Colheita de flores
Luciano Silveira (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 100 x 70 cm
Colheita de flores
Luciano Silveira (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 100 x 70 cm
Flores da Montanha, 2013
Sandra Pardo Sarro (Brasil, contemporânea)
Óleo sobre Tela, 70 x 50 cm
Igreja da Glória, 1954
Armando Balloni (Itália/Brasil 1901 — 1969)
Gravura aquarelada
Natureza morta com pêssegos e uvas, 1994
Celso Oliveira (Brasil, 1945)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Manhã de sol, 2012
Alcides Marques (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 60 x 100 cm
Dálias Impressionistas
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 100 x 100 cm
O sobretudo de Pascal, 1954
[Le manteau de Pascal]
René Magritte (Bélgica, 1898-1967]
óleo sobre tela, 59 x 49 cm
The Menil Collection, Texas
“Todavia certos pintores — como também certos escritores — apesar de praticarem o culto do sonho e do inconsciente, que muito antes de Freud os ligava aos românticos (especialmente a Novalis, Achim von Arnin, Hoffmann e Nerval), não eram de fato uns instintivos, mesmo porque percebiam nitidamente a polaridade entre forças cerebrais e forças ancestrais. Em breve fundou-se uma linha divisória da teoria e da prática. Pascal escrevera: “Nous sommes automate autant qu’esprit“. Os revisionistas poderiam alterar a fórmula e dizer “Nous sommes esprit autant qu’ automate“. Não foi por acaso que alguns adeptos da doutrina passaram sem choque para o marxismo, que comporta, além de seu aspecto destruidor e polêmico, toda uma construção. O surrealismo, teoricamente inimigo da cultura, tornou-se num segundo tempo um fato de cultura; e muitos surrealistas, superando a técnica do automatismo, dispuseram-se a trabalhar com um método planificador. Por isso mesmo, quando há uns vinte anos atrás Breton procedeu em Nova Iorque à revisão analítica do movimento, a contragosto incluía Magritte entre os pintores surrealistas, insinuando que o seu processo de compor não era automático, antes plenamente deliberado”.
Em: Transístor, Murilo Mendes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1980,p.188-9.
Natureza morta com penca de bananas e maçãs
José Fonseca (Brasil, 1966)
óleo sobre tela, 59 x 80 cm
Vovó Donalda faz anos, ilustração Walt Disney.
Em meados de junho de 2008, ainda sem grande comprometimento, comecei o Peregrina Cultural. Minha intenção era, e ainda é, levar ao conhecimento de um público maior, para além de especialistas, imagens da arte brasileira. Naquela época havia pouco, muito pouco na internet, de graça, que cobrisse este aspecto. Não havia um banco de imagens da arte brasileira em geral. E certamente muito pouco da arte chamada acadêmica. Quis trazer ao público também parte do que havia sido descartado dos textos educacionais do passado que pudessem ser utilizados por educadores em escolas através do país. Textos das antologias dos anos 40, 50, 60, 70 eram muito mais ricos em vocabulário, mais literários do que os que alunos leem hoje, infelizmente. E parece que acertei quando mostrei isso aos professores contemporâneos. Nem todos, mas muitos sentiram essa necessidade.
Tive muito, muito sucesso. De verdade. Mais sucesso do que esperava e alguns dos meus textos (assinados por mim) foram liberados para uso nas escolas de vários estados do Brasil, Rio Grande do Sul tomando a liderança neste quesito.
Aos poucos a internet no Brasil mudou de perfil. Mais pessoas se interessaram em compartilhar conhecimento. E com isso comecei a me dedicar mais a resenhas literárias e obras de arte, do que em trazer novidades arqueológicas, de pesquisa histórica ou curiosidades científicas porque outros blogs de muito sucesso preenchiam esta lacuna. Muitos deles com mais de uma pessoa no gerenciamento. Poucos descobrem que há uma única pessoa por trás de todas as postagens da Peregrina. Manter-me como única contribuinte ajudou a dar consistência e sobretudo manutenção contínua.
Em dez anos este lugar se tornou meu canto de reflexões. É um passatempo, um lugar para onde venho quando fujo da realidade. Construo-o tijolo por tijolo, nos dias bons e nos não tão bons. É um prazer. É também um prazer ter tido neste período (desde que comecei a contar) mais de 10.000.000 de visitantes, e ter mais de 3.000 seguidores.
Mantive o mesmo arranjo através dos anos, com uma foto de pescadores na praia de Copacabana no topo, porque é assim que me sinto, pescando e compartilhando imagens e ideias. Escrevo pouco sobre minha vida. Gostaria de fazer mais, mas há melhores escritores de blogues por aí. Ocasionalmente sou tomada por uma lembrança ou uma experiência que desejo mostrar ao mundo. Pago ao WordPress para não ter anúncios, é um luxo que me dou para manter o foco no que posto.
Devo muito ao incentivo que recebi dos meus leitores, que são uns poucos milhares por dia. Mas já é bastante, muito mais do que um dia sonhei. Agradeço também a todos que comentam, que levam as postagens para outros blogs. Acredito que conhecimento é para ser dividido. Enfim, se não fosse por minha amiga Lígia Guedes, do blog Nós Todos Lemos, que me alertou a necessária comemoração, eu provavelmente não o teria feito. Sei que blogs andam mudando, que o Instagram está tomando o lugar deles, mas aqui ainda é um lugar onde muitos vêm procurar informações e enquanto puder mantê-lo o farei. Entrar aqui e postar é um hábito, como para muitos é tomar um drinque, ler o jornal, tirar uma soneca após o almoço.

Viaduto Santa Ifigênia, SP
Fernando Naviskas (Brasil, 1961)