Expatriados, texto de Bharati Mukherjee

13 09 2015

 

Gli-Emigranti-raffigurazione-di-Angiolo-Tomasi-1895-Galleria-dArte-Moderna-di-RomaA saída dos imigrantes, 1896

Angiolo Tomasi (Itália, 1858-1923)

óleo sobre tela

Galeria de Arte Moderna, Roma

 

 

“Expatriação é um ato de quando alguém faz uma autoremoção sustentável, da sua própria cultura nativa; uma remoção contrabalançada pela resistência, determinada, a ser incluído totalmente à nova sociedade anfitriã. Os motivos de expatriação são tão numerosos quanto os expatriados: afinidade estética e intelectual; um emprego melhor ou uma vida mais interessante e menos complicada; maior liberdade ou simples melhoria de impostos, assim como os motivos para a não integração podem ir de  princípios pessoais, à nostalgia, preguiça ou medo.  A lista de expatriados conhecidos só no campo da literatura é imensa, rica em honrarias e respeitável: Henry James, T.S. Eliot, Joseph Conrad, V. S. Naipaul (antes de serem aceitos como cidadãos ingleses), Vladimir Nabokov, James Joyce, Samuel Beckett, Paul Bowles, Mavis Gallant, Gabriel Garcia Marquez, Witold Gombrowicz, Anthony Burgess, Graham Greene, Derek Walcott, Malcolm Lowry, Wilson Harris — nomes que, mesmo com algumas omissões óbvias qualquer audiência educada poderia preencher as lacunas, mas que, todos concordamos, chega ao ápice de qualquer lista das mais notáveis produções do século XX.

Eles são, na verdade, nossas maiores vozes do modernismo e do pós-modernismo; suas produções são enciclopédicas, suas visões irônicas e incisivas, suas análises imparciais e escrupulosas, seus estilos experimentais e cristalinos. Se o objetivo final da literatura é chegar à universalidade e uma espécie de onisciência divina, expatriação — a fuga da mesquinhez, das frustrantes irritações — pode ser o fator que mais contribui para isso.

O expatriado é o artista que constrói a si mesmo, até na escolha da língua em que vai se expressar, como Conrad, Beckett, Kundera e Nabokov mostram. … É possível na expatriação, sair das limitações em que se nasce e exercitar uma visão de estrangeiro desapegado. O expatriado húngaro, checo ou polonês de outra época, ou o iugoslavo, o bengalês, o argelino ou o palestino expatriado de hoje, pede só para que a cultura anfitriã o deixe manter o âmago estrangeiro sem comprometimento nem capitulação. Assim, o acordo é feito: eu serei um residente modelo em troca da sua tolerância e indiferença. Não atacarei os defeitos fundamentais da sua sociedade, com o mesmo zelo com que analisarei meu próprio povo. Imaginarei uma nova pátria construída em terra recuperada.”

 

Em: “Imagining Homelands”, Bharati Mukherjee, Letters of Transit: Reflexions on Exile, Identity, Language and Loss, ed. André Aciman, New York, The New Press: 1990, p. 71-72.
Tradução e edição Ladyce West.





Flores para um sábado perfeito!

12 09 2015

 

 

Wilson Tafner (1967)Vaso vermelhoAcrílico sobre tela100 x 120 cmVaso vermelho

Wilson Tafner (Brasil, 1967)

acrílica sobre tela, 100 x 120 cm





A estrada e o cavalinho, poesia infantil de Sérgio Caparelli

11 09 2015

 

cavalinho 2Chico Bento viaja de cavalinho, ilustração Maurício de Sousa.

 

 

A estrada e o cavalinho

 

Sérgio Caparelli

 

 

O cavalinho na estrada

pacatá, pacatá,

com sua sombra mais atrás

pacatá, pacatá.

 

Para ao lado de um riacho,

pacatá, pacatá,

e se vê no espelho d’água,

pacatá, pacatá.

 

Que água limpa e fresca,

pacatá, pacatá,

corre aqui, corre acolá,

pacatá, pacatá,

e uma sombra tão boa

pacatá, pacatá,

não vi noutro lugar,

pacatá, pacatá,

mas a estrada já me chama

pacatá, pacatá,

sempre está a me chamar,

pacatá, pacatá.

 

O cavalinho volta à estrada

pacatá, pacatá,

com sua sombra mais atrás,

pacatá, pacatá.

 

 

Em: Boi da cara preta, Sérgio Caparelli, Porto Alegre,  LPM: 2000, 27ª edição, p. 30.

 

 





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

10 09 2015

 

1949 Colliers Magazine Illustration by Fred IrvinIlustração de Fred Irvin, Colliers Magazine, 1949.

 

 

“Julgam os namorados que todos têm os olhos fechados.”

 





Palavras para lembrar — Haruki Murakami

10 09 2015

 

 

Reading - Nakamura Daizaburo (1898-1947)Leitura

Nakamura Daizaburo (Japão, 1898-1947)

 

 

“Se você só lê o mesmo que todo mundo lê, acaba pensando o mesmo que todo mundo pensa.” 

 

Haruki Murakami





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

9 09 2015

 

 

MANOEL SANTIAGO (1897 - 1987)Flores e frutos, déc60,o.s.t - 60 x 50Flores e frutos, década de 1960

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre tela, 60 x 50 cm





Sublinhando…

9 09 2015

 

 

Walter MacEwen (1860 – 1943) Girl Standing with BookMenina de pé com livro

Walter MacEwen ( EUA, 1860-1943)

óleo sobre tela, 87 x 61 cm

 

 

“A memória é uma paisagem contemplada de um comboio em movimento.”

 

José Eduardo Agualusa

 

Em: O vendedor de passados, Rio de Janeiro, Gryphus: 2004, p. 153.

 

RESENHA DO LIVRO





Imagem de leitura — Dario Regoyos

9 09 2015

 

 

Retrato de Dolores Otaño, 1892, Dario Regoyos (Espanha, 1857-1913), ost, 55 x 35 cm, Museu da Rainha Sofia,Retrato de Dolores Otaño, 1892

Dario Regoyos (Espanha, 1856-1913)

óleo sobre tela, 55 x 35 cm

Museu Rainha Sofia, Madri

 





Oito pequenos notáveis: livros inesquecíveis com menos de 200 páginas

8 09 2015

 

 

Still Life (French Novels) painting by Vincent van Gogh (c. 1888 Paris, France) Van Gogh Museum, Amsterdam, NetherlandsRomances franceses, 1888

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 73 x 53 cm

Museu van Gogh, Amsterdam

 

 

Tendo lido recentemente O sentido de um fim, de Julian Barnes, uma obra com meras 156 páginas, resolvi listar outras pequenas joias literárias que se apresentam de maneira sucinta e que nem por isso perdem o verdadeiro objetivo da boa literatura: mover o leitor a refletir.   Assim aqui vai mais uma lista para quem segue o blog, escolhido pela Peregrina.

 

Pequenos notáveis

Livros inesquecíveis com menos de 200 páginas

 

 

EM ORDEM ALFABÉTICA

 

As Avós de Doris Lessing

 

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Billy Budd, marinheiro de Herman Melville

 

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A Casa de Papel de Carlos Maria Dominguez

 

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A Fera na Selva de Henry James

 

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O Sentido de um fim de Julian Barnes, obra vencedora do Man Booker Prize de 2011.

 

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A Trégua de Mário Benedetti

 

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Vermelho Amargo de Bartolomeu Campos de Queirós

 

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24 horas na vida de uma mulher, de Stefan Zweig

 

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Mais algum que deixei de lado?  Tem que ser sensacional.  Obras com menos de 200 páginas existem aos borbotões.  Mas que deixem marcas no coração?

 





Nossas cidades — São Paulo

7 09 2015

 

 

Renato Neves, Viaduto sta Efigenia, sd, ast, 70 x100Viaduto Santa Efigênia, São Paulo,c. 2005

Renato Neves (Brasil, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 70 x 100 cm