Palavras para lembrar — Marguerite Duras

30 01 2013

bela_de_kristo_la_lecture_au_jardin_d5581934hLeitura no jardim, s/d

Bela de Kristo (Hungria, 1920-2006)

óleo sobre tela, 79 x 74 cm

Christie’s Auction House, Londres

“Um livro nunca é traduzido, ele é transportado a uma outra língua”.

Marguerite Duras





O girassol, poema de Maurílio Leite

27 01 2013

Lorenzato – Girassóis--ose - 1979 - 48x36 cmGirassóis, 1979

Amadeu Luciano Lorenzato (Brasil, 1900-1995)

óleo sobre eucatex, 48 x 36 cm

Coleção Particular

O Girassol *

Maurílio Leite

Quando o sol nasce em pompa radioso

De luz banhando o universo inteiro,

O girassol desperta no canteiro

Para seguir-lhe o rastro luminoso.

E fica assim, à terra preso e em gozo,

Apesar da distância o rotineiro,

Corola aberta ao beijos do luzeiro,

Cada vez mais distante e mais formoso.

Comparo o girassol à nossa lida;

Cada vez a distância é mais sentida

No infinito do espaço em que vivemos.

Vivo sempre a seguir-te em pensamento,

Não poder alcançar-te é o meu tormento.

Sou como a flor… tu és meu sol … Giremos.

* Este soneto foi musicado pelo autor.

Em: Panorama da poesia norte-riograndense, coletado por Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, introdução Luiz da Câmara Cascudo.

Maurílio Leite (RN 1904- RJ 1939)  nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte em 1904.  Foi aluno do Grupo Escolar Augusto Severo, e depois do Ateneu Norte-Riograndense e da Escola de Comércio de Natal.  Desde o curso primário demonstrou vocação para a música e para a poesia.  Mudou-se para o Rio de Janeiro onde continuou compondo versos e músicas, aproveitando temas folclóricos e líricos.  Percorreu o Brasil como musicista e compositor.  Morreu subitamente em 1939, no Rio de Janeiro, após  executar uma das Polonaises de Chopin. Em 1942, seus restos mortais foram trasladados para o Cemitério do Alecrim em Natal.





Palavras para lembrar — Anatole France

25 01 2013

Jean Baptiste Camille Corot2Floresta de Fontainebleau, 1834

Jean-Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre tela, 176 x 243 cm

National Gallery of Art, Washington DC

“O livro é o ópio do ocidente”.

Anatole France

 





Imagem de leitura — Arthur Ernst Becher

22 01 2013

arthur ernst becher 1877-1960 GERMAN

Senhora lendo em canoa

Arthur Ernst Becher (Alemanha 1877- EUA, 1960)

aquarela sobre papel, 25 cm x ?

Swann Galleries Inc.

Arthur Ernst Becher [também escrito Beecher] nasceu em Freiburg, na Alemanha em 1877.  Emigrou para os Estados Unidos quando tinha seis anos de idade acompanhando a família que se estabeleceu em  Milwaukee, Wisconsin.  Estudou desenho com alguns dos imigrantes alemães que compunham mais de metade da população da cidade e mais tarde estudou  com Howard Pyle na Brandywine School de Ilustração em Delaware.  Trabalhou como ilustrador de livros e revistas e como pintor de cenas rurais, paisagens e cenas históricas.  Faleceu em 1960, nos Estados Unidos.





O espião e o crítico de arte, texto de John Banville

21 01 2013

NormanRockwell_artCriticPainting

O crítico de arte, 1935

Norman Rockwell (EUA, 1894-1978)

[Capa da revista Saturday Evening Post, de 16 de abril de 1935]

Neste fim de semana estive envolvida com o livro O Intocável de John Banville. É extremamente bem escrito, fala de espionagem, fala de arte e da Inglaterra.  Baseia-se na história real do agente secreto britânico e simultaneamente agente para a Rússia, Anthony Blunt, conhecidíssimo historiador e crítico de arte.  O caso só veio ao conhecimento do público no final dos anos 80.  E a história, aqui contada como uma quase-memória é fascinante.  Selecionei um trecho para postagem hoje, porque mostra além do conhecimento da arte, os valores que eram a elas atribuídos e as metáforas que dela se usava.  A cena se passa na Inglaterra, em 1935 antes do início da Segunda Guerra Mundial.

“Fêz-se uma fração de segundo de silêncio, e a atmosfera adensou-se por um breve instante. Eu olhava de um para o outro, parecendo detectar uma coisa invisível a passar entre eles, não tanto um sinal como um símbolo mudo, como um desses quase impalpáveis  reconhecimentos que trocam os adúlteros quando têm companhia.  O fenômeno ainda me era estranho, mas ia tornar-se cada vez mais conhecido quanto mais fundo eu penetrava no mundo secreto. Assinala aquele momento em que um grupo de iniciados, no meio da tagarelice habitual, começa a trabalhar num candidato potencial: era sempre o mesmo: a pausa, o breve intumescimento no ar, depois a tranqüila retomada do tema fora irrecuperavelmente mudado. Mais tarde, quando eu mesmo já era um iniciado, essa pequena agitação especulativa me emocionava profundamente. Nada muito tentador, nada muito emocionante, a não ser, claro, algumas manobras na caçada sexual.

Eu sabia o que estava acontecendo; sabia que estava sendo recrutado. Era emocionante, assustador e ligeiramente ridículo, como ser chamado das laterais para jogar no time titular da escola. Era divertido. Essa palavra não traz mais o peso que tinha para nós. Diversão não era diversão, mas o teste de autenticidade de uma coisa, uma verificação do seu valor. As coisas mais sérias nos divertiam. As coisas mais sérias nos divertiam. Isso é algo que os Felix Hartmans jamais entenderam.

— Sim – falei, é verdade que eu antes defendia o primado da forma pura. Uma parte muito grande da arte é apenas anedótica, que é o que atrai o sentimentalista burguês. Eu queria uma coisa rude e estudada, realmente fiel à vida: Poussin, Cézanne, Picasso. Mas esses novos movimentos… esse surrealismo, essas áridas abstrações… que têm eles a ver com o mundo real, em que os homens vivem, trabalham e morrem?

Alastair bateu palmas lentas e silenciosas. Hatman, franzindo pensativamente a testa para meu tornozelo, ignorou-o.

— Bonnard – disse. Bonnard fazia furor naquele momento.

— Felicidade doméstica. Sexo sábado à noite.

— Matisse.

— Postais pintados a mão.

–Diego Rivera.

— Um verdadeiro pintor do povo, claro. Um grande pintor.

Ele ignorou o sorrisinho de lábio preso que não pude evitar; lembro-me de que surpreendi Bernard Berenson sorrindo assim uma vez, quando fazia uma atribuição gritantemente falaz de uma falsificação barata que um infeliz americano ia comprar por um preço fabuloso.

— Tão grande quanto … Poussin? – perguntou.

Encolhi os ombros. Então ele conhecia meus interesses. Alguém andara falando-lhe.  Olhei para Alastair, mas ele se achava absorvido examinando o polegar machucado.

— Essa questão não se coloca – disse eu – A crítica comparativa é em essência  fascista. Nossa tarefa – como apliquei delicadamente a pressão nesse nosso – é enfatizar os elementos progressistas na arte. Em tempos como estes, certamente é esse o primeiro e mais importante dever do crítico.

Seguiu-se outro silêncio significativo, Alastair chupando o polegar, Hartman balançando a cabeça e eu olhando para o lado, a exibir meu perfil, a própria modesta e a firme decisão proletárias, como, tinha certeza, uma daquelas figuras em relevo, em leque, no pedestal  e um monumento do realismo socialista. É curioso como as pequenas desonestidades são as que se grudam na seda da mente. Diego Rivera – Deus do céu! Alastair observava-me agora com um sorriso matreiro”.

Em: O Intocável, John Banville, Rio de Janeiro, Record: 1999, pp-114-115, tradução de Marcos Santarrita.





Palavras para pensar — Jules Renard

21 01 2013

duy huynh,  leitora entre pavões

Leitora entre pavões, s/d

Duy Huynh (Vietnam/EUA, contemporâneo)

acrílica sobre tela

“Quando penso em todos os livros que ainda restam a ler, tenho a certeza de que ainda serei  feliz”.

Jules Renard





Mãos: o que fazemos com elas

20 01 2013

The Uncertainty Principle Le Principe d'Incertitude, 1944

O príncipio da incerteza, 1944

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela

Houve tempo em que brincávamos com as mãos fazendo as mais diversas sombras.  Lembro-me de passar alguns dias de férias na casa de uma família amiga, um sítio, no interior do estado do Rio de Janeiro.  Era um lugar longínquo.  Chegávamos de trem  até a estação mais próxima e depois disso ainda íamos de charrete  até o local, uns 17 quilômetros da estação por estrada de terra.  Não havia eletricidade.  Lampiões eram acesos assim que o sol ia se pondo.  Havia lampiões em todo canto, na varanda que circundava a casa em três lados e dentro de casa.  Na varanda eram dependurados, de quando em quando, dos vergalhões que sustentavam o telhado, de telhas louçadas com decoração em azul e branco.  A casa de um andar só era rústica, e dependíamos de dosséis para nos livrarmos das mordidas de mosquitos e de todo outro tipo de inseto atraído para dentro de casa pela luz dos lampiões.  Foi a primeira e última vez que dormi debaixo de um dossel e devo dizer, foi de grande efeito ainda que abafe um pouco o ar já quente e úmido do verão tropical.  Lá, para passar o tempo das longas férias de verão, brincamos algumas noites de sombras com as mãos.  Era moderadamente divertido, mas nós os jovens adolescentes de 13 a 15 anos de idade não tínhamos muito mesmo que fazer…

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Essa lembrança me veio hoje, quando recebi um PPS com fotos  de mãos.   Não, não eram sombras.  Mas mãos pintadas fazendo  animais ou outras cenas.  Achei-as  muito criativas. São obras do artista italiano Guido Daniele de Milão. Sua breve biografia encontra-se no final. Coloco aqui algumas das imagens que recebi.  É possível que você também já tenha recebido essas fotos, já que essas coisas são virais, se esse for o caso,  reveja-as.  Um bom domingo para todos.

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Todos os trabalhos são de Guido Daniele.

Guido Daniele, nasceu na República Checa em 1950, mas mora e trabalha em Milão. Frequentou o Liceu de Arte de Brera de 1964 a 1968.  Depois fez o curso de escultura na Academia de Belas Artes de Brera de 1968 a 1972.  De 1972 a 1974 frequentou a escola tibetana Tankas em Dharamsala na Índia.  Começou sua carreira de artista visual com exposições solo e coletivas a partir de 1968. Em 1990 adicionou à sua experiência a técnica da pintura corporal pintando o corpo de modelos para fotos, filmes de publicidade, eventos. Com isso conseguiu unir as tradicionais técnicas do retrato, da pintura a óleo e da fotografia, trazendo para elas o conhecimento que tem da escultura, do objeto tridimensional.  Em 2000 começou a sua obra MANI ANIMALI  [mãos animais] que o projetou internacionalmente.





Curso de História da Arte Moderna em 10 encontros

19 01 2013

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Mulher com chapéu [Mme Matisse], 1905

Henri Matisse (França, 1869-1954)

óleo sobre tela, 79 x 60 cm

Coleção Particular

 

Curso de Arte Moderna em 10 encontros
Cem anos: do impressionismo à decada de 1970

Historiadora da Arte: Ladyce West

Todas as segundas-feiras das 17:00 às 19:00 horas

Início: 4 de março de 2013 [duração 10 semanas]

Local: Auditório Helena Lodi, VOZ PLENA
Rua Djalma Ulrich 154, 5º andar, esq. N. Sra. de Copacabana, Copacabana, Rio de Janeiro
Informações e inscrições: ladyce@terra.com.br

Vagas limitadas





Palavras para lembrar — Franklin Delano Roosevelt

19 01 2013

V

Sem título

Frederick Hendrik Kaemmerer ( Holanda, 1839-1902)

Gravura baseada em pintura do artista

18 x 27 cm

Wellcome Library, Londres

“Os livros são a luz que guia a civilização”.

Franklin Delano Roosevelt





Imagem de leitura — George Roux

18 01 2013

Georges Roux (c.1850 – 1929)

Sem título

George Roux (França, 1855- 1929)

óleo sobre tela

Alexandre George Roux, nasceu em 1855 em Ganges, na França. Foi um pintor e ilustrador francês hoje lembrado por suas ilustrações dos livros de Júlio Verne; da Ilha do tesouro de R.L. Stevenson e de muitos outros livros de aventuras. Aluno de  Jean-Paul Laurens, expôs no Salon des Artistes Français a partir de 1880.  Morreu em Paris em 1929.