São Lourenço
Augusto Seabra (Brasil, 1909 – ?)
óleo sobre tela, 10 x 15 cm
São Lourenço
Augusto Seabra (Brasil, 1909 – ?)
óleo sobre tela, 10 x 15 cm
Unknown Magazine, 1940.
José Otávio Gomes Venturelli
Sonâmbula tristeza me rodeia,
Inebria-me a prece dos crepúsculos,
Já não mais sinto a força que semeia
A resistência física dos músculos.
E o coração, minha esquecida aldeia,
Onde as casas são místicos corpúsculos,
Sente sua alma de saudades cheia,
E de prazeres parcos e minúsculos.
Os sonos se aproximam… Vêm vestidos
De horríveis pesadelos que me falam
De insônias infernais aos meus ouvidos.
Espíritos do mal, seres medonhos,
Eu não posso dormir se não se calam,
Porque querem roubar também meus sonhos!
Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p.397
Sem título
Karen Pezolito (Brasil, 1977)
óleo sobre tela, 44 x 50 cm
Quiosque
Lucia de Lima (Brasil, contemporânea)
acrílica sobre tela, 38 x 46 cm

Quando a folha seca e muda
segue no seu abandono,
ela abraça o vento e ajuda,
com arte, a pintar o outono.
(Lúcia Sertã)
Menina
Marie Nivouliés de Pierrefort (França-Brasil, 1879 – 1968)
óleo sobre tela colada em madeira, 92 x 72 cm
Dentre os livros que abordam a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial há uma pequena parte dedicada a memórias dos sobreviventes. Cerejas de maio, de Judy Botler, é um deles. Trata-se da biografia de sua mãe, Ellen, cuja peregrinação por diversos lugares que a abrigaram durante a guerra era desconhecida da autora até recentemente. O que faz este livro mais alegre do que muitos é que acaba bem, acaba muito bem com a menina Ellen no Rio de Janeiro, rodeada por parentes próximos, tias e avó e, portanto, com a oportunidade de crescer acolhida dentro dos seus, mesmo tendo perdido pais e um irmão no processo.

Passando por diferentes cidades na fuga, na adoção e em abrigos Ellen, membro da família Grünebaum, que se dispersa durante a guerra, encontra refúgio sob identidade falsa na Bélgica, até que, por insistência de seus parentes, principalmente da avó, que havia imigrado para o Brasil, a menina é encontrada e trazida para o seio familiar. Mas a história não se limita à menina. Aprendemos também como outros membros da família se desdobram para permanecer vivos, sobreviverem e imigrarem. É uma janela sobre um período desastroso que traz luz a muito do dia a dia daqueles em fuga. Convivendo com perigo, disfarçada por falsa identidade e troca de religião, Ellen é uma verdadeira heroína. Do modo como sua aventura está relatada neste livro, tudo parece pronto para um documentário ou até mesmo um filme em que peripécias perigosas levam a um final feliz.
Judy Botler
Fartamente documentada a história da pequena Ellen é repleta de charme. Contada por ela e em algumas notas por sua filha, a médica endocrinologista, carioca Judy Botler neste livro torna-se uma narrativa que não deveria ser ignorada por documentaristas de cinema ou até mesmo diretores à procura de um bom enredo. Definitivamente um livro encantador que, apesar de tratar dos grandes traumas e das vicissitudes cotidianas do período da Segunda Guerra Mundial, ele nos dá também esperança. Esperança de dias melhores.
Recomendo não só aos que se dedicam à memória daqueles desaparecidos no Holocausto, como aos que gostariam de saber como, por quem e por quais heróis é formada a população brasileira.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Ilustração de Willy Aractingi (1930-)
Olavo Bilac
Um camundongo humilde e pobre
Foi um dia cair nas garras de um leão.
E esse animal possante e nobre
Não o matou por compaixão.
Ora, tempos depois, passeando descuidoso,
Numa armadilha o leão caiu:
Urrou de raiva e dor, estorceu-se furioso…
Com todo seu vigor as cordas não partiu.
Então, o mesmo fraco e pequenino rato
Chegou: viu a aflição do robusto animal,
E, não querendo ser ingrato,
Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal…
Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,
Pode sempre trazer em paga outro favor.
E o mais forte de nós, do orgulho se esquecendo,
Deve os fracos tratar com caridade e amor.
Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, pp 132-3
Flores
Lucília Fraga (Brasil, 1895 – 1979)
óleo sobre eucatex, 43 x 33 cm
Ladeira em Santa Tereza
José Marques Campão (Brasil, 1892- 1949)
óleo sobre tela
Frutas, 1979
Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm