Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)
óleo sobre madeira, 24 x 35 cm
Zinaida Serebriakova (Ucrânia, 1884-1967)
óleo sobre tela
Dizem que não há dor maior do que a da morte de um filho. Deve ser verdade. Mas a dor de quem perde um irmão é muito grande também, porque irmãos são as nossas referências de vida. Em circunstâncias normais eles foram os cúmplices de travessuras. Além disso eles nos mostram as variadas interpretações da mesma educação, do mesmo lar, dos mesmos pais. Muitos são nossos melhores amigos, aqueles que defendemos dos outros, que aprendemos a proteger. Irmãos são aqueles com quem conseguimos nos comunicar sem trocar palavras; com quem dividimos memórias da infância; percepções sobre outros, parentes, vizinhos, amigos. São aqueles com quem implicamos e que amamos profundamente. Eles são a nossa introdução à diversidade, a opiniões, gostos, maneiras de viver diferentes das nossas. São os únicos que se dão ao direito de nos criticar e que, por mal ou bem, ouvimos. Irmãos são aqueles que são sempre chamados pelo nome do outro, quando os pais se confundem; são também aqueles a quem nomeamos quando algo mal feito foi descoberto: “Foi o … [fulano], não fui eu…” Irmãos são aqueles seres com quem sempre podemos ser crianças, descer às familiares brincadeiras, as mais primárias, sem perdermos o respeito, mesmo depois de adultos. São em muitos casos as pessoas em quem mais confiamos, para quem fazemos sacrifícios muitas vezes heroicos, cujas mortes ou desaparecimentos mais nos ferem.
Esta semana meu cunhado faleceu. Ele era o único irmão, o mais velho, de meu marido. Tendo perdido meu irmão caçula há 11 anos, sei bem o deserto referencial que envolverá meu cara metade. Não importa a diferença de idades, não importa posturas políticas opostas, diferentes gostos no esporte, nos amigos, na maneira de viver, de rir, de chorar, do prazer no trabalho às escolhas amorosas. Não importa se um é conservador e o outro liberal, se um é religioso e o outro é ateu, a perda é muito maior do que se imagina. A cortina cai em um mundo inteiro de referências que formam a essência da nossa identidade. Ninguém mais poderá sorrir com olhos, silenciosamente, em uma reunião familiar quando alguém lembrar das piadas do tio caduca ou das manias do pai que reaparecem nos netos. Foram-se os momentos de reconhecimento da mãe refletida no irmão ou os relâmpagos de compreensão a nível mais profundo do que os amigos podem desconfiar. Acabou-se o conforto de que só os que se conhecem a vida inteira conseguem usufruir. Não haverá mais o cúmplice, o parceiro, o amigo. Conheço bem esse deserto. Por todas essas perdas sinto por meu marido. Sinto muito.
Esse relacionamento entre irmãos, descrito acima, pode não existir. Não é a realidade para todas as famílias. Cada um de nós conhece alguém que não se dá com seus irmãos. Sabemos de brigas, de traição, ciúmes e inveja entre membros da mesma família. A história mais antiga da natureza humana, Caim e Abel, exemplifica essa situação. Mas não é a norma, nem é inevitável. Ainda bem que meu marido e seu irmão puderam usufruir de um relacionamento equilibrado, de respeito mútuo, verdadeiramente fraterno. O falecimento de um deixa um vácuo imenso na vida do outro. Só o tempo acalmará a dor da perda.
©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2014
Uma das descobertas arqueológicas mais interessantes deste ano foi em Roma: um grupo de arqueólogos franceses e italianos descobriu a sala de jantar giratória no Domus Aurea enorme palácio do Imperador Nero, que governou o Império Romano de 54 a 68 aEC. Este palácio, que abrigava mais de 300 aposentos recobertos em mármore, foi construído imediatamente depois do grande incêndio de Roma, que para muitos havia sido iniciado pelo próprio imperador, com a intenção de abrir terreno para essa construção.
Preocupado com a diplomacia e com o comércio internacional Nero construiu este extravagante palácio para impressionar seus ilustres visitantes. A sala de jantar giratória, resultado de uma das mais sofisticadas e complexas estruturas da antiguidade fez parte dessa campanha diplomática, mostrando aos lideres ali recebidos todo o poder de Roma. A descoberta dessa sala de jantar confirma as descrições feitas pelo historiador Suetônio.
Até 2009 quando o Palácio de Nero foi descoberto, as descrições de Suetônio em A vida dos doze césares pareciam ser obra uma fantasiosa do historiador romano: uma estátua colossal de Nero de quase 40 m de altura, uma carreira de colunas de 1.500 metros de comprimento, lago, edifícios representando cidades, parreirais, bosques, animais exóticos… Uma construção coberta em folha de ouro, decorada com pedras semipreciosas e uma sala de jantar giratória pareciam resultado de uma imaginação fecunda. Mas faz cinco anos, a credibilidade de Suetônio ao descrever Nero e seu palácio começa a ser reavaliada e considerada bastante precisa. Agora é esperar para ver que detalhes do período do imperador Nero ainda serão descobertos no local.
Fonte: Ancient Origins
Jovem mulher de cabelos negros e brinco de esmeralda lendo, c. 1920
Emile Hornung (Suiça, 1883-1956)
pastel sobre papel, 60 x 45 cm
Arredores do Rio de Janeiro, década de 1950
Armando Viana (Brasil, 1897-1991)
óleo sobre tela, 53 x 65 cm
Pai querido, o imagino
com sua mão calejada,
lá no Infinito, um menino,
reflorindo a minha estrada! …
(Adelir Machado)