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Capela Imperial do Amparo, Diamantina, 1954
Emeric Marcier (Romênia, 1916- França, 1990)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
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Capela Imperial do Amparo, Diamantina, 1954
Emeric Marcier (Romênia, 1916- França, 1990)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
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Onde está indo, minha linda menina? — ilustração de Walter Crane.–
Marcados por desenganos,
na busca de um céu aberto,
meus olhos são quais ciganos,
nunca têm destino certo.
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(Ilza Tostes)
Nicolas Chaperon (França, 1612-1656)
óleo sobre tela, 110 x 134 cm
Museu do Louvre, Paris
Meu conhecimento da tradição literária japonesa é nula. Conheço alguns escritores contemporâneos, mas não o suficiente para poder colocar a obra de Hiromi Kawakami em contexto. Assim, minha leitura de A valise do professor é feita pelos padrões e associações ocidentais. A história de uma simplicidade cativante, contada de modo direto sem rebuscados, de fácil leitura, retrata a vida de duas pessoas solitárias, que se reconhecem, que mantêm um relacionamento morno, e que encontram, no final, uma maneira mais íntima de se relacionarem. Elas são: Tsukiko uma mulher de 38 anos, solteira, que passa muitas de suas noites em um bar, sozinha, bebendo e comendo, sem grandes amigos e o Professor, de quem ela havia sido aluna, que viúvo, também, leva uma vida semelhante, só. Encontram-se em um bar e aos poucos desenvolvem uma amizade, fortemente enraizada na alimentação e na bebida. Apesar dos mais de 30 anos de idade que os separam, Tsukiko e o professor desfrutam de uma relação satisfatória para ambos.
Este é um romance delicado de grande sensibilidade às diferentes exigências que cada um tem para se relacionar com o mundo. Por trás dessa simples história há algo que nos preenche, que nos fascina. Talvez seja porque corresponde ao que trazemos no seio da cultura ocidental: o arquétipo de Mercúrio ou Hermes como psicopompo, um ser que guia a nossa percepção sobre o mundo que nos cerca e media os nossos desejos inconscientes. Neste romance o professor exerce esse papel, o de guia, o papel de psicopompo, abrindo o caminho para que uma nova Tsukiko apareça e saia de seu casulo, que bata asas e viva a vida. E o ponto alto dessa instrução vem com introdução dela ao amor. O professor como um bom guia da alma, oferece novas oportunidades para que Tsukiko aprimore seus sentidos. Ele a acompanha e a ensina a transitar entre os extremos que a vida lhe apresenta. E oferece também uma passagem segura para o conhecimento de sua própria alma. Até mesmo na lida com o submundo ele a guia — dos sonhos e pesadelos à aceitação da morte.
Hiromi KawakamiO título, que se refere à valise que o professor leva consigo a todos os lugares, corresponde ao arquétipo, pois trabalha com o símbolo da transição, o levar algo de um lugar ao outro. Não importa o conteúdo dessa valise, o que importa é que é o símbolo da viagem, da transição entre dois mundos esteja presente. Quando Tsukiko finalmente recebe a valise e a preserva, sabemos que ela entendeu e está pronta para assumir o papel do professor. Está, de agora em diante, incumbida em ser a facilitadora entre mundos, para quem dela necessite.
A carta de amor
Mark Spain (Inglaterra, 1962)
óleo
Tema: Azul
Silvia Nice
Eu sei de cor
Mar, luar, firmamento,
presentes já no paraíso,
cor primária e cor-pigmento
Adão e Eva já sabiam disso?
É cor de menino, é a cor de planetas,
está na bandeira, mas uso em caneta
é bebê, é petróleo, é turquesa, é marinho,
é safira, é viagra, é até ararinha
Se nos olhos, beleza
No sangue, nobreza
Dos quadrinhos pras lentes
é a cor mais quente
Na TV fez sucesso
mas já deu, tô de boa,
meu humor se perdeu
naquela tal Lagoa
Figurando no cine
pintou os sets
quis se destacar
com legenda, foi Jasmine
coloriu a Smurfette
e em 3D foi Avatar
Escravos libertos do plantio do algodão
aliviavam a dor de seus corpos nus
clamavam com a voz do coração
o olhar divino cantando Blues
Estimula mesmo a criatividade
olha só o pinguinho de tinta
no papel da Aquarela
Mas não posso negar a verdade
das sete cores do arco
eu prefiro a amarela.
Nathalya Delgado
Cores se igualam a amores.
Cores se incluem a lugares.
Cores se espalham pelos mares.
Cores que alegram os lares.
Uma cor decora meus amores.
Uma cor se integra aos meus lugares
Uma cor encanta os meus mares.
Uma cor se destaca nos meus lares.
Peões conversando/os políticos da aldeia, 1877
Wilhelm Leibl (Alemanha, 1844-1900)
óleo sobre tela, 76 x 97 cm
Museu Oskar Reinhart, Stadtgarten, Suíça

Padre Antônio Vieira, Sermões