Resenha, “Meu nome é Lucy Barton” de Elizabeth Strout

21 10 2016

 

gabriele-munter_malade_galleryintell_artexDoente, 1917

Gabriele Münter (Alemanha, 1877-1962)

óleo sobre tela,

 

 

 

Com a recomendação do livro de Eizabeth Strout, veio o aviso: “a literatura mais realista de hoje“.  Realismo é uma dessas coisas que depende de quem vê. A mim, logo lembra o século XIX, Flaubert, Eça, Aluísio, Dreiser. Mas se esse é o realismo do nosso tempo, estamos fritos.  Porque é ralo.  Falta amor da autora aos personagens; talvez por isso sejam unidimensionais.

Quando no início do século passado o fluxo de consciência virou moda literária, passamos a fazer sentido de pensamentos independentes, sem óbvio nexo, que não obedecem a uma ordem, como os pequenos parágrafos, ímpares e desconexos, que o leitor encontra em Meu nome é Lucy Barton. Parecem notas de viagem. Pode até ser de uma viagem interna, pelo mundo dos sentimentos enrustidos, mas só esboçados. Elizabeth Strout  tem um estilo radicalmente simplificado,  minimalista na linguagem, e abusa da repetição de algumas expressões, para aparentemente promover uma pausa.

 

 

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Lucy Barton precisa ficar internada em um hospital por algumas semanas. Sua mãe que não a vê há muito tempo vem lhe fazer companhia. Lucy nutre uma ingênua esperança de se sentir amada, tentativa que se frustra.  No ir e vir do tempo temos memórias relâmpagos da infância, da vida em família de Lucy, assim como dos apertos por que passou numa vida em que a miséria batia à porta todos os dias.  Esse sofrimento, no entanto, é contado de maneira tão distante e tão entrecortado por outras lembranças que não há identificação do leitor ou da narradora com a vida passada.

 

 

elizabeth-stroutElizabeth Strout

 

 

Fica claro que Lucy não consegue se relacionar com os familiares mais próximos, e não apresenta qualquer habilidade para conectar-se com sua mãe. Difícil imaginar que a aprovação da mãe seja tão importante para ela, já que a distância entre as duas era tudo o que sempre conheceram. No todo, somos apresentados a uma família complexa, onde os membros têm dificuldade de lidar com sentimentos. São pessoas que não conseguem amar em plenitude e não se sentem amados.

O enredo de Meu nome é Lucy Barton é auto reflexivo. Lucy Barton ensaia ser escritora, ter seu manuscrito publicado.  Para isso procura se aperfeiçoar seguindo os ensinamentos de  uma escritora famosa de quem gosta: Sarah Payne. O manuscrito que ela dá a Sarah para ler parece ser exatamente o livro que nós leitores estamos lendo. E é  Sarah Payne, quem, portanto, define para o leitor a essência da história que ele está lendo: “É a história de uma mãe que ama a filha. De forma imperfeita. Porque todos nós amamos de forma imperfeita.“[87] Lucy procura achar respostas na imagem do espelho.  Ou seria Elizabeth Strout quem procura? Será que como num espelho tudo não passa de uma reflexão do que está deixado para trás? Acho que Elizabeth Strout teve uma ideia interessante, mas que ainda não foi dessa vez que conseguiu executá-la com maestria. E questiono o rótulo de realismo.

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Palavras para lembrar — Émile Zola

19 10 2016

 

 

louis-jambor-dia-ensolarado-oleo-sobre-tela-100-x-757Piquenique em dia ensolarado

Louis Jambor Lajos (Hungria, 1884-1955)

óleo sobre tela, 100 x 76 cm

 

 

“Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa.”

 

Émile Zola

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Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

19 10 2016

 

 

a-rocco-natureza-morta-o-s-e-37-x-45-cm-assinado-no-cidNatureza morta, 1986

Alfredo Rocco (Brasil, 1914- 1999)

óleo sobre eucatex,  37 x 45 cm





Imagem de leitura — Yamashita Shintaro

18 10 2016

 

 

yamashita-shintaro-mulher-lendo-1907-ostMulher lendo, 1907

Yamashita Shintaro (Japão, 1881 – 1966)

óleo sobre tela

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O golfe, texto de William Boyd

18 10 2016

Bia Betancourt [Beatriz Falanghe Betancourt] (Brasil, 1963) Golfista, ast, 70 x 180 cmGolfista

Bia Betancourt  (Brasil, 1963)

acrílica sobre tela, 70 x 180 cm

 

 

“Uma das coisas da África de que mais sinto saudade é meu golfe com Dr. Kwaku no campo mirrado de Ikiri. Sinto falta do golfe e da cerveja na ladeira do clube, assistindo ao por do sol.Por que será que gosto de golfe? Não é um esporte estrênuo o que é uma vantagem. O grande benefício é que, ainda que o sujeito não seja um exímio jogador, é ainda possível que realize jogadas no mesmo nível daquelas dos grandes jogadores mundiais. Lembro que um dia eu tinha levado um fragmentário sete à paridade quatro no oitavo buraco em Ikiri e me posicionei para o curto nono, uma paridade três, com um seis-ferro. Morrendo de calor, suado e irritado, balancei, golpeei, a bola planou, quicou uma vez no marrom e caiu no buraco. Um buraco em um. Foi a tacada perfeita — não dava para ninguém fazer melhor, nem mesmo o campeão mundial. Não consigo pensar em nenhum outro esporte que dê ao amador a chance da perfeição. Aquela jogada me deixou feliz por um ano, todas as vezes que eu me lembrava dela….”

 

Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 421-22.

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Imagem de leitura — Aaron Shikler

17 10 2016

 

 

aaron-shikler-eua-1922-2005-leitora-1992-ostLeitora, 1992

Aaron Shikler (EUA, 1922-2005)

técnica mista

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Nossas cidades: Natal, RN

17 10 2016

 

 

maurenice-lopes-rua-chile-2006-guap-5-anos-natal-rnRua Chile, Natal, 2006

Maurenice Lopes (Brasil, contemporânea)

 





Eu pintor: Vörös Geza

16 10 2016

 

 

voros-gezahungria1897-1957autorretrato-c-1930-ost-64x51-cmAutorretrato, c. 1930

Vörös Geza (Hungria, 1897-1957)

óleo sobre tela, 64 x 51 cm

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Minutos de sabedoria: Hanif Kureishi

16 10 2016

nicolae-tonitzaromenia-duas-irmas-1927Duas irmãs, 1927

Nicolae Tonitza (Romênia, 1886-1940)

óleo sobre cartão

“A verdade é uma tatuagem na testa. Não podemos vê-la sozinhos. Eu sou seu espelho.”

Hanif Kereishi

hanif_kureishiHanif Kureishi

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Domingo, um passeio no campo!

16 10 2016

 

 

archimedes-dutra-brasil1908-1983pescadore-no-rio-piracicaba-1972-ost-50-x-75cmPescadores no rio Piracicaba, 1972

Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983)

óleo sobre tela, 50 x 75 cm