Domingo…, trecho de Lêdo Ivo

29 06 2025

Pescaria deliciosa, 1984

Azor Feres (Brasil, 1911-2005)

óleo sovre tela, 50 x 70 cm

 

 

“Domingo é dia de pescaria – mas, evidentemente, só para quem sabe pescar. E nem sempre o pescador, armado de anzol, e tendo ao lado uma latinha com iscas, pode desempenhar seu ofício em isolamento semelhante ao daquele colega que, sentado a uma mesa, se dedica a capturar, no improfundável rio da vida, os fugidios peixes do espírito.

O curioso aproxima-se do pescador acomodado sobre as pedras, procura inteirar-se do seu sucesso, faz-lhe perguntas sobre o mar que, cativo de uma enseada, é apenas prateado pedaço de si mesmo, como uma pétala é flor. O homem que se desfatigara no silêncio e na espera sente-se, por sua vez, como um peixe que no fundo das águas, resiste à investida de um anzol dotado de imperdoável engodo. Desejaria não ser agarrado, naquele momento, por voz nenhuma, não beber esse elixir de curiosidade, tédio e convivência que as criaturas servem umas às outras, quando conversam. Diz que o mar está parco, e mostra-lhe o que angariou: uma cocoroca, alguma finas piabinhas cor-de-chumbo, dois gordos peixes-porcos que agonizam estatelados dentro do vasilhame.

E, gratuitamente, ou porque se sentisse na obrigação de dar um esclarecimento suplementar, ou porque não desejasse que o interlocutor o comesse por estreante ou desafortunado, ajuntou:

— Domingo passado, o mar estava melhor.”

 

Em: Lêdo Ivo, seleção do autor, prefácio de Gilberto Mendonça Teles, São Paulo, Global: 2004, (Coleção Melhores Crônicas- direção de Edla van Steen, “Viagem em torno de uma cocoroca“, p. 133

 

NOTA: Lêdo Ivo (1924-2012) foi não só um grande poeta, mas um excelente cronista, e também romancista.  Precisa ser mais lembrado.  Uma das coisas que me encanta sobremaneira na sua prosa é a inteligente criação de palavras que eu imediatamente adiciono ao meu dicionário digital. Além disso aprecio a expansão dos significados que ele consegue dar a palavras já existentes,  Nesses três parágrafos que introduzem a crônica “Viagem em torno de uma cocoroca“, vejamos as palavra inventadas: improfundável, desfatigara; a expansão do verbo comer [que o interlocutor o comesse por estreante], parco [Diz que o mar está parco], fora as maravilhosas figuras de linguagem [se dedica a capturar, no improfundável rio da vida, os fugidios peixes do espírito.]; [um anzol dotado de imperdoável engodo] engodo no lugar de isca.  Seus textos são assim, riquíssimos de viradas de significados, inesperadamente poéticos.  Vale lê-lo. 





Paisagens brasileiras…

29 06 2025

Camponês com carros de bois

Durval Pereira (Brasil, 1917-1984)

óleo sobre tela, 60 X 120 cm

 

 

 

Carro de bois, 1930

Oscar Pereira da Silva (Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela, 35 x 47 cm 





Em casa: Victor Gabriel Gilbert

29 06 2025

Antecipação, 1899

Victor Gabriel Gilbert (França,1847-1933)

óleo sobre tela





Flores para um sábado perfeito!

28 06 2025

Copos de leite, 1984

Carlos Scliar (Brasil, 1920-2001)

Vinil colado e encerado sobre tela, 56 x 37 cm

 

 

Jarro com flores, 1952

Arcangelo Ianelli (Brasil, 1922-2009)

óleo sobre tela, 72 x 60 cm





A caminho do casamento, Carlos Drummond de Andrade, trecho.

28 06 2025

Casamento na roça

Fulvio Pennacchi (Itália-Brasil, 1905-1992)

 

 

 

“A moça ficou noiva do primo — foi há tanto tempo. Casamento, depois de festa de igreja, era a maior festa, na cidade casmurra, de ferro e tédio. O noivo seguia para a casa da noiva, à frente de um cortejo. Cavalheiros e damas aos pares, de braço dado, em fila, subindo e descendo, descendo e subindo ruas ladeirentas. Meninos na retaguarda, é claro, naquele tempo criança não tinha vez. Solenidade de procissão, sem padre e cantoria. Janelas ficavam mais abertas para espiar. Só uma casa se mantinha rigorosamente alheia, como vazia. É que morava lá a antiga namorada do noivo – o gênio dos dois não combinava, tinham chegado a compromisso, logo desfeito. Murmurava-se que à passagem do cortejo em frente àquela casa, o noivo seria agravado. Não houve nada: silêncio, portas e janelas cerradas, apenas. E o cortejo seguia brilhante, levando o noivo filho de “coronel” fazendeiro, gente de muita circunstância, rumo à casa do doutor juiz, gente de igual altura. A casa era “o sobrado”, assim a chamavam por sua imponência de massa e requinte: escadaria de pedra em dois lanços, amplo frontispício abrindo em sacadas, sob a cimalha a estatueta de louça-da-china – espetáculo.”

 

Em: Caminhos de João Brandão, Carlos Drummond de Andrade, Rio de Janeiro, José Olympio: 1976, 2ª edição, “Entre a orquídea e o presépio” p. 98





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

27 06 2025

Lagoa do Boqueirão da Ajuda, hoje Largo da Lapa e Aqueduto de Santa Teresa, século XVIII

Leandro Joaquim (Brasil,c.1738- 1798) 





Dia a dia…

26 06 2025

TERMINEI A LEITURA!


Marcel Proust

1° volume: Em busca do tempo perdido!!!


São sete volumes. Considerada a obra de ficção mais importante do século XX. Você já leu?





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

25 06 2025

Natureza morta

Mario Zanini (Brasil, 1907-1971)

óleo sobre cartão, 25 x 33 cm 

 

 

Sem título, 1968

Ivan Moraes (Brasil, 1936-1975)

óleo sobre tela, 47 x 38 cm.





No trabalho: Louis Galliac

25 06 2025

A vendedora de flores

Louis Galliac (França, 1849-1934)

óleo sobre tela,  66 x 55 cm





Natureza maravilhosa: alce gigante

25 06 2025

O alce  gigante é o maior dos cervídeos.  Às vezes chega a dois metros de altura  no nível dos ombros e pode pesar meia tonelada. Os machos, que são maiores do que as fêmeas, têm uma galhada específica da espécie: uma parte cilíndrica e seus galhos fazem uma espécie de taça. A galhada pode atingir mais de um metro e meio de largura.  Ele só vive nas regiões próximas ao polo norte: Finlândia, Suécia, Noruega e Canadá.  A expectativa de vida deles é de vinte anos.  São ruminantes.  Eles se alimentam de folhas de árvores e plantas aquáticas, vivendo nas florestas dessas regiões próximas ao polo norte.  Conseguem correr bastante, mais de cinquenta quilômetros por hora e nadam muito bem. Mas não comem plantas rasteiras, porque seu corpo alto de pescoço curto não permite que o faça com conforto. As fêmeas têm uma única cria por gestação.