toto pelo ar, espanejante,

Um enxame fantástico de abelhas

Que estonteadoramente paira diante

De corolas e pétalas vermelhas.

Vida para o trabalho!  Ouve-se o coro

Dos lavradores e das raparigas…

Ondula ao sol, como um penacho de ouro,

A cabeleira fulva das espigas.

Primavera! No teu aspecto antigo,

Alucinante e triste muitas vezes,

Quando chegas pelo ar trazes contigo

Calma e fartura para os camponeses.

Dá arrepios fortes e desejos…

Teu nome é seiva, é força, é mocidade…

A terra anda a clamar pelos teus beijos

Que são sementes da fecundidade.

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, Olegário Mariano, vol 1 ( 1911-1931), Rio de Janeiro, José Olympio:1957

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Brasil, 1889 — 1958) Usou também o pseudônimo João da Avenida, poeta, político e diplomata brasileiro. Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, substituindo Alberto de Oliveira que morrera e que, por sua vez, havia substituído Olavo Bilac. Membro da Academia Brasileira de Letras.

Obras:

Angelus , 1911

Sonetos, 1921

Evangelho da sombra e do silêncio, 1913

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac, 1917

Últimas Cigarras, 1920

Castelos na areia, 1922

Cidade maravilhosa, 1923

Bataclan, crônicas em verso, 1927

Canto da minha terra, 1931

Destino, 1931

Poemas de amor e de saudade, 1932

Teatro, 1932

Antologia de tradutores, 1932

Poesias escolhidas, 1932

O amor na poesia brasileira, 1933

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso, 1933

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas, 1937

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência, 1939

Em louvor da língua portuguesa, 1940

A vida que já vivi, memórias, 1945

Quando vem baixando o crepúsculo, 1945

Cantigas de encurtar caminho, 1949

Tangará conta histórias, poesia infantil, 1953

Toda uma vida de poesia, 2 vols., 1957