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Beijo, ilustração de Harrison Fisher (EUA, 1875-1934)
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Meu beijo é bem diferente
dos beijos que os outros dão:
eles beijam, simplesmente,
eu… beijo, com o coração.
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(Rômulo Cavalcante Mota)
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Meu beijo é bem diferente
dos beijos que os outros dão:
eles beijam, simplesmente,
eu… beijo, com o coração.
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(Rômulo Cavalcante Mota)
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Cartão Postal.–
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Peg Bracken
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Recebi esta semana um email com diversas imagens que nos dão ilusão de ótica. Já tratamos desse assunto aqui. E uma delas usamos como ilustração do poema Romance ingênuo de duas linhas paralelas, de José Fanha. Incentivo todos a conhecerem esse delicioso poema clicando no link. Mas a versão que usamos naquela postagem de 2009 não é colorida. Hoje postarei em seguida as imagens que recebi. Infelizmente elas vieram sem autoria, de modo que não posso passar para vocês o autor da coletânea, mas pela maneira de escrever deve ser português. Divirtam-se.
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Washington Irving
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Nascidas no Jardim Zoológico de Londres este par de fuinhas sul-africanas (meerkat) chega pela primeira vez à beira da toca. Curiosas e interessadas na vida do lado de fora, mostraram-se bem alertas, mas sem coragem de colocar uma patinha sequer do lado de fora, mesmo tendo uma plateia humana lhes dando incentivos para que saíssem dali. As fuinhas sul-africanas nascem em tocas de famílias de fuinhas, famílias grandes de até 30 membros. Essas tocas são feitas de buracos que se comunicam uns com os outros num sistemas bastante complexo de tuneis. Em geral as fuinhas bebês ficam na toca durante as primeiras duas a três semanas de vida.
Fonte: Daily Mail
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Murucututu
Chico Martins (Brasil, contemporâneo)
aquarela
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Wilson W. Rodrigues
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Aquele ruflar agitado de asas acordava todos na floresta, fosse noite escura, fosse noite estrelada, fosse noite de lua.
A corujinha, curiosa, perguntava:
— Que é que ele vai fazer, mamãe?
A Coruja-mãe, anideando-a sob as asas, respondia sempre:
— Dorme, filhinha.
Na perambeira, Gavião-mirim espigava a cabecinha para vê-lo passar, mas o Gavião puxava o filho para o buraco:
— Deixa de ser metediço.
Mais adiante o Murucututuzinho, assustado, também indagava:
— Para onde ele vai tão depressa?
E o velho Murucututu:
— Cala a boca, netinho.
Lá para a Serra, o Araguari-menino, abandonado pelos pais, sempre o via passar voando. E como não tinha ninguém para perguntar, numa madrugada gritou para o viajante noturno:
— Passarinho que voas tanto e todas as noites passas por aqui, para onde vais tão ligeiro e tão feliz?
E o Sem-Fim respondeu:
— Vou buscar o Sol. Vou buscar o Sol.
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Em: Contos do Rei Sol, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, Editora Torre, s/d; ilustrado por Percy Lau.
Wilson Woodrow Rodrigues (Brasil, 1916) Nasceu em Salvador, BA. Foi poeta, folclorista e jornalista, escritor e professor.
Obras:
A caveirinha do preá, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Desnovelando, Arca ed., s/d, Rio de Janeiro
O galo da campina, Arca ed,: s/d, Rio de Janeiro
O pintainho, Arca ed.: s/d, Rio de Janeiro
Por que a onça ficou pintada, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A rãzinha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Três potes, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
O bicho-folha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
A carapuça vermelha, Arca ed:s/d, Rio de Janeiro
Bahia flor, 1948 (poesias)
Folclore Coreográfico do Brasil, 1953
Contos, s/d
Contos do Rei-sol, s/d
Contos dos caminhos, s/d
Pai João, 1952
Lendas do Brasil, s/d
Sombra de Deus, s/d
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Cartão postal, circa 1900.–
Esta postagem tem tudo a ver com a anterior, quando vimos como a bicicleta foi uma boa contribuição para a independência das mulheres. Vimos também como elas podiam ser mal vistas por terem a audácia de dependenrem desse meio de transporte. Aqui estão 3 postais que datam dos últimos anos do século XIX, contando uma pequena história sobre essa mulher ciclista. E de quebra a sequência confirma todos os preconceitos gerados por essa atividade abraçada pelo sexo feminino. Os postais estão em ordem. O primeiro aí em cima e os outros dois seguem. Divirtam-se.
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Cartão postal, circa 1900.–
Cartão Postal, circa 1900.–
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A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim,com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.
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(Miguel Russowsky)
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Sérgio Caparelli
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O tatu cava um buraco
a procura de uma lebre,
quando sai pra se coçar,
já está em Porto Alegre.
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O tatu cava um buraco,
e fura a terra com gana
quando sai pra respirar
já está em Copacabana.
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O tatu cava um buraco
e retira a terra aos montes,
quando sai pra beber água
já está em Belo Horizonte.
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O tatu cava um buraco
dia e noite, noite e dia,
quando sai pra descansar,
já está lá na Bahia.
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O tatu cava um buraco,
tira a terra, muita terra,
quando sai por falta de ar,
já está na Inglaterra.
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O tatu cava um buraco
e some dentro do chão,
quando sai pra respirar,
já está lá no Japão.
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O tatu cava um buraco
com as garras muito fortes,
quando quer se refrescar
já está no Polo Norte.
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O tatu cava um buraco
um buraco muito fundo,
quando sai pra descansar
já está no fim do mundo.
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O tatu cava um buraco,
perde o fôlego, geme, sua,
quando quer voltar atrás,
leva um susto, está na lua.
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Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre, LPM: 2000, 27ª edição
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Há algumas extremosas no meu bairro. Sei que elas são muitas vezes vistas com desagrado, quase como uma praga, porque foram usadas para a arborização em muitas cidades brasileiras, em ruas movimentadas, em detrimento de outras espécies. Nessa escolha importaram as qualidades: beleza, baixa altura, raízes que não destroem as calçadas e resistência. A extremosa ou resedá não é nativa do Brasil e pode criar problemas para muitas das árvores nativas de maior porte. Talvez seja por isso, que nos EUA, nos estados onde morei – Maryland, Virginia, Washington DC e Carolina do Norte– elas são usadas em grande escala só nos canteiros do meio das estradas, embelezando, delimitando e, por causa de sua baixa estatura, ajudando a bloquear a luz de caminhões vindos no sentido contrário. Também são usadas nas beira de estradas, com uma boa separação de grama entre elas e a vegetação nativa. Podemos ver na foto abaixo, um exemplo de como são usadas. Claro que muitas pessoas plantam resedás em seu jardim, mas simplesmente como um foco de cor para o verão, uma única árvore, onde podem ser vigilantes quanto às pragas.
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Por que elas são olhadas com desconfiança? Sua praticidade – fácil reprodução, manutenção e raízes que não prejudicam calçadas – levou muitos municípios brasileiros a plantarem quase que exclusivamente as extremosas em suas vias públicas. Isso não só leva à possibilidade de monocultura, como pode afetar as árvores nativas porque o resedá é suscetível ao abrigo de pragas, como erva de passarinho, que vivem da habilidade de extrair seus nutrientes das árvores em que se instalam. Seu uso tem sido desencorajado. Mas mesmo assim, é um belo respingo de cor na paisagem, que, aqui no Rio de Janeiro, atravessa duas estações: primavera, verão.
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Natural da Índia e da China, os primeiros pés de extremosa foram trazidos para os EUA ainda no século XVIII, mais precisamente em 1790, pelo botânico francês André Michaux (1746-1802), autor entre outros das obras: Histoire des chênes de l’Amérique, 1801 [História dos carvalhos da América] e Flora Boreali-Americana, 1803 [Flora da América do Norte].
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A extremosa (Lagerstroemia indica) recebe diversos nomes no Brasil: Resedá, Suspiros, Julieta, Árvore-de-júpiter, Flor-de-merenda, Mumiquilho. Caiu no gosto popular por causa de sua função decorativa. Tem flores em forma de espigas. Dependendo da região onde é plantada floresce no verão ou no verão e na primavera (como é o caso aqui no Rio de Janeiro, onde a primavera é quente). Suas flores podem ser de três cores: branca, rosa ou vermelha. Deve ser podada durante o inverno e as flores aparecerão na ponta dos ramos que foram podados. Suas folhas são elípticas alongadas. Nas regiões frias a árvore perde todas as folhas no inverno. Chega aos 6 metros de altura.
Para maiores informações: