Cícero Dias (Brasil, 1907-2003)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Iluminura
Bíblia moralisada (Codex Vindobonensis 2554), 344 x 260 mm
Österreichische Nationalbibliothek, Viena
.
.
Às vezes é complicado explicar como cheguei a certos textos, nem vale a pena. Há uma palavra em inglês que é o meu motto: Serendipity. A tradução é inexata: ao acaso, por sorte, gosto de pensar que é por um flanar através de tópicos e ideias que chego ao que me importa. Taí, uma boa descrição. Aqui estão alguns dados interessantes sobre a evolução da astronomia.
.
.
“Os astrônomos da Europa ocidental antes do final do século X estavam bastante incapacitados em seu trabalho por falta de instrumentos apropriados à observação dos astros. Até então seus principais instrumentos eram a esfera armilar e o relógio de sol. Para calcular as datas da Páscoa e de outras festas móveis e o tamanho dos anos, meses e dias eles dependiam dos ciclos orientais ou tabulas, que eram baseados em outros, feitos anteriormente pelos alexandrinos. Ainda que por bastante tempo antes do século X eles soubessem que seus cálculos não estavam corretos, eles eram incapazes de melhorar sua medições porque ainda não tinham recebido dos árabes melhores instrumentos e teorias astronômicas.
Só ao final do século X o conhecimento do astrolábio árabe começou a penetrar no ocidente latino.”
.
[tradução minha]
.
.
Em: Early Medieval Society, ed. Sylvia L. Thrupp, New York:1967, artigo, Lotharingia as a Center of Arabic and Scientific Influence in the 11th century, de Mary Catherine Welborn, p.237
Retrato de N. V. Sapozhnikova, 1915
Nicolai Fechin (Rússia, 1881-1955)
óleo sobre tela
Museu de Arte, Tatarstan, Kazan
Vaso sangue de boi com rosas sobre a mesa,2011
Renato Meziat (Brasil, 1952)
óleo sobre tela, 100 x 75 cm
Peter Samuelson (Inglaterra, 1912-1996)
óleo sobre tela
Quanta gente encontro me diz que sua vida daria um romance? Muita. Ao saberem que estou envolvida com leitura, com a escrita, com revisão de textos e traduções parece que veem a porta do confessionário se abrir e à menor deixa desfilam o rosário de aventuras e desventuras que acumularam através dos anos. Ainda que na maioria das vezes tenham, de fato, vivido momentos extraordinários, nem sempre o equilíbrio entre o que lhes aconteceu e o resto de suas vidas mereceria um relato cuidadoso. Nunca soube o que dizer a esses interlocutores além de me colocar passivamente na escuta, por um questão de delicadeza e respeito ao outro. Hoje, no entanto, encontrei esse trechinho fabuloso. Acho que vou decorá-lo para uso futuro.
“Toda vida é ao mesmo tempo, comum e excepcional — são as respectivas proporções de cada uma dessas categorias que irão fazê-la interessante ou insípida.”
Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, página 13