Dia de domingo na praia, 1950
Eugênio Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)
óleo sobre eucatex, 18 X 24 cm
Praia, década de 1960
John Graz (Suíça-Brasil, 1891-1980)
técnica mista, 33 x 33 cm
Dia de domingo na praia, 1950
Eugênio Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)
óleo sobre eucatex, 18 X 24 cm
Praia, década de 1960
John Graz (Suíça-Brasil, 1891-1980)
técnica mista, 33 x 33 cm

Mrs Osler, 1929
Sir John Lavery (Irlanda, 1856-1941)
óleo sobre tela
Flores Frescas
Mário Gruber (Brasil, 1927 -2011)
óleo sobre tela, 51 x 41 cm
Vaso de Flores,1951
Jorge Mori (Brasil, 1932-2018)
óleo sobre tela, 54 x 65 cm
Praça XV de novembro
Jayme Aguiar (Brasil, 1925-2008)
óleo sobre eucatex, 38 x 46 cm
Coleção Particular
Apollinaire e seus amigos, 1909
Marie Laurencin (França, 1883-1956)
óleo sobre tela
Centre Pompidou, Paris
O que habitualmente chamamos amigos e amizades não são senão conhecimentos e familiaridades contraídos quer por alguma circunstância fortuita quer por um qualquer interesse, por meio dos quais as nossas almas se mantêm em contacto. Na amizade de que falo, as almas mesclam-se e fundem-se uma na noutra em união tão absoluta que elas apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque o amava, sinto que só o posso exprimir respondendo: «Porque era ele; porque era eu».
(…) Não me venham meter ao mesmo nível essas outras amizades comuns! Conheço-as tão bem como qualquer outro, e até algumas das mais perfeitas do gênero, mas não aconselho ninguém a confundir as suas regras: laboraria num erro. Em tais amizades deve-se andar de rédeas na mão, com prudência e cautela – o nó não está atado de maneira que, acerca dele, não se tenha de nutrir alguma desconfiança. «Amai o vosso amigo», dizia Quílon, «como se algum dia tiverdes que o odiar; odiai-o como se tiverdes que o amar.» Este preceito, tão abominável se aplicada à soberana e superna amizade, é salutar a respeito das amizades comuns e habituais, em relação às quais se deve empregar este dito tão ao gosto de Aristóteles: «Ó amigos meus, não há nenhum amigo!»
Michel de Montaigne, em Ensaios
O gato
Sonya Grassmann (Bulgária-Brasil, 1933-1997)
[Anne Marie Elisabeth Graesse]
acrílica sobre madeira, 30 cm x 32 cm
A curiosidade de Offenbach não tem limites animais: basta que alguém de nós pare diante das janelas que dão para rua, para ver Offenbach, atrás e abaixo, tentando olhar o que olhamos, por todos os meios, chegando a miar para que o carreguem ou suba ao televisor e, espichando o pescoço, olhar também o que olhamos.
Um dia chegou em casa a bela G. Ch., numa visita breve, e Offenbach, talvez reconhecendo-a, caprichou seu caminhar à Dietrich para atravessar a sala em direção ao estúdio e para inspirar a simpatia eterna à visita: a mesma coisa acontece com qualquer visitante receptivo aos gatos.
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Ver Offenbach comer ou tomar água é outro deleite: não pode haver maior finura em atos tão animais. Sua língua sobe e desce na água com uma regularidade metronômica, e, ao comer, morde gentilmente a carne e a engole pouco a pouco, à medida que é mastigada por seus débeis dentes.
Offenbach é um espetáculo de ver até dormindo, sobretudo dormindo. Nos dias de sol ele se regala com a luz e o calor, estirando uma pata à frente enquanto coloca sobre ela a cabeça à maneira de almofada. Nos dias frios se recolhe como uma galinha chocando, perto de um dos radiadores, convertendo-se numa verdadeira bola de pelos, apenas a cabeça saindo de dentro do abrigo natural. Outras vezes usa como travesseiro os objetos mais diferentes: o cabo do telefone, a perna de um radiador, o próprio chão, enquanto seu corpo descansa num coxim. Outras vezes… mas basta.
Em: Offenbach, conto de Guillermo Cabrera Infante (1929-2005), em Os melhores contos de cães e gatos, org. Flávio Moreira da Costa, Rio de Janeiro, Ediouro: 2007
Natureza morta
Durval Pereira (Brasil, 1917- 1984)
óleo sobre madeira, 25 x 35 cm
Pimentões
Jorge Ziata (Brasil, ativo na primeira metade do século XX)
óleo sobre tela, 24 x 37cm
Leitora na luz de um candeeiro
Pieter Willem Sebes (Holanda, 1827-1906)
óleo sobre madeira, 54 x 40 cm
“Ao contemplar uma pintura de grandes proporções, sentimo-nos empolgados por estar na presença de tudo ao mesmo tempo e queremos entrar no quadro. Quando estamos no meio de um volumoso romance, sentimos o estonteante prazer de estar num mundo que não conseguimos ver em sua inteireza. Para ver tudo temos de constantemente transformar os momentos separados em quadros mentais. É esse processo de transformação que torna a leitura de um romance uma tarefa mais pessoal, mais colaborativa que a contemplação de um quadro.”
― Orhan Pamuk, The Naive and the Sentimental Novelist