Manlio Moretto (Brasil, 1917-2013)
Aquarela, 13 x 19 cm
Ethel Sands (Inglaterra, 1872-1962)
óleo sobre tela, 51 x 61 cm
Guildhall Art Gallery, Londres
Paisagem com ipê roxo às margens do Rio Piabanha, Petrópolis, 1943
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1904-1975)
óleo sobre tela, 64 x 80 cm
John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)
óleo sobre tela, 137 x 244 cm
Lady Lever Art Gallery, Inglaterra
“Registro: um dia de intenso calor; amenizado por uma brisa constante. Subi a margem do riacho de água escura e fluente, na verdade, um afluente do Tweed, com caniço na mão procurando um lugar para ficar. À luz do sol, a sombra formada pelas árvores à beira do rio é escura como a boca de uma caverna. Encontro o local desejado, coloco minha garrafa de cerveja dentro de um pequeno redemoinho que se forma na superfície d’água. Pesquei por uma hora. Peguei três trutinhas, que devolvi ao rio. Comi pão e queijo, bebi cerveja estupidamente gelada e voltei para casa a pé, passando pelo interior até chegar a Kildonnan com o sol batendo nas minhas costas. Um dia de completa solidão, de tranquilidade e beleza perfeita às margens do rio. Uma forma de felicidade que preciso encontrar mais vezes.”
Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 135
Procissão religiosa em Saragossa, c. 1332-1350
Chroniques de France ou de St. Denis, Paris
Royal 16 G VI, f. 32v
British Library
Notas do Diário de Viagem de Albrecht Dürer, em 1520.
“No domingo depois da procissão de Nossa Sra. da Assunção vi uma grande procissão da Igreja de Nossa Senhora na Antuérpia, quando a cidade inteira de todas as classes e ofícios se aglomerou, cada qual vestido de acordo com sua posição na sociedade. E todas as classes e guildas traziam as bandeiras, pelas quais podiam ser reconhecidos. Em intervalos grandes e caras velas-postes eram carregadas e os longos trombones francos de prata. Ainda na tradição germânica havia muitas flautas e tambores. Todos instrumentos vivamente tocados.
Vi a procissão passar pela rua, as pessoas enfileiradas, cada homem mantendo uma certa distância de seu vizinho, mas as filas eram próximas umas das outras. Havia ourives, pintores, pedreiros, bordadores, escultores, marceneiros, carpinteiros, marinheiros, pescadores, açougueiros, curtidores, tecelões, padeiros, alfaiates, sapateiros — de fato trabalhadores de todos os naipes, e muitos artesãos e negociantes que trabalham para sua sobrevivência. Da mesma forma, lojistas e comerciantes, e seus assistentes de todo tipo estavam lá. Depois deles vinham os atiradores com suas armas, arcos e flechas, os cavaleiros e os soldados a pé também. Seguia então um grande grupo de senhores magistrados. Logo vinha um grupo todo em vermelho, vestido em nobre e esplêndida maneira. Antes deles, no entanto, vieram todas as ordens religiosas e membros de algumas fundações muito devotos, todos em suas diferentes vestimentas.”
Travel Diary, Dürer, em W.M. Conway, Literary Remains of Albrecht Dürer (Cambridge; University Press, 1889): text slightly revised by J.B.R.
Encontrado em The Portable Renaissance Reader, editado por James Bruce Ross e Mary Martin McLaughlin, New York, The Viking Press: 1958, p. 232-233.
[Tradução é minha]
Ilya Galkin (Rússia, 1860-1915)
óleo sobre tela
“Infelizmente na cultura brasileira, existe a noção de que contar uma boa história é algo menor, de mero “entretenimento”; o verdadeiro artista cria obras rebuscadas, de difícil compreensão, repleta de silêncios e incongruências.”
Em: “A Antinarrativa”, Raphael Montes, O Globo, 18/11/2015, 2º caderno, página 6.