As duas irmãs, texto de Chimamanda Ngozi Adichie

21 05 2025
Ilustração, Brian Wambi do livro The Kando Forest Disaster.

 

 

 

“Estavam voltando de uma tarefa que tinham ido fazer na casa da tia Yaaye quando Binta disse para Kadiatou: “Vamos subir nesta árvore”. “Mas meninas não sobem em árvores. E se alguém contar?” “Ninguém vai contar.” “A gente vai cair”, falou Kadiatou. “E vamos levantar”, disse Binta. Era um pé de acácia bem firme, com galhos espalhados como membros, prontos para receber um abraço. O dia estava ofuscante de sol, e Kadiatou prendeu a saia na mão e subiu atrás de Binta, seu coração batendo depressa, receosa de não estar seguindo suas linhas cuidadosas. Ela parou num galho bifurcado, mas Binta subiu mais. Dava para ver os telhados inclinados da aldeia lá embaixo e o vale majestoso banhado numa bruma melancólica ao longe. Ela tinha mesmo subido numa árvore, estava em cima de uma árvore, bem lá no alto. Que estimulante descobrir que conseguia ultrapassar os limites que tinha imposto para si mesma.Mais tarde, ao descer, Kadiatou sentiu-se feliz por ter subido, mas tinha certeza de que nunca mais faria aquilo de novo. Elas não souberam ao certo quem contou a Bappa Moussa. Ele ralhou com elas e disse que trariam vergonha para a família se comportando daquele jeito, como meninas sem modos. Kadiatou pediu desculpas, enquanto Binta apenas o encarou, carrancuda e em silêncio. E então Kadiatou pediu desculpas várias vezes, para compensar o silêncio de Binta. Aquilo fez Kadiatou se lembrar de que, quando o chefe da aldeia passava, ela o cumprimentava com olhar baixo e respeitoso, enquanto Binta o encarava, levando a irmã a fazer uma mesura ainda mais profunda, como se quisesse compensá-la. Kadiatou sabia se encolher na presença de seus superiores, mas Binta nem sequer sabia que tinha superiores. Mais tarde, Binta disse para Mama: “Eu consigo subir mais alto até do que Bhoye”, e Mama, espalhando pétalas de hibisco num tapete, riu com um brilho nos olhos e disse: “Binta!”. Kadiatou sabia que a mãe a amava por cumprir seus deveres e ser confiável, mas às vezes, secretamente, queria que a mãe a amasse como amava Binta, por ser livre.”

 

Em: A contagem dos sonhos, Chimamanda Ngozi Adichie, tradução de Julia Romeu, Rio de Janeiro, Cia das Letras: 2025





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

21 05 2025

Natureza morta

Lucy Citti Ferreira (Brasil, 1911-2008)

óleo sobre tela,  33 x 41 cm

 

 

 

Natureza morta, 1970

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

óleo sobre madeira, 33 x 42 cm





Eu, pintor: Vicente do Rego Monteiro

20 05 2025

Autorretrato

Vicente do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)

nanquim sobre papel, 23 x 19 cm





Nossas cidades: Niterói

20 05 2025

Barcos em Jurujuba, Niterói, 1993

José Benigno Ribeiro (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 55 x 80 cm





Dia a dia…

19 05 2025

ONTEM

Discussão do livro A CARTEIRA. Livro de maio de 2025.
Muitas gostaram, algumas acharam mais ou menos, uma se decepcionou e eu realmente não gostei. Mas quem gostou…gostou muito. 😊





Do outono e do silêncio, poema de Álvaro Moreyra

19 05 2025

Vale do Sertig no outono, 1925

Ernst Ludwig Kirchner (Alemanha, 1880-1938)

óleo sobre tela, 136 x 200 cm

Kirchner Museum, Davos, Suíça

 

 

 

Do outono e do silêncio

 

Álvaro Moreyra

 

Ah! como eu sinto o Outono

nesses crepúsculos dispersos,

de solidão e de abandono…

nessas nuvens longínquas, agoureiras,

que têm a cor que um dia houve em meus versos

e nas tuas olheiras…

 

Tomba uma sombra roxa sobre a Terra…

A mesma nuança, em torno, tudo encerra

nuns tons fanados de ametista…

Paisagem morta, evocativa, doce…

como se o Ocaso fosse

um pintor simbolista…

 

Caem violetas…

 

Canta uma voz, distante…

 

E a luz vai a fugir, esfacelando

em trêmulas silhuetas

os troncos da alameda agonizante…

 

O Outono é uma elegia

que as folhas plangem, pelo vento, em bando…

E o Outono me endolora e anestesia

com a saudade remota do silêncio…

Silêncio vesperal das ressonâncias

esquecidas

que o Ângelus lento deixa sempre no ar…

Silêncio

irmão das covas, das ermidas…

incenso das distâncias…

onde a memória fica a ouvir perdidas

palavras que morreram sem falar…

 

E do silêncio em névoas esgarçado,

a cuja extrema sugestão me abrigo,

tu te evolas, dolente,

tal uma hora feliz de tempo alado

que às vezes brota de repente

de um velho aroma ou de acorde antigo…

                                                            

 

Em: Legenda da luz e da vida, Álvaro Moreyra, 1911

 

 





Paisagens brasileiras…

18 05 2025

Laranjal, 1986

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela, 35 x 70 cm

 

 

 

Colheita de laranjas, 1978

Enrico Bianco (Itália-Brasil, 1918-2013)

óleo sobre placa de madeira industrializada, 38 x 48 cm





Em casa: Tracy Porter

18 05 2025

Fim de semana sem fim

Tracy Porter (EUA, contemporânea)

glicée gravura sobre tela

 





Sublinhando…

17 05 2025

A menina do papai

Karin Jurick (EUA, 1961-2021)

óleo sobre placa, 20 x 20 cm

 

“O tempo é um químico invisível, que dissolve, compõe, extrai e transforma todas as substâncias morais.”

 

Machado de Assis





A arte do desenho: Portinari

17 05 2025

Tio Ildefonso, 1942

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

bico de pena sobre papel, 15 x 15 cm