Miçanga, poema de Wilson W. Rodrigues

12 04 2016

 

chuva,Tatsuro KiuchiChuva, ilustração de Tatsuro Kiuchi.

 

 

Miçanga

 

Wilson W. Rodrigues

 

Chuva — miçangas do céu

de um invisível colar

que na amplidão se partiu

veio na terra tombar.

 

Chuva — miçangas do céu

feita de pingos de luz;

cada pingo — estojo d’água

que um diamante conduz.

 

Chuva — miçangas do céu

do colar que se partiu;

miçanga — orvalho perdido

que no seu peito luziu.

 

Em: Bahia Flor – Poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: s/d, p. 127

 

 

Nota: Na publicação original a palavra miçangas encontra-se escrita com dois esses — missangas.  Ambas as formas: miçangas e missangas estão corretas.  No entanto, desde a publicação deste livro [acredito que tenha sido publicado nos anos 50 do século passado] convencionou-se que a forma missanga é a correta em Portugal enquanto que a forma miçanga é a correta no Brasil.  Assim, ao postar este poema troquei a grafia para corresponder à forma correta no Brasil.





Trova do Descobrimento do Brasil

10 04 2016

 

 

elifas_andreato_-_brasilIlustração Elifas Andreato.

 

 

“Terra à vista!” – Um grito intenso

soou nos céus, como um cântico,

e o Brasil surgiu, imenso,

num parto às margens do Atlântico!

 

(José Ouverney)





Aprendendo a ler: o que saber até os cinco anos de idade

10 04 2016

 

 

Mark Gingerich (EUA) a aula de leitura,ostcm, 35 x 28 cmA aula de leitura

Mark Gingerish (EUA, 1962)

óleo sobre tela colada em madeira, 35 x 28 cm

www.markgingerish.com

 

 

A Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children’s Reading Foundation) nos EUA tem em sua página uma pequena lista aconselhando as famílias sobre aquilo que seria razoável para um criança de cinco anos saber antes de entrar na escola.  Reproduzo aqui, a título de curiosidade.

Aos cinco anos de idade sua criança pode:

 

♦ ouvir uma história e contá-la com início, meio e fim.

♦ conhecer de 12 a 15 letras maiúsculas (A, B, C)

♦ conhecer de 12 a 15 letras minúsculas (a, b, c)

♦ conhecer o som de 12 a 15 letras

♦ recitar de 10 a 15 quadrinhas infantis [ex: batatinha quando nasce…]

♦ conhecer alguns conceito básicos, como leitura é feita da esquerda para a direita, significado vem das palavras, figuras ajudam a entender

♦ falar em sentenças completas

♦ Escrever seu primeiro nome com letras maiúsculas e minúsculas

 

Não é muito difícil fazer isso.  Mamães, papais, titios e vovós, mãos à obra.





Trova da lição do rio

9 04 2016

 

 

rio, atravessando o riacho, margret boriss“O mundo pertence aos corajosos”, ilustração de Margret Boriss.

 

Jamais esqueça, meu filho,

do rio a grande lição:

quando mais rude o seu trilho,

mais bela sua canção.

 

(José Nogueira da Costa)





Trova da espera

5 04 2016

 

moça com passarinho, Jocelyne Pache, 1969Moça com passarinho, de Jocelyne Pache, 1969.

 

 

Não mais te quero esperar,

Que esperar é sofrimento…

Vou, desde já, começar

A esperar o esquecimento!…

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

 





Eu, pintor: Claude Monet

17 03 2016

 

 

1vario01Autorretrato com boina, 1886

Claude Monet (França, 1840-1926)

óleo sobre tela, 56 x 46 cm

Coleção Particular





Tempos, poesia de J. G. de Araújo Jorge

15 03 2016

 

 

avião amareloIlustração por Hergé.

 

 

Tempos

 

J. G. Araújo Jorge

 

 

Hoje

quando na minha rua de arranha-céus

passou um realejo trauteando a “viúva alegre”

as crianças correram alvoroçadas

para ver…

 

No meu tempo

era o avião.

 

 

Em: A outra face, J. G. de Araújo Jorge, Rio de Janeiro, Vecchi:1958, 2ª edição, p. 175.





Destino, poema de Menotti del Picchia

10 03 2016

 

 

Goeldi,Oswaldo(1895-1961)pescador,1973,xilo,25x37Pescador, 1973

[Tiragem póstuma por Reynal]

Oswaldo Goeldi (Brasil, 1895-1961)

Xilogravura policromada

 

 

Destino

 

Menotti del Picchia

 

 

Amanhã eu vou pescar.

 

Há um peixe fatalizado

que a Ritinha vai guisar

na panela de alumínio

que brilha mais que o luar.

Hoje ele está no seu líquido

e opaco mundo lunar,

pequena seta de prata

furando a carne do mar.

 

Qual será? O bagre flácido

de cabeça triangular?

O lambari que faísca

como uma mola a vibrar?

O feio e molengo polvo,

monstruoso, tentacular?

O peixe-espada, de níquel,

a viva espada do mar?

 

Hoje estão vivos e lépidos

os lindos peixes do mar.

Amanhã…

 

Nem pensem nisso!

 

Amanhã eu vou pescar…

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 55.





Noite de autógrafos… a etiqueta.

23 02 2016

 

The Book Signing. Collier’s Magazine illustration (1950s). J. FrederickNoite de autógrafos, ilustração de J. Frederick, para Collier’s Magazine, década de 1950.

 

Noite de autógrafos

Caso você seja amigo do autor, não deixe de prestigiá-lo. Não é obrigatório comprar um livro; sua presença é o mais importante.

Caso compre o livro, espere na fila pelo autógrafo, como os demais. Não importa sua intimidade com o autor.

Não compre livros para ‘apenas’ dez amigos que não puderam comparecer e nem peça para que sejam autografados.  Use o bom senso.

Estar arrumado é uma atitude de respeito e consideração; respeite os trajes pedidos em convites.

Não fique muito tempo no coquetel após o autógrafo. Vá embora e respeite o provável cansaço do autor.

 

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 127-8.





Trova do aprendizado

19 02 2016
moça chapéu de palha Harrison Fisher (1875 - 1934)Moça com chapéu de palha, Ilustração de Harrison Fisher.

 

 

Na vida que vou vivendo,

Muitas coisas aprendi;

E, afinal, fiquei sabendo:

Não posso passar sem ti.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)