Uma leitura divertida
Fabio Cipolla (Itália, 1852-1935?)
óleo sobre tela, 28 x 54 cm
Coleção Particular
Uma leitura divertida
Fabio Cipolla (Itália, 1852-1935?)
óleo sobre tela, 28 x 54 cm
Coleção Particular
Pecado original, 2001
Júlio Passos (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 70 x 120 cm
Morango, 1998
Renato Meziat (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 100×100 cm
Vista de Itanhaém, 1911
Emídio de Souza (Brasil, 1868-1949)
óleo sobre tela colado em eucatex, 29 x 49 cm
Emina, lembranças do Oriente
Louis-Emile Pinel de Grandchamp (França, 1831-1894)
óleo sobre tela
Michel de Montaigne
Se ocasionalmente nos ocupássemos em nos examinar, e o tempo que gastamos para controlar os outros e para saber das coisas que estão fora de nós o empregássemos em nos sondar a nós mesmos, facilmente sentiríamos o quanto todo esse nosso composto é feito de peças frágeis e falhas. Acaso não é uma prova singular de imperfeição não conseguirmos assentar o nosso contentamento em coisa alguma, e que, mesmo por desejo e imaginação, esteja fora do nosso poder escolher o que nos é necessário? Disso dá bom testemunho a grande discussão que sempre houve entre os filósofos para descobrir qual é o soberano bem do homem, a qual ainda perdura e perdurará eternamente, sem solução e sem acordo: Enquanto nos escapa, o objecto do nosso desejo sempre nos parece preferível a qualquer outra coisa; vindo a desfrutá-lo, um outro desejo nasce em nós, e a nossa sede é sempre a mesma. (Lucrécio).
Não importa o que venhamos a conhecer e desfrutar, sentimos que não nos satisfaz, e perseguimos cobiçosos as coisas por vir e desconhecidas, pois as presentes não nos saciam; em minha opinião, não que elas não tenham o bastante com que nos saciar, mas é que nos apoderamos delas com mão doentia e desregrada: Pois ele viu que os mortais têm à sua disposição praticamente tudo o que é necessário para a vida; viu homens cumulados de riqueza, honra e glória, orgulhosos da boa reputação de seus ftlhos; e entretanto não havia um único que, em seu foro íntimo, não se remoesse de angústia e cujo coração não se oprimisse com queixas dolorosas; compreendeu então que o defeito estava no próprio recipiente, e que esse defeito corrompia tudo de bom que fosse colocado de fora em seu interior (Lucrécio).
O nosso apetite é indeciso e incerto: não sabe conservar coisa alguma, nem desfrutar nada da maneira certa. O homem, julgando que isso seja um defeito dessas coisas, acumula e alimenta-se de outras coisas que ele não sabe e não conhece, em que aplica os seus desejos e esperanças, honrando-as e reverenciando-as; como diz César: Por um vício comum da natureza, acontece termos mais confiança e também mais temor em relação às coisas que não vimos e que estão ocultas e desconhecidas.
Michel de Montaigne, Ensaios
Feira de São Cristovão, 1939 *
Sylvio Pinto (Brasil, 1918-1997)
óleo sobre madeira, 22 x 27 cm
* esta é a obra mais antiga que tenho arquivada de Sylvio Pinto, que tinha meros 21 anos quando a pintou.

DETALHE
Retrato de Mme Moitessier, 1857
Jean Auguste Dominique Ingres (França, 1780-1867)
Óleo sobre tela, 120 x 92 cm
National Gallery, Londres
Há pintores e obras de arte que crescem dentro de nós através dos anos. Jean Auguste Dominique Ingres é um dos pintores que cada vez que observo seu trabalho, mais ele me encanta. Poucos foram como ele capazes de transmitir a exuberância de uma joia ou a suavidade de um veludo. Detalhes de seus quadros são quase tão fascinantes quanto a obra inteira. Ainda que este broche de Mme Moitessier seja exemplar, com o brilho das pedras preciosas bem acentuado, não é o único aspecto que faz dessa obra uma peça que nos extasia. Por hoje ficamos observando essa riqueza de tons. Observemos o jogo do opaco com o brilhante no brocado da poltrona onde ela está sentada. Olhe só o delicado retratar do estampado de seu vestido e ao fazer isso quase conseguimos ouvir o farfalhar da seda que acompanhava o movimento da bela senhora toda vez que passava de um cômodo ao outro de sua residência. Uma beleza mesmo. Não é a toa que foi um dos pintores favoritos de Napoleão Bonaparte.
Ruth Rocha
Cantador canta tristeza,
canta alegria também.
É de sua natureza
cantar o mal e o bem.
Pois ele tem dentro dele
o canto que o canto tem…
Por isso, se o mar secar,
se cobra comprar sapato,
se cachorro virar gato,
se o mudo puder falar,
Se a chuva chover pra cima,
se barata for grã-fina,
Quando o embaixador for em cima,
Cantador vai se calar.
Autorretrato em sua biblioteca, 1878
Norbert Goeneutte (França, 1854-1894)
óleo sobre madeira, 35 x 27 cm