Palavras para lembrar — Holbrook Jackson

13 04 2012

Leitora cuidadosa, s/d

Franz Dvorak (Áustria, 1863-1927)

óleo sobre tela

“A hora de ler é qualquer hora: nenhum aparato, nenhum compromisso de hora ou lugar, é necessário.  É a única arte que pode ser praticada a qualquer hora do dia ou da noite, quando há inclinação ou tempo, esse é o seu momento para a leitura; na alegria ou na dor, na saúde ou na doença”.

Holbrook Jackson





Palavras para lembrar — James Russell Lowell

9 04 2012

Moça lendo, s/d

Adrian Paul Allinson ( Grã-Bretanha, 1890-1959)

óleo sobre tela,

University of Hull Art Collection

“Os livros são abelhas que levam o pólen vital de uma à outra mente”.

James Russell Lowell





Imagem de leitura — Jean-Honoré Fragonard

7 04 2012

A leitora, c. 1770-1772

Jean-Honoré Fragonard (França, 1732-1806)

óleo sobre tela, 82 x 65 cm

The National Gallery, Washington DC

Jean-Honoré Fragonard nasceu em Grasse, em 1732.  Apresentou grande talento para o desenho e a pintura desde cedo, de modo que mesmo tendo muitas limitações econômicas, foi apresentado a François Boucher, o maior pintor da época, que o ajudou a desenvolver o estilo predileto da corte francesa.   Infelizmente com a Revolução Francesa de 1789, Fragonard perdeu toda sua clientela, toda a nobreza que o apoiava.  Juntou todos os seus quadros, saiu de Paris, e voltou para Grasse, sua terra natal, onde foi recebido com carinho.  Aos poucos desenvolveu uma clientela mais modesta mas patriótica.  Passou para a história conhecido por suas cenas românticas, cenas frívolas e felizes, representantes do gosto da corte no século XVIII na França, também chamado de período Rococó.  Fragonard foi um excelente pintor, preso numa época de grandes reviravoltas políticas. Faleceu em Grasse em 1806.





Palavras para lembrar — James Bryce

6 04 2012

Coucou, 2010

Françoise Collandre (França)

acrílica sobre tela,  73 x 60 cm

O valor de um livro é para ser medido pelo que se retira dele”.

James Bryce





Palavras para lembrar — Ann Landers

5 04 2012

A cadeira de Érica

Ann Kullberg (EUA)

Desenho a lápis de cor

“Ninguém que saiba ler é bem sucedido na limpeza de um sótão.”

Ann Landers





Imagem de leitura — Ciro d’Alessio

5 04 2012

Pique-nique, 2007

Ciro d’Alessio (Itália, contemporâneo)

Ciro d’Alessio

Pintor napolitano.





Palavras para lembrar — Logan Pearsall Smith

4 04 2012

Palavras

Ray Caesar (Inglaterra, 1958)

www.raycaesar.com

“Dizem que a vida é tudo, mas prefiro ler”. 

 –

Logan Pearsall Smith





Inglaterra, Argentina, Faulklands, Malvinas e a fineza de julgamento de Elsie Lessa

4 04 2012

Londres, Casas do Parlamento, 1903

Claude Monet ( 1840-1926)

óleo sobre tela

[Claude Monet pintou uma série enorme de paisagens como esta, retratando as casas do parlamento inglês, num estudo sobre os efeitos da neblina.  Não sei exatamente o número total de varições desse tema, mas elas foram pintadas em 1900-1904]

Esta semana vimos muitos programas na televisão e artigos no jornal que lembram o aniversário de 30 anos da Guerra das  Ilhas Malvinas ou Faulklands.  Não me pronuncio politicamente nesse blog.  Este não é o objetivo desse lugar, mas não pude deixar de me lembrar dessa crônica de Elsie Lessa,  quando vi tais comemorações:  uma crônica que eu havia lido há alguns anos.  Devo dizer, que sou fã de algumas cidades no mundo.  Londres está entre elas.  [As outras? Paris, Madri, Coimbra, Córdoba, Sarlat e Siena, lugares que por várias e diversas razões cheguei a conhecer muito bem e a visitar inúmeras vezes]. Mas meu sonho de consumo, aquele que a gente acalenta sem dizer palavra porque sabe ser quase impossível, aquele que só se realizaria se um dia eu ganhasse na loteria, (e jogo sempre na esperança)  é ter um “flat” em Londres, uma cidade verdadeiramente cosmopolita.  Como poucas.

COTIDIANO INGLÊS

Elsie Lessa

Estrangeira, com quase cinco anos de Londres, é muito frequente virem me perguntar, brasileiros e ingleses, o que acho da Inglaterra.  Posso dizer a ambos, sem mentir, que acho um privilégio ter desfrutado dela por tanto tempo.  Porque?  Tranquilidade, um sentido de segurança, de ser respeitado como ser humano, de ser deixada viver, sem atritos, num mecanismo social de rodas bem azeitadas, dentro das falibilidades humanas. É um sapato que não dói no pé, como todas as felicidades, negativo, não incomoda, não machuca e a gente só se dá conta disso quando, à força de uso, lembra que está na hora de substituí-lo ou de ter que deixar o país.

As pequenas coisas da vida: o inevitável “obrigado por ter chamado” de qualquer amiga inglesa, para quem a gente ligou. O “por favor” e o “muito obrigado” de que é recheado o cotidiano.

Outro dia eu esperava o ônibus na esquina e, decerto para entreter a espera, aquele senhor de cabelos brancos e roupa meio puída me chamou atenção para aquele desperdício de dois postes tão juntos.  Não era preciso não estava ali aquele com a tabuleta da parada? Para que o outro?  Era assim que eles gastavam o nosso dinheiro e por aí vai.  Entrei contente na conversa e na argumentação, tinha todíssima razão, a gente devia escrever ao “Council” (Conselho Municipal), dona Tatcher era uma senhora sem juízo, a vida estava cara, essas amenidades.  Veio o meu ônibus, o dele não.  E eu já estava dentro quando o meu vizinho de rua, como fazia meu pai quando lhe agradeciam ter pago a passagem de bonde, levantou um pouco o chapéu, saudou-me, agradecendo: “obrigado por ter falado comigo”. Está aí um obrigado que nunca ninguém antes me dissera.

Sou jornalista, gosto de papear, num dia a dia sem muitos interlocutores e usufruo os privilégios da feliz idade a que cheguei, que me põe a salvo de intenções equívocas, ao iniciar uma conversa com um vizinho de balcão de café.  Era ali na Brompton Arcade para o cafezinho das 4, com um cheiro que deixa os fregueses de bom humor.  Entrei na deixa fácil do café do Brasil, falamos de outros, cafés e países, ele já me oferecia galante uma segunda xícara quando me despedi.  Este já era um “gentleman” bem-apessoado,ao contrário do homem reclamador de Chelsea.  Só os unia a mesma boa educação: “muito obrigado por ter falado comigo”.  Tudo boa gente.

Há 8 semanas este país está em estado de conflito, se não de guerra, já tendo ceifado uma meninada e alguns dos seus comandantes.  Não ouvi uma discussão em voz alta sobre ela, embora seja muito comentada.  A televisão tem vozes soturnas, nunca esbravejantes.  Inevitavelmente são transmitidas as notícias e as estatísticas dos dois lados, embora divirjam. São mostrados trechos inteiros da televisão argentina.  Sem comentários ou com um único, certa vez: “A televisão aqui é um pouco diferente”. Nos programas de auditório, fascinantes, em que se discute tudo, (outro dia tomava parte um argentino do auditório), aceitam-se, em voz baixa, todos os argumentos a favor, contra, nem a favor nem contra, muito pelo contrário. Admite-se que seres humanos tenham diferentes pontos de vista e que os defendam, com bons modos e serenidade.  A Rainha tem um filho na frente de batalha e nem ela nem ninguém faz estardalhaço disso.  Ela respondeu simplesmente, perguntada: “São tempos de preocupação e sofrimento para todos nós.  Nossos corações estão com eles,  Mas a vida deve continuar…”  O príncipe mais moço, Edward, acaba de se alistar como fuzileiro naval.  Com uma única nota para a imprensa: não por causa da guerra, mas como parte da educação dos rapazes da família real”. É, a Inglaterra não dói no pé.

Em: Ponte Rio-Londres, Elsie Lessa, Rio de Janeiro, Record:1984.





Imagem de leitura — Elin Danielson-Gambogi

4 04 2012

Irmãs, 1891

Elin Danielson-Gambogi ( Finlândia, 1861-1919)

óleo sobre tela.

Elin Kleopatra Danielson nasceu em Moormarkku, na Finlândia, em 1861.  Em 1876 mudou-se para Helsinki onde estudou desenho  na Sociedade de Arte Finlandesa.  Depois, entre 1878 e 1880, estudou pintura na academia particular do pintor finlandês Adolf Von Becker  (1831-1909).  De 1883 a 1885 foi aluna  na Academia Colarossi em Paris.  Retornou à Finlândia, onde permaneceu por um único ano, voltando para Paris em 1888.  Visitou a Itália em 1898, apaixonou-se pelo país, onde acabou  permanecendo até sua morte em 1919.  Também conhecida como Elin Danielson-Gambogi, nome de casada.





Um dia de diletantismo, uma volta pelas hortas medievais…

3 04 2012

Trabalhos agrícolas nos doze meses do ano, 1459

Iluminura, Tratado de agricultura de Pietro de Crezcenzi  [ MS 340 ]

Musée Condé, coleção  em Chantilly

Hoje foi um dia de diletantismo involuntário.  Mas mesmo assim diletantismo.  Estou desenvolvendo uma série de palestras sobre as artes em contexto.  E precisava de uma demonstração das roupas usadas por peões na Idade Média, mais precisamente na época de Carlos Magno.   Eu queria poder ilustrar as descrições do excelente livro Daily life in the World of Charlemagne, de Pierre Riché [Philadelphia, Univesity of Pennsylvania: 1978] sobre esse período na história da França.  É irrelevante sabermos porque eu estava fixada nesse ponto.  Depois do dia de hoje, já não importa.  Mas fato é que não encontrei o que queria, na internet.  Não porque não haja, mas porque me distraí.  E a culpa dessa distração segue abaixo, na deliciosa ilustração de colméias em manuscrito medieval.

Theatrum Sanitatis, c. 1450-1475

de Ububchassym de Baldach

Códice 4182

Biblioteca Casanatense de Roma

Saí à cata de mais colméias, de mais abelhas…  Adoro mel, mas tenho uma facilidade tremenda para a insectofobia, sim,  não gosto de coisinhas que voam, ou não, que tenham muitas patinhas, que adoram subir pelas nossas pernas, braços, voar sem rumo em nossa direção.  Enfim, o que aconteceu foi que também não encontrei muitas abelhas, mas encontrei… hortas.  Sim, representações em iluminuras, da plantação de legumes, ervas, alimentos e me perdi.  Perdi o rumo, perdi a direção, tal qual uma abelha zunindo daqui para lá, pegando o néctar das iluminuras medievais para sabe-se lá fazer o quê com elas além de postá-las aqui e dividí-las com os leitores?  Segue um passeio pelas hortas medievais.  Espero que vocês possam sentir o cheirinho das folhas verdes e a umidade do solo, como eu fiz.

Cebolas, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Aipo, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Endro, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Espinafre, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Feijões, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Grão de bico, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Milho miúdo, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Panicum, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Cenouras, século XV [ 1400-1500]

Tacuinum Sanitatis, (BNF Latin 9333)

Plantando o aipo, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando cebolinhas, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando endro, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)

Plantando repolhos, c. 1370-1400

Tacuinum Sanitatis (ÖNB Codex Vindobonensis, series nova 2644)