Da janela vê-se o Corcovado…

30 01 2026

Passeio Público, RJ, 1937

Milton Dacosta (Brasil, 1915-1988)

óleo sobre tela, 26 X 35 cm





5ª leitura do ano: Madame Bovary, Gustave Flaubert

29 01 2026

 

 

Finalmente li Madame Bovary, de Gustave Flaubert, (1857), um clássico, considerado uma das três obras mais influentes na história literária do mundo ocidental.  As outras são: Don Quixote, de Cervantes (1605) por ser considerado o primeiro romance moderno, e Ulisses de James Joyce (1922) por ter revolucionado a narrativa, incluindo o fluxo de consciência, entre outras novidades.  Nesse meio, Madame Bovary se salienta na literatura ao introduzir o realismo na narrativa literária; pela excelência na precisão das palavras; por trazer pela primeira vez uma anti-heroína, entre outros “primeiros” que esse romance introduz, incluindo a crítica social. Essa era uma falha na minha formação que me orgulho de tê-la superado. Confesso que estava um tanto intimidada ao abrir esse livro.  Tanto se fala dele.  Foi fonte de inspiração para Ana Karênina, de Tolstói publicado vinte anos mais tarde, e foi fonte de inspiração para um grande número de escritores.  Mas depois de ler O papagaio de Flaubert, de Julian Barnes, há uns poucos anos, que me encantou, percebi que precisava a qualquer custo me dedicar a Madame Bovary.  A conta havia chegado. Fui auxiliada também pelo grupo de leitura Papalivros que escolheu essa como primeira leitura de 2026.

Não consigo imaginar algo que eu possa dizer que já não tenha sido dito sobre essa obra. Surpreendente  foi a mágica da linguagem encontrada, momentos de pura poesia em prosa, descrições de ambientes, de cenários que conseguem acender a imaginação do leitor sem esforço.  Flaubert trabalhou nesse livro por cinco anos, e se sente.  Seus personagens são tridimensionais, inteiros, cheios das idiossincrasias naturais dos seres humanos.  São desprezíveis, vis, mesquinhos, indiferentes, cobiçosos, idiotas, gananciosos, tolos, parvos, simplórios, interesseiros.  Mas ninguém supera Ema Bovary. Fui instigada a detestá-la. Não suscitou em mim, qualquer simpatia. Viveu e  morreu como quis, numa volúpia de quereres sem fim, ousadia sem limites, sôfrega por satisfazer-se e só a si mesma. Mesmo assim vale a pena conhecê-la.  

Flaubert e sua casa editorial La Revue de Paris foram processados por essa publicação por ofender a moral e os bons costumes. O julgamento criou grande curiosidade no público e o romance se tornou um best-seller imediatamente após ganharam a causa.  Publicado em 1857, mas passado nos anos de 1830, durante o reinado de Napoleão III, Flaubert usa o contexto histórico para retratar aquilo que não aprovava naquele reinado.

É uma história completa.  Retrata os locais, a era, os hábitos e costumes, e seus personagens são ricos, completos, com anseios e desejos, faltas morais, ciúmes, indiferenças e cobiça, tal qual o mundo que nos rodeia.  A leitura é vagarosa para ser, de fato, saboreada. É preciso imersão.  Mas o resultado dessa experiência deve ser para sempre.  Fiquei com vontade de reler quase imediatamente.  Provavelmente o farei muitas vezes. 

 





Introdução do Cálculo na Idade Média, por Jacques Le Goff

29 01 2026

Monge ermitão escrevendo em sua mesa, 1300-1325

[DETALHE]

Estoire del Saint Graal, La Queste del Saint Graal, Morte Artu (Royal MS 14 E III), France, N. (Saint-Omer or Tournai?)

pergaminho, 49 x 34 cm

Biblioteca Britânica, Londres

 

 

 

 

[O ensino do cálculo] “principia pelo uso de instrumentos práticos que servem primeiro ao estudante para calcular e depois ao financeiro, ao comerciante. São o ábaco e o tabuleiro — ‘humildes antepassados das modernas máquinas de calcular’. Os manuais de aritmética elementar multiplicam-se a partir do século XIII, tal como aquele que foi escrito em 1340 por Paolo Dagomari de Prato, apelidado de Paolo dell’Abaco.  Entre os tratados científicos, alguns tiveram, tanto para a contabilidade comercial como para a ciência matemática, uma importância singular. Foi o caso do Tratado do Abaco — liber abbaci — que Leonardo Fibonacci publica em 1202. Este Leonardo Fibonacci é um Pisano cujo pai é oficial da alfândega da República de Pisa em Bougie, em África. Foi no mundo cristão-muçulmano do comércio, em Bougie, no Egito, na Síria, na Sicília, por onde viaja em negócios, que se iniciou nas matemáticas que os Árabes aprenderam com os Hindus. Na sua obra, introduz o emprego dos números árabes e do zero, inovação fundamental para a numeração com parcelas, operações com frações e cálculo proporcional. Levando mais longe as suas pesquisas, publica em 1220 uma Prática de Geometria. Nos finais da Idade Média, em 1494, Luca Pacioli escreve a sua famosa Summa de Arithmetica, resumo do conhecimento aritmético e matemático do mundo do comércio; nessa obra debruça-se especialmente sobre a contabilidade de dupla entrada.  Na Alemanha, contudo, populariza-se um outro manual, depois de 1450, o Método de Cálculo de Nuremberg.” 

 

Em: Mercadores e Banqueiros da Idade Média, Jacques Le Goff, tradução de Orlando Cardoso, Lisboa, Gradiva: s/d. página 79. *

* Fiz ajustes de grafia, tais como Egipto, na grafia portuguesa para Egito, na grafia brasileira. 

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

28 01 2026

Natureza morta, 1983

Adelson do Prado (Brasil, 1944 – 2013)

óleo sobre tela colado em chapa de eucatex. 16 x 37 cm

 

 

Natureza morta, 1948

Eugenio de Proença Sigaud (Brasil, 1899-1979)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm 





Nossas cidades: Brasília

27 01 2026

Congresso Nacional, 2021

Carlos Bracher (Brasil, 1941)

óleo sobre tela, 100 x 180 cm

 

 





Flores, porque hoje é sábado…

24 01 2026

Flores

Douglas Okada (Brasil, 1984)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

Sol na varanda com girassóis

Raquel Taraborelli (Brasil, 1957- 2020)

óleo sobre tela, 85 x 73 cm





Trova do verão

23 01 2026
Capa da Revista St. Nicholas, de agosto de 1917, por H. Ayres.

Praia cheia, muita gente,

curtindo a bela estação;

suco gelado, sol quente,

tranquilidade. É verão.

 

(Argemira Fernandes Marcondes)





Da janela vê-se o Corcovado…

23 01 2026

Marina da Glória com o Corcovado ao fundo

Jorge Vieira (Brasil, 1952) 

óleo sobre tela, 74 x 64 cm





Imagem de leitura: Rupert Charles Wulsten Bunny

22 01 2026

Na varanda

Rupert Bunny (Austrália, 1864-1947)

óleo sobre tela, 80 x 64 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

21 01 2026

Natureza morta

Benedito José Tobias (Brasil, 1894-1963)

[B. J. Tobias]

óleo sobre tela, 44 x 58 cm

 

 

 

Natureza Morta

Domingos Gemelli (Brasil, 1915-1985)

óleo sobre tela, 54 x 60 cm

 

 

NOTA: são dezoito anos postando, duas vezes por semana, naturezas mortas, nesse blog. E vejo que tanto frutas, legumes, hortaliças, assim como  flores têm moda, têm épocas de apreciação.  Hoje, é raro encontrarmos alguma natureza morta com abóboras, como aparece nessas duas telas acima.  As naturezas mortas (da cozinha) mais recente, se limitam a frutas e legumes mais coloridos, como pimentões, cebolas.  Mas a preferência é sempre por frutas e quase nenhuma hortaliça.  Os verdes, das folhas, da couve, dos chuchus, da taioba, do repolho desapareceram da mesa dos nossos artistas plásticos.  Mesmo a banana já não aparece tanto, e o coco definitivamente pertence aos anos 40-60 do século XX.  Estamos mais restritos na dieta artística.  Pintores continuam a produzir natureza mortas, mas o que é retratado é diferente. Restrição semelhante acontece nos  vasos com flores.