Noite com arco-íris,1991
Ivan Freitas (Brasil, 1932-2003)
acrílica sobre tela (aerografo), 85 x 100 cm
Noite de luar,1989
Glauco Rodrigues (Brasil,1929-2004)
óleo sobre tela, 60 x 73cm
Noite com arco-íris,1991
Ivan Freitas (Brasil, 1932-2003)
acrílica sobre tela (aerografo), 85 x 100 cm
Noite de luar,1989
Glauco Rodrigues (Brasil,1929-2004)
óleo sobre tela, 60 x 73cm
Flores
Vera Sabino (Brasil, 1949)
acrílica sobre tela
Vaso com flores na janela, 1990
Lia Mittarakis (Brasil,1934-1998)
óleo sobre eucatex, 73 x 53 cm
Ontem a cerração na praia de Copacabana estava densa. Pouco depois das seis da manhã, não se podia ver nem os sinais de trânsito no meio das pistas quase desertas de carros. Difícil atravessar o asfalto para chegar à calçada junto à areia. Não é muito comum esse tipo de neblina espessa adentrando o calçadão. Muitas vezes vemos névoa deitada em alto-mar, embaçando o horizonte. Não fica por muito tempo. Logo o sol tropical parece expulsar toda umidade dessas nuvens baixinhas. Mas cobrindo parte da areia, antes do quebra-mar, é incomum. Minha caminhada foi acompanhada pelo som dos longos apitos de embarcações invisíveis, escondidas pelo ruço da manhã, ao saírem da baía de Guanabara em direção sul. Justamente próximo ao Forte de Copacabana, onde começo minha caminhada diária, os navios aumentavam a frequência e a duração dos apitos. Esse melancólico som que, para os que moram próximo à praia, é familiar, pareceu mais solitário. Ouvir tão perto o lamento de naves fantasmas deu ao início da manhã um ar nostálgico. E os atletas, que se exercitavam na areia ao sol nascer, tornaram-se seres ilusórios, fantasmas de si mesmos a menos de dez metros de distância. Já não se sabia quem eram. Tudo parecia irreal nessa manhã.
Sou parcial a neblinas. Gosto dessas cortinas de nuvens que insistem em nos rodear em alguns lugares. Hoje, quando voltei para casa lembrei-me de Coimbra, e dos dois anos em que lá morei. Uma das memórias encantadoras que tenho da cidade são suas manhãs nebulosas. Morávamos próximo à Praça da República, numa ladeira que desembocava na rua Almeida Garrett. O que não é ladeira nessa cidade? Não fosse pelas casas à frente de nossa janela, de onde, empoleirados no lado mais alto da subida, víamos as telhas vermelhas de seus telhados e mais adiante os telhados de outras construções, talvez tivéssemos podido observar, ainda que de longe, a série de edifícios de dois e três andares que perfilam, unidos uns aos outros, em sentinela, um dos lados da praça. Como se estivéssemos numa plataforma, numa vigia de viúva, essa peça arquitetônica das casas à beira-mar no nordeste dos Estados Unidos, podíamos ver à nossa frente um vasto horizonte, um mar de telhados, algumas copas de árvores em descida íngreme e ao fundo, elevando-se solitária, a colina central da cidade, em cujo topo, parcialmente descobertas, como se tímidas fossem, reinavam as construções centenárias dos prédios da universidade e a torre do relógio.
No entanto, essa vista esplendorosa de nossa janela só podia ser apreciada, na maioria dos dias do ano, depois das dez da manhã. Porque antes disso, densa neblina se acomodava à noite, aninhada por entre os altos e baixos da cidade, entrando pelos jardins, tomando as bordas urbanas, fazendo moradia nos ermos da cidade. Não podíamos ver nada além de uma barreira branca acinzentada, algodão doce gigantesco, que insistia em se dissipar lentamente, sugado aos poucos pelos raios de sol matinais. Por causa dessa névoa espessa, cobertor orvalhado, que penetrava cada esquina, beco, ruela pitoresca, tínhamos a impressão de que os primeiros sons da manhã também se sobressaíam, assim como no meu passeio na praia de Copacabana ouvi, com mais atenção, o lamento dos apitos dos navios em alto mar. Em Coimbra, na nossa rua, percebíamos da janela do quarto, com a cidade ainda em silêncio às oito horas da manhã, os passos de pedestres ressoando alto no asfalto; pareciam passar por dentro de nossa habitação. Os numerosos gatos de rua, miavam com mais sofrer, esperando pelo sol. Queriam voltar a esquentar-se encarapitados nos lugares mais altos dos telhados. Alimentados por moradores atenciosos, esses bichanos quase selvagens, ocupavam também a esquina à nossa frente, passando horas e horas no calorzinho aconchegante das telhas de barro. A vida em Coimbra, para nós, que vínhamos de cidade grande, era mais indolente, com inúmeros momentos a serem degustados lentamente. Sempre tive para mim, que a névoa da manhã ritmava o dia e deixava que acordássemos vagarosamente, para depois também juntarmos o som dos nossos passos no caminho, aos dos demais habitantes: nosso destino, no entanto, era um café na praça e a leitura do jornal matutino. Esses anos em que moramos lá, ainda têm para mim um quê de mágicos e as manhãs enevoadas vestem de encantamento nostálgico essa estadia.
©Ladyce West, Rio de Janeiro, março de 2025

Lagoa Rodrigo de Freitas, 1894
João Baptista da Costa (Brasil, 1865-1926)
óleo sobre madeira, 25 x 61 cm
Há tempos eu não trago o verde do meu bairro para o blog. Esteve por muitos anos entre as postagens favoritas daqui. Em parte porque meu telefone antigo, o que uso para andar na rua, não produz mais fotos tão boas pelos padrões de hoje, e nas horas em que geralmente ando pela cidade, no calor que tem feito, as ruas estão mais desertas. Também porque ando vendo muito do mesmo nas ruas por que ando aqui no meu canto do Rio de Janeiro. Ontem, olhando para cima, eu me deparei com as flores em forma de longos dedos cobertos de florzinhas vermelhas, nessa árvore no Posto 6 de Copacabana na divisa com Ipanema. Custei a achar seu nome. Acabei consultando uma amiga bem mais versada no assunto. Essa é a Schefflera actinophylla, conhecida no Brasil como árvore guarda-chuva, árvore-polvo, brassaia, cheflerão.
Fiquei surpresa de ser uma Schefflera. Porque as Scheffleras que eu conhecia até hoje eram arbustos. Na verdade, tive uma em vaso, dentro de casa nos Estados Unidos, por mais de 20 anos. Ela cresceu até uns 150 cm. Mas nunca deu flor, e nunca soube que daria flor.
Apesar de sua aparência tropical não é natural do Brasil. É nativa das florestas tropicais chuvosas da Austrália, Nova Guiné e Java. Minha pesquisa na internet me diz que é usada principalmente como árvore decorativa de grandes jardins. Aqui em Copanema [nome dado pelos moradores a esse quase bairro de Copacabana e Ipanema] ela tem características de que não foi plantada como parte do planejamento urbano da cidade, mas por algum morador, que a plantou em espaço deixado por outra árvore que morreu.
Muitos talvez não saibam que as ruas da cidade têm árvores que dão sombra, regularmente plantadas pela prefeitura, principalmente nos bairros da zona sul. Essa aqui parece não estar muito feliz, parece estar um tantinho estressada, principalmente quando comparamos com uma árvore dessas bem tratada como a da foto abaixo. Mas enfeita esse canto do Rio de Janeiro.
Portrait of Benedictus de Spinoza, c. 1665
Anônimo
óleo sobre tela
Biblioteca Herzog August, Wolfenbüttel
Biografias de intelectuais famosos, pensadores, podem facilmente se tornar narrativas que se perdem nas explicações teóricas sobre as contribuições dos retratados. Essas podem desinteressar o leitor comum, nem sempre motivado para aulas teóricas na leitura de entretenimento. Ou, na tentativa de agradar a maior público esses livros podem pecar também ao passarem por cima de teoria representativa da contribuição dos biografados no intuito do texto ser melhor digerido pelo público não especializado. Esse não é o caso de O segredo de Espinosa, de José Rodrigues dos Santos [Planeta: 2023]. Esse é um livro muito bem escrito, cobrindo a vida do filósofo Baruch Espinosa, nascido na Holanda, judeu marrano de origem portuguesa. que trata por meio de diálogos, uma boa parte dos posicionamentos de Espinoza, fazendo-os acessíveis ao leitor sem entediá-lo.
Essas ponderações são ainda mais pertinentes quando se trata de uma obra que traz ao leitor o papel da religião no dia a dia, assim como na vida do Estado. Espinosa foi um dos grandes defensores da separação entre Igreja e Estado. Levando a racionalidade de Descartes a nível não imaginado anteriormente. Considerado o filósofo que abre a era da modernidade nos estudos filosóficos, ele está hoje entre os filósofos mais influentes do mundo atual. Toda essa importância poderia tornar O segredo de Espinosa difícil de ler, difícil de interpretar, mas José Rodrigues dos Santos fez um excelente trabalho cobrindo desde a infância de Espinosa até seus últimos dias.
Além de ser fiel aos argumentos de Baruch Espinosa, José Rodrigues dos Santos presenteia o leitor com deliciosas vinhetas da vida na Holanda do século XVII, historicamente confirmadas, assim como eloquentes cenas da política local, da população em revolta. Não se recusa tampouco a delinear com precisão as questões religiosas e culturais complexas da época.
“Ao longo da Breestraat viam-se as lojas e os armazéns a exibirem os produtos mais variados; muitos provenientes de empresas neerlandesas como a Companhia das Índias Orientais e a Companhia das Índias Ocidentais, outros de empresas portuguesas como a Carreira das Índias e a Companhia Geral do Comércio do Brasil, outros ainda de navios oriundos de Veneza, de Antuérpia, de Hamburgo ou de outros pontos, incluindo saques efetuados por corsários marroquinos. As prateleiras enchiam-se assim de porcelanas de Cantão e de Nuremberg, tapetes de Esmirna, tulipas de Constantinopla, sedas de Bombaim e de Lyon, pimenta das Molucas, sal de Setúbal, linho branco de Haarlem, lã de Málaga, faiança de Delft, sumagre do Porto, açúcar do Recife, madeira de Bjørgvin, tabaco de Curaçau, marfim de Mina, azeite de Faro. Havia ali de tudo e de toda a parte, como se o bairro português de Amsterdã fosse o bazar dos bazares, o mercado do mundo.“
Esse é um romance histórico, uma biografia cuidadosamente construída, que explora a maneira como Espinosa desenvolveu levou adiante as ideias de Descartes. A obra afirma a retidão de seu caráter, expõe a maneira como as publicações se espalhavam no século XVII, e trabalha a narrativa de tal forma que o leitor não deseja parar de ler. Foi um presente conhecer esse autor português. Irei procurar outras de suas obras. Recomendo sem qualquer restrição, foi para minha lista de favoritos.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Natureza morta, 1947
Christina Balbão (Brasil, 1917-2007)
pastel sobre papel, 48x66cm
UFRGS
Objetos sobre a mesa, 2004
Victor Arruda (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 130 x 110 cm
Paisagem com casario em Caxambu, MG, 1952
Virgílio Tenório Filho (Brasil, ?)
óleo sobre madeira, 29 x 35 cm
Beryl
Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)
óleo sobre tela, 71 X 58 cm
Figura femina, 1961
Edgar Oehlmeyer (Brasil, 1909-1967)
óleo sobre placa, 40 x 30 cm
Figura feminina, 2018
Ney Cardoso (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 74 x 65 cm
Camponesa, 1927
Rodolpho Amoêdo (Brasil,1857-1941)
óleo sobre cartão, 23 x 18 cm
Figura Feminina, 1952
Samson Flexor (Moldávia-Brasil, 1907-1971)
óleo sobre tela, 100 x 80 cm
Figura feminina, 1958
Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)
óleo sobre tela, 74 X 61cm
Hanna Andersen com cachorrinho no colo
Alfred Andersen (Noruega-Brasil, 1860-1935)
óleo sobre tela, 61 X 47 cm
Figura feminina
Antonio Gomide (Brasil, 1895-1967)
óleo sobre madeira, 30 x 22 cm
A jovem com chapéu de plumas, 1887
Augusto Duarte (Brasil,1848-1888)
óleo sobre madeira, 32 X 24 cm
Mulher com leque, Bahia, 1953
Tadashi Kaminagai (Japão-França, 1899-1982)
óleo sobre tela, 73 x 60 cm
Figura de mulher, 1956
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905 – 1974)
óleo sobre tela, 65 x 55 cm
Mercedes, 1943
Iberê Camargo (Brasil, 1914-1994)
óleo sobre tela, 46 x 42 cm
Retrato de mulher, década de 1890
João Timótheo da Costa (Brasil, 1879-1932)
óleo sobre tela, 56 x 56 cm
Sem título, 2013
Lucia Helena Redig de Campos (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm