–
Moça chorando, 1964
Roy Lichtenstein
Esmalte sobre placa de aço, 116 x 116 cm
Edição: 5
–
A lágrima é um pingo d’água,
Irizado e transparente:
– A bailarina da mágoa
Dançando no olhar da gente.
–
(João Rangel Coelho)
–
Moça chorando, 1964
Roy Lichtenstein
Esmalte sobre placa de aço, 116 x 116 cm
Edição: 5
–
A lágrima é um pingo d’água,
Irizado e transparente:
– A bailarina da mágoa
Dançando no olhar da gente.
–
(João Rangel Coelho)
–
–
Publicado no jornal O GLOBO, 9 de novembro de 2012.–
Por que o ensino de história é tão enjoado para a maioria das crianças e dos adolescentes? Foi para mim. Minhas melhores matérias no Colégio Pedro II foram línguas, biologia, química e física. Cheguei a pensar em fazer medicina. Mas alguma coisa, inconsciente ainda, me levou a abandonar essa ideia, cursar um ano de vestibular para aprender latim e entrar para a faculdade de letras.
Só mais tarde, quando descobri a história da arte e saí do Brasil para me formar exclusivamente em história da arte, vim a gostar de história. Hoje leio livros de história, secos e documentados, com páginas e páginas de notas de rodapé com um prazer indescritível, como se fossem romances, ainda que meu treino como historiadora da arte, como é feito fora do Brasil, não tenha sido em História, mas sim em Arte.
Gostei muito dos gregos e romanos quando tinha uns doze ou treze anos. Até então grande parte do meu conhecimento de história tinha suas raízes em Monteiro Lobato, do volume História do Mundo para Crianças, que fazia parte da coleção de Monteiro Lobato, que meus pais haviam nos dado, a mim e a meus irmãos. Mas depois dessas duas fases a história me perdeu. Naquela época punha-se muito esforço em datas e muito pouco em documentação. Fiquei impressionada, quando já quase entrando para a faculdade, fui apresentada ao texto completo da Carta de Caminha. Por que não a conhecera antes?
Só muitos anos depois, descobri que documentos primários como a Carta de Caminha seriam uma das minhas grandes paixões. E assim quase perdi a oportunidade de me dedicar ao conhecimento do passado que se tornou parte das minhas profissões e que me deu tanto prazer. Quantos mais historiadores perdemos no caminho por não sabermos como atrair a atenção de nossos alunos?
Espero que hoje com as possibilidades multimídia isso tenha se resolvido para melhor. Sim, tenho esperanças, porque o aluno que não é atraído por um texto pode ser por um filme, ou uma música ou uma pintura. Espero, porque acredito na antiga profecia de Edmund Burke, filósofo e político irlandês: “Quem não conhece a sua história tem por destino repeti-la“. Tenho esperanças de que este augúrio não nos aflija!
–
–
–
O xadrez repete a vida
em sucessivas lições:
quando a nobreza é atingida
sacrificam-se os peões.
–
(Sinval Emílio da Cruz)
–
–
–
–
A Bemvinda Feitosa
–
Que boneca tão bonita
Aquela que ontem ganhei!
Pus-lhe um vestido de chita,
Que eu mesma fiz e cortei.
Seu cabelinho é tão louro
Como cabelo de milho.
Minha boneca é um tesouro,
Tem sapatos e espartilho!
Vou lhe fazer uma cama,
Vou lhe bordar um lençol,
Para tão mimosa dama
Farei fronhas de molmol.
Depois, para o batizado,
Hei de arranjar uma festa:
Um altar muito enfeitado,
Em meio de uma floresta…
Convidarei as amigas
Com quem costumo brincar,
E muito lindas cantigas
Hei de com elas cantar.
Há de haver presunto e bala,
Sorvete para a madrinha,
E desse dia de gala
Minha boneca é a rainha!
–
Presciliana Duarte de Almeida
–
–
Presciliana Duarte de Almeida (MG, 1867 – SP, 1944) Pseudônimo: Perpétua do Valle. Nascida numa família literária, Presciliana era prima de Júlia Lopes de Almeida e Adelina Lopes Vieira. Vai para São Paulo depois do casamento, onde funda, em 1889, a revista feminista A Mensageira – revista literária dedicada à mulher brasileira. Colabora na revista Educação, em 1902, e na revista A Alvorada, em 1909. Participa da fundação da Academia Paulista de Letras em 1909 onde ocupa a cadeira nº 8, escolhendo a poetisa Bárbara Heliodora, sua trisavó, como patrona. Morreu aos 77 anos, em São Paulo, em 1944.
Obras:
Rumorejos, 1890
Sombras, 1906
Páginas Infantis, 1908
O Livro das Aves, 1914
Vetiver, 1939
–
–
–
Na velha Estação de Trem,
que a Solidão dominava,
eu acenei a ninguém,
fingindo que alguém chegava…
–
(Otávio Venturelli)
–
–

–
–
José Paulo Moreira da Fonseca
–
–
Povoaste a paisagem grega
————–guardas um timbre clássico algo de conciso
ágil e jovem — quem negaria? — basta ver-te sobre os abismos
sem receio ou vertigem
—————como a vida
–
–
Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968
–
–
–
Vocês já notaram como jardins têm moda? Isso mesmo, fica na moda um certo tipo de planta, de arbusto, de flor e aos poucos antigos pés disso ou daquilo dão lugar a uma nova espécie, a uma nova folhagem. De uns quinze anos para cá os jardins do meu bairro começaram a aparecer com algumas plantas interessantes, bonitas, com flores de cores brilhantes… Não estou reclamando. Mas, acho que a moda leva os jardins a terem todos mais ou menos a mesma cara, principalmente quando são os porteiros que trabalham os jardins e costumam se concentrar nas plantas de maior efeito pelo menor trabalho.
Aqui no meu bairro, no Rio de Janeiro, há uma abundância de jardins de edifícios residenciais floridos o ano inteiro com essa planta que está em todo canto, retratada acima. Alguns a chamam de Alfinete-gigante. Mas é mais conhecida com Ixora-chinesa, ou Ixora-vermelha. Não é uma planta nativa do Brasil. É originária do Extremo Oriente: Malásia e China. É planta asiática tropical, da família das Rubiaceae. Por isso se dá tão bem no clima carioca.
–
–
Cá pelo meu bairro não a deixam crescer muito. A moda por aqui é deixá-la crescer só até um metro do chão, mais ou menos. Mas pode chegar a dois metros de altura. Deve ficar linda assim. E em geral é plantada como cerca viva ou melhor dizendo, acompanhando as grades dos edifícios, porque cercas vivas por aqui não oferecem a tranquilidade de segurança de que os cariocas precisam. Frequentemente elas são usadas como delimitadores de áreas do jardim, acentuando os caminhos para entrada de pedestres ou a beirada do caminho para as garagens.
Há uma papelaria aqui perto cuja entrada fica bem recuada do meio fio, sendo uma construção mais moderna do que a própria rua, foi construída numa linha imaginária, que estabelece um futuro alargamento dessa rua que data do século XVIII. Assim, o dono da papelaria, para “mostrar o caminho das pedras”, colocou diversas jardineiras na calçada em duas colunas paralelas, para acentuar a entrada do estabelecimento. Teve que colocar jardineiras porque a calçada não lhe pertence. Mas, ficou bonito para quem chega.
–
–
O mais interessante é que a Ixora-chinesa parece dar flores o ano inteiro. São grandes pompons compostos de minúsculas flores de quatro pétalas. De longe parecem até gerânios, e sei que às vezes as ixoras-chinesas são chamadas de gerânios selvagens, por causa da aparência dessas flores. Mas não têm nada a ver. Por aqui só tenho visto exemplares cujas flores tem tonalidade, laranja, damasco, salmão. Mas sei que existem flores de outras tonalidades: branca e vermelha.
–
–
Para maiores informações veja:
–
–
–
–
Mário Quintana
–
(Para Érico Veríssimo)
–
–
Primavera cruza o rio
Cruza o sonho que tu sonhas.
Na cidade adormecida
Primavera vem chegando.
–
Catavento enloqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.
–
Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
–
Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!
–
Em: Canções, de Mario Quintana, Rio de Janeiro, Globo: 1946
–
–
Eis a arte de viver
num conselho dos mais sábios:
às vezes, para vencer
basta um sorriso nos lábios…
–
(J.G. de Araújo Jorge)
–
Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– a porca… tem masculino?
– tem, ‘fessora… o parafuso!
–
(Edmar Japiassú Maia)