Minutos de sabedoria: Miguel Torga

5 10 2016

 

 

lost-pocketbook-night-train-sally-storchBolsa perdida, trem noturno, 2005

Sally Storch (EUA, 1952)

óleo sobre tela, 75 x 75 cm

 

 

“Viajar, num sentido profundo, é morrer. É deixar de ser manjerico à janela do seu quarto e desfazer-se em espanto, em desilusão, em saudade, em cansaço, em movimento, pelo mundo além.”

 

Miguel Torga

 

torga-miguelMiguel Torga (1907-1995)

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Imagem de leitura — Ira Tsantekidou

5 10 2016

 

 

ira-tsantekidou-grecia-1967noite-azul2005-ost-80x90Noite azul, 2005

Ira Tsantekidou (Grécia, 1967)

óleo sobre tela, 80 x 90 cm

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Imagem de leitura — Fanny Caillé

3 10 2016

 

 

fanny-caille-franca-1850-1900-femme-lisant-ou-reverie-ostMulher lendo

Fanny Caillé (França, 1850-1900)

óleo sobre tela

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Imagem de leitura — Alexander Mann

2 10 2016

 

 

alexander-mann-1853-1908-escociaRetrato de Helen Gow

Alexander Mann (Escócia, 1853 – 1908)

óleo sobre tela





Resenha: “Que ninguém nos ouça” de Leila Ferreira e Cris Guerra

1 10 2016

 

 

david-hettinger-in_her_room-ostEm seu quarto

David Hettinger (EUA, 1946)

óleo sobre tela

www.dhettingerstudio.com

 

 

Gosto de sair da minha zona de conforto na leitura. Mesmo assim repito tendências.  Além de ficção literária leio biografias, história, ficção histórica, ensaios, crônicas e contos, crônicas de viagem. Cheguei a Que ninguém nos ouça através da recomendação de um amigo, já que ando à procura de boas obras brasileiras que não exijam um PhD em niilismo para serem apreciadas. Seleciono livros para o projeto Eu também leio, de incentivo à leitura. Por isso, alargo meus horizontes, sobretudo no âmbito nacional.

Desde que passamos a nos comunicar eletronicamente filmes e livros têm refletido essa atividade.  No cinema, Mensagem para você (1998) foi um grande sucesso entre comédias românticas do final do século. Há muitos livros que usaram o mesmo conceito de trocas de emails, como parte da trama. Todos seguem a antiga tradição de romances epistolares entre os quais está As relações perigosas do francês Chordelos de Laclos, tão ao gosto das intrigas de alcova do século XVIII. Essa obra teve um renascimento depois que foi adaptada para o teatro e mais tarde alvo de uma série televisiva. Usando a mesma técnica epistolar, adaptada ao email,  li num passado próximo,  A pesca do salmão no Iêmen, de  Paul Torday, que também se tornou obra cinematográfica e a deliciosa obra de Fal Azevedo, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, merecedora de mais atenção do que recebeu desde que foi publicada em 2007.

 

 

que_ninguem_nos_oua_1457784582571241sk1457784582b

 

Careço entender o sucesso de Que ninguém nos ouça. Situada tanto na tradição epistolar quanto na corrente brasileira de crônicas do cotidiano, essa publicação não chega a satisfazer qualquer dessas categorias. Falta-lhe fundura.  Trata-se de uma coletânea de emails entre duas mulheres desprovida de argúcia ou estilo. Precisava de um bom editor, que se dedicasse à eliminação de repetições, que sugerisse cortes para maior realce a textos de interesse geral.  Leitores citam leveza e simplicidade como qualidades do livro.  Uma obra despretensiosa não precisa ser rasa para ter charme. Magnetismo vem justamente da frase bem aplicada e significativa, sem dar espaço ao lugar comum.  Infelizmente a chamada sabedoria, filosofia de vida, mencionada pelos leitores deste livro não passa de frases para cartões de aniversário, de amizade, de apoio ao amigo em apuros, frases usadas em cartões vendidos em papelarias de bairro. Elas também servem para postagem nas páginas do Facebook, como truísmos ou verdades incontestáveis. A obra é repleta dessas banalidades. As trivialidades são intermitentes.  E as situações cotidianas descritas pelas autoras pintam clichês que não atiçariam a curiosidade do mais dedicado voyeur.

 

 

foto-cris-e-leilaLeila Ferreira e Cris Guerra

 

Entendo que essa publicação não tem objetivo de obra literária, ainda que suas autoras sejam ambas escritoras. Temos maravilhosos mestres da crônica que abordaram assuntos triviais e conseguiram tornar esses pequenos ensaios verdadeiras obras de arte.  Seria bom se ambas as autoras tivessem se inspirado nesses mestres do cotidiano e desenvolvido uma obra de maior peso.

Não recomendo.

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Da doença, Muriel Barbery

29 09 2016

 

 

kathleen-ward-eua-contemp-barraca-vermelha-ost15-x-15-cm-2Barraca vermelha

Kathleen Ward (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 15  x 15 cm

 

 

“Quando a doença entra num lar, não apenas se apodera de um corpo, mas tece entre os corações uma teia escura que soterra a esperança. Qual um fio de aranha enrolando-se em torno dos nossos projetos e da nossa respiração, a doença, dia a dia engolia nossa vida.”

 

 

Em: A elegância do ouriço, Muriel Barbery, São Paulo, Cia das Letras:2008, página, 76. [tradução de Rosa Freire d’Aguiar].





Minutos de sabedoria — Vicente Blasco Ibañez

28 09 2016

 

 

asantell-anthony-santellaMetrô

Anthony Santella (EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela

www.anthonysantella.com

 

 

“Temos duas forças que nos ajudam a viver: o esquecimento e a esperança.”

 

Vicente Blasco Ibañez

 

 

vicente-blasco-ibanezVicente Blasco Ibañez (1867-1928)

 

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Imagem de leitura — Eugeniusz Eibisch

28 09 2016

 

 

eugeniusz-eibisch-polonia-1895-1987-leitura-1953-tempera-guache-sobre-tela-48-x-31cmLeitura, 1953

Eugeniusz Eibisch (Polônia, 1895 – 1987)

tempera e guache sobre tela, 48 x 31cm

 

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Imagem de leitura — Jules Pascin

26 09 2016

 

 

jules-pascin-girl-in-blue-dress-on-sofa-reading-jules-pascin-circa-1922Garota de vestido azul no sofá, c. 1922

Jules Pascin (Bulgária/EUA, 1885-1930)

óleo sobre painel de fibra colado em madeira, 65 x 55 cm

The Barnes Foundation





Resenha: “Pequena Abelha”, de Chris Cleave

25 09 2016

 

 

oresegun-olumide-nigeria-1981-ostVestido de noiva perfeito

Oresegun Olumide (Nigéria, 1981)

óleo sobre tela

 

 

 

Deixe-me primeiro deixar claro que a narrativa de Pequena Abelha não me pareceu mágica, nem me encantou, nem me fez chorar e muito menos não me fez ficar mais sensível ao problema social, mundial, que retrata, como parece ter acontecido a muitos leitores. Em segundo lugar, não gosto de literatura com um fim político. Toda vez que uma autor tem  uma causa a retratar, a passar adiante, ele diminui o potencial de sua criatividade, por aceitar os parâmetros da mensagem. E ainda, em terceiro lugar, não gosto de narrativas contadas por uma voz infantil.  Acho de imediato que haverá exploração emocional, que como leitora, estarei logo logo apta a ouvir violinos na música de fundo, pois eles estão a postos, como num filme de Walt Disney,  para provocar o sentimentalismo.  Poucos são os autores cuja voz narrativa, de criança ou de adolescente, recebem os meus cumprimentos.  Lembro-me mais recentemente dos livros O Retorno de Dulce Maria Cardoso e de Vermelho Amargo de Bartolomeu Campos de Queirós que, sendo exceções, provam a regra.  Achei a voz da Pequena Abelha ingênua demais, para dezesseis anos, com todos os sinais de uma exploração sentimental, ao longo do caminho.

A história explora a saga dos refugiados de guerra. Tema eminentemente contemporâneo e corriqueiro.  No pano de fundo temos o retrato da indiferença do poder colonial inglês, que pode ser estendido a todos os poderes coloniais europeus ou orientais.  A história da pequena imigrante nigeriana, fugitiva de guerra, é entremeada com a história de um casal de jornalistas ingleses.  Suas histórias se intercalam, mesmo depois de se encontrarem.  Duas narrativas, duas realidades.  Um balanço de pontos de vista.   Essa parece ter sido a ideia original do autor, já que o título original da obra era On the other hand – (Por outro lado). Aqui no Brasil, convencionou-se usar Pequena Abelha, o mesmo nome dado à obra nos EUA onde o marketing estipulou o título para melhor exploração comercial. Ao personalizar o sofrimento generalizado de um povo, a história se torna mais próxima ao leitor.  Essa mudança, no entanto, tira a ênfase dos dois lados da história: do refugiado e de quem o recebe.  Neste caso, especificamente, uma situação muito mais complexa já que os antigos colonizadores são os que recebem, ou não, os refugiados de guerra de uma antiga colônia, onde muitos se consideravam cidadãos do poder colonial.

 

pequena_abelha_1285425763b

 

Chris Cleave é um autor inglês e faz uma interessante comparação entre colonizados e colonizadores. Conflitos entre empresas de petróleo, no delta do rio Níger com grupos étnicos minoritários, se estendem desde a década de 1990. A partir de 2004 houve um aumento significativo da violência entre eles.  O casal de jornalistas ingleses é retratado com dois pontos de vista sobre o que acontece na ex-colônia.  Sarah sente-se culpada pelos anos de colonização e não perde a oportunidade de demonstrar sua culpa como colonizadora sacrificando-se na tentativa de salvar pelo menos parte do que restava de civilização.  Mesmo ao final, quando tudo parece estar se resolvendo, Sarah mostra sua culpa, ao dizer ao filho que é preciso proteger a Pequena Abelha “porque ainda não fizemos o suficiente para salvá-la.” (Nigéria?) Seu marido, Andrew, por outro lado, não compartilha da culpa social. A responsabilidade pelo estado das coisas na Nigéria é deles, dos nigerianos, afinal a Grã-Bretanha já está fora de lá há muito tempo. É uma guerra entre nigerianos. Ele se acha incapaz, ou se recusa a fazer o sacrifício que lhe é requerido.  Como um bom intelectual, no entanto, prepara um dossiê sobre o problema para futura publicação. Mas é assediado pelo fantasma da culpa que acaba por consumi-lo. Tampouco perdemos de vista a posição governamental britânica, representada por Lawrence amante de Sarah e funcionário do governo. Todos os aspectos de responsabilidade sobre o destino dos seres humanos aprisionados na máquina de guerra estão amplamente representados.

Ainda que a narrativa pareça bem organizada e distribuída, é necessário lembrar que as passagens dedicadas a Charles, filho de Andrew e Sarah, que com roupa de Batman, perambula pela narrativa, são extremamente cansativas e não adicionam nada de especial à trama. Apelam simplesmente para o nosso encantamento com uma criança de quatro anos.  Pouca ênfase também é dada a qualquer dilema ético de Sarah ou de Lawrence que levam o affair amoroso adiante, traindo marido e esposa respectivamente, sem nenhum questionamento ético. O caso amoroso entre eles é bidimensional, e está na trama simplesmente para poder produzir a perspectiva da burocracia inglesa sobre os refugiados.

 

chris-cleave-yx4i00531-199x300Chris Cleave

 

Como trabalho jornalístico esse é um bom romance.  Como obra literária deixa a desejar.  A narrativa, que lembra no suspense a obra cinematográfica de Alfred Hitchcock, parece óbvia demais para agradar ao gosto mais apurado. É um livro para as massas. Comercial. Explora o sentimentalismo. No entanto, se abre espaço para reflexões sobre a saga dos refugiados, para a crueldade da intolerância, serviu seu papel. Dou três de cinco estrelas.

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