Peço um conto e levo todos!

16 12 2018

 

 

 

Vladimir Volegov Finished pantingFrench swing, 92x73 cm, oil on canvas, 2014Balanço francês, 2014

Vladimir Volegov (Rússia, 1957)

óleo sobre tela, 92 x 73 cm

 

Quando vi que foi lançada uma antologia de contos de autores brasileiros contemporâneos e que um dos meu escritores favoritos, Ronaldo Wrobel, havia sido incluído neste volume, corri a procurar o conto.

Descobri que podemos adquirir os contos individualmente ou comprar o volume com 30 contos na Amazon.  O livro é digital e publicado pela Amazon.  Não tive dúvidas e comprei o conto “A história de Joseph Koppel” de Wrobel.

A história tem dois locais Brasil e Alemanha da Segunda Guerra Mundial.  Lá ela se desenvolve entre esconderijos e fugas do judeu Joseph Koppel, que se torna um faz-tudo com diversas profissões. Fugindo dos nazista, ele encontra abrigos variados.  Em uma fuga é resgatado por uma mulher por quem se apaixona. Chama-se Louise.  E ela lhe dá abrigo na casa em que mora numa pequena aldeia povoada só por mulheres: os homens, quatro deles, eram velhos ou crianças.  Isso torna difícil convencer o militar alemão que a cortejava a aceitar a eventual gravidez de Louise.  Como?  De quem?  A paixão entre Louise e Joseph deixara provas concretas na barriga de três meses que ela tentava esconder.  A partir daí a narrativa se acelera.  E em típica criação de Wrobel, quando a gente pensa que vai indo para um lado… somos enganados e levados para outro.  Como pode alguém com tão poucas palavras nos iludir tão bem? É mágica!  O final desta história, contada por Joseph,  que emigrou para o Brasil e se estabeleceu no bairro do Catumbi, no Rio de Janeiro, tinha que ser surpreendente. E é.

Gostei tanto deste conto que, depois de terminá-lo, verifiquei os autores presentes na coletânea.  E como alguns também me agradam, vou comprar a Coleção Identidades.  Está valendo a pena!





Livros para presente? Que tal autores de língua francesa?

15 12 2018

 

EVHE (França), La lectrice, huile sur toile, 54 x 65 cm.Leitora

Evelyne Heimburger (França, contemporânea)

óleo sobre tela, 54 x 65 cm

 

 

Até os anos 70 do século XX ninguém poderia se considerar bem letrado, sem conhecimento básico da literatura em francês.  Não só da clássica, Balzac, Flaubert, Stendhal, Dumas, Maupassant, Jules Verne entre outros do século XIX, como os da primeira metade do século XX: Camus, Gide, Sartre, Beauvoir, Simenon, Colette, Yourcenar.

Assim como aconteceu nas artes plásticas ao final da Segunda Guerra Mundial,  o centro literário do mundo ocidental saiu da França e desembarcou nos Estados Unidos.  O mesmo ocorre através dos séculos: centros culturais locais e universais só existem onde há poder financeiro.  A Europa em pedaços, pobre, devastada pela guerra, não oferecia suporte para as artes: plásticas, literárias, dança, música ou qualquer outra. As artes necessitam de ambiente com amplo  poder econômico que as mantenham como boas amantes, que devem ser belas e dispendiosas, elas precisam ser teúdas e manteúdas.  Nas minhas primeiras aulas de história da arte, quer o tema seja arte moderna, medieval, barroca ou de qualquer era, tenho imenso prazer de chocar jovens idealistas que ali se encontram ao dizer, logo na primeira hora, que sem dinheiro não temos arte. Olhos cheios de emoção, sonhadores, visionários, custam a acreditar que no santuário do saber, na aula de história da arte, pudéssemos falar tão abertamente do vil metal.  O ar de desgosto é geral e alguns alunos ainda acham que conseguiriam arguir contra esta observação, mas estudar história, é em grande parte estudar os movimentos econômicos do mundo.  Pode ser história da ciência, militar, naval ou da arte.  O caminho será o mesmo.

Voltando à literatura na língua francesa: sim, ela sofreu.  Sofreu muito. O mundo anteriormente criado e mantido pela França estava ferido.  Quase ferido de morte.  Em parte com ajuda dos próprios franceses que, em muitas regiões, se submeteram aos invasores.  Passados meros 10 anos do final da Segunda Guerra Mundial a França sofreu mais ainda com a Guerra da Independência da Argélia,  de 1954 a 1962. Não bastasse a devastação a que o país se submetera no Regime de Vichy, a geração seguinte de franceses se afundou e morreu no norte da África. Os franceses dizem que 400.000 pessoas morreram dos dois lados, enquanto a Argélia mantém que 1.500.000 morreram.  Qualquer que seja o número, no final da Segunda Guerra Mundial a França contava um pouco mais de 40 milhões de cidadãos.  Quer sejam 200.000 ou 750.000 franceses mortos, o número é grande demais para o tamanho do país.

Com essas reviravoltas a produção literária francesa deixou a desejar se comparada ao que acontecia no resto do mundo.  E o poder financeiro estava fora da França e dos países em que a língua francesa era prevalente. Volta, os poucos, no início deste século. É claro que houve bons e capazes escritores no final do século XX, mas nunca chegaram a ter a proeminência de seus pares de outras terras.   Volta, reforçada pelas mãos de escritores vindos das ex-colônias, assim como aconteceu com Inglaterra e Portugal cujas obras contemporâneas estão repletas de talentos nascidos nos países aculturados.  A França ganhou a Segunda Guerra, junto aos aliados, mas perdeu poder no mundo.  A língua francesa, na época de minha mãe, um requisito para qualquer cidadão no mundo, perdeu influência, porque o país perdeu influência econômica.  Por mais que isso me deixe entristecida, já que me dediquei e dedico à leitura em francês, temos que admitir que a importância de uma língua está também atrelada ao poder econômico daqueles que a falam.  Nesse aspecto, a Inglaterra, também sofrida com a Segunda Guerra Mundial, e membro da mesma aliança de países que venceu o Eixo, se saiu bem melhor. Não só porque o inglês já era considerado a língua comercial do mundo, e portanto falada por muitos,  mas era a língua nativa da maioria dos países aliados.  A Grã-Bretanha recuperou e expandiu seu poder nas criações literárias produzindo alguns dos mais interessantes escritores na segunda metade do século XX,  muitos deles vindos de antigas colônias: Doris Lessing,  R.K. Narayan, Salman Rushdie, Kazuo Ishiguro, Alice Munro, Margaret Atwood e os britânicos Graham Greene, Martin Amis, Margaret Drabble, Ian McEwan, A. S. Bayett, Julian Barnes, Hilary Mantel, John Banville, Cólm Tóybín, Allan Hollinghurst,  Zadie Smith, Penelope Lively, entre outros que no momento me escapam.

Mas a França só perdeu o brilho temporariamente.  Aos poucos, a literatura originalmente produzida em francês reganha status voltando com algumas grandes contribuições de romancistas. Muitas obras ainda dedicadas às grandes chagas sociais do país sofrido por tantas e consecutivas guerras.   Isso é importante porque cada uma dessas nações europeias, sofridas com as guerras do século passado, tem visões bastante diferentes do mundo, sobre o que importa e sobre o papel do ser humano nas sociedades. São dessas tradições humanísticas, que enriquecem o cotidiano cultural do planeta, que a nossa cultura ocidental depende. Aqui estão alguns dos mais recentes livros cujos originais são em francês.  Eu me limito aqui ao que foi traduzido e publicado no Brasil nos últimos anos quatro anos, de 2014 a 2018, ou seja, obras que podemos encontrar nas livrarias com maior facilidade.  Esses livros muito adicionariam à sua biblioteca e espero que mostrem a variedade criativa dos autores contemporâneos.

 

CANção de ninar

 

1 — Canção de Ninar, de Leila Slimani, Editora Tusquets, 2018, 192 páginas  —- Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde.  Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos de classe e entre culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade.

 

 

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2 — Bússola, Mathias Énard,  Editora Todavia, 2018,  352 páginas —- Bússola é uma meditação musical e encantatória sobre Oriente e Ocidente, sobre “nós” e os “outros”.  Cai a noite sobre Viena e Franz Ritter, um musicólogo apaixo­nado pelo Oriente Médio, procura em vão dormir, à deriva entre sonhos e memórias, melancolia e febre. Revisitando sua vida – suas numerosas estadias em Istambul, Alepo, Damasco, Palmira, Teerã –, seu amor por Sarah, uma erudita francesa dona de uma inteligência feroz, e a memória de outros viajantes, aventureiros, acadêmicos e artistas do Ocidente que se apaixonaram pelo “outro” não europeu, Ritter (portador de uma doença aniquiladora) atravessa a noite nu­ma vertigem de memórias, viagens e histórias. Bússola é uma declaração de amor e uma jornada em busca da diferença, entre Ocidente e Oriente, entre ontem, hoje e amanhã. Um inventário sobre os traços que nos distinguem uns dos outros, e uma aposta – cheia de sabedoria – sobre aquilo que nos faz tão próximos e humanos.

 

 

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3 — Baseado em fatos reais, Delphine de Vigan, Editora Intrínseca, 2016, 256 páginas —- Em uma obra em que o leitor é levado constantemente a questionar o que lhe é apresentado, Delphine de Vigan constrói um clima confessional, sombrio e opressivo para expor a obsessão do mercado editorial e do cinema pelas narrativas baseadas em fatos reais. A linha tênue entre verdade e mentira oscila para enriquecer uma poderosa reflexão sobre o fazer literário e questionar as fronteiras entre aparentes dicotomias, como real e ficção, razão e loucura, público e privado. Um livro brilhante, que joga com os códigos da autoficção e do thriller psicológico.
Após o grande sucesso de seu último livro, em que revelava perturbadores segredos familiares, Delphine se vê diante da temível pergunta: o que vem depois de um texto tão pessoal, que comove tantos leitores? A inércia. O sucesso a fragiliza a tal ponto que a deixa completamente vulnerável. Ela não consegue mais escrever nem uma linha, nem sequer se sentar diante do computador ou segurar uma caneta. Está esgotada, e vive assombrada pela pressão da próxima obra.   Tomada pelo bloqueio criativo, o sentimento de impotência e isolamento permeiam constantemente sua vida: os filhos gêmeos, Louise e Paul, estão prestes a sair de casa para seguir o próprio caminho e ingressar na universidade. Além disso, seu namorado, François, é um famoso jornalista e apresentador de um programa de crítica literária e está sempre viajando para o exterior. A instabilidade emocional de Delphine ainda é agravada pelas cartas de teor bastante violento que recebe de um remetente anônimo, ameaçando-a por ter exposto publicamente sua família. Nesse cenário de fragilidade, Delphine conhece L., uma mulher sofisticada, confiante, feminina, carismática e atraente. Tudo o que ela sempre desejou ser. L. parece ter um passado misterioso, trabalha como ghost-writer, e entra de modo insidioso na vida da escritora, que vê na amizade uma forma de superar seu bloqueio criativo. L. é a amiga perfeita, sempre disponível, e logo passa a interferir nos aspectos mais íntimos da vida de Delphine. O domínio de uma sobre a outra é inesperado. A conexão entre elas parece… inacreditável.

 

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4 — O caso Meursault, Kamel Saoud, Editora Biblioteca Azul, 2016, 168 páginas —-  O romance tem como ponto de partida um dos maiores clássicos da literatura francesa no século XX, O Estrangeiro, de Albert Camus, cuja trama é reconstruída sob o ponto de vista do homem assassinado por Meursault, o personagem central da obra camusiana. Sem voz nem nome no livro do escritor francês, o árabe morto recupera a identidade na narrativa de Kamel Daoud. Em um bar em Orã, na Argélia, Haroun, irmão mais novo do assassinado, fala a um universitário parisiense interessado em ouvir o que foi oculto no romance de Camus. O foco da conversa é a cena decisiva de O Estrangeiro, na qual o narrador Meursault, ao se sentir ameaçado por desconhecidos em uma praia deserta, atira em um homem, sob um sol escaldante. Em O caso Meursault, a vítima ganha o nome de Moussa, um homem simples e cheio de vida, conforme a lembrança de Haroun. O personagem relata sua infância marcada pelo assassinato do irmão e pela busca desesperada da mãe pelo corpo do filho. Mas o autor não se limita a isso e surpreende quando, fazendo bom uso da ficção, retira Moussa, o árabe ignorado, do lugar do injustiçado. Com prosa irônica e cortante, o escritor faz evocar, na figura de Meursault, o próprio Camus. No momento em que o leitor revisita o narrador de O Estrangeiro ouvindo a voz de seu próprio autor, Kamel Daoud transforma sua ficção em um espaço livre, sem censura, para pensar a questão do colonialismo e os impasses da Argélia independência.

 

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5 — O fim de Eddy, Édouard Louis, Editora Tusquets, 2018, 178 páginas —- “Todas as manhãs, enquanto me arrumava no banheiro, eu repetia a mesma frase sem parar, tantas vezes que ela terminaria por perder o sentido, passaria a não ser mais do que uma sucessão de sílabas, de sons. Eu parava e retomava a frase: Hoje eu vou ser um durão. Eu me lembro porque eu repetia exatamente aquela frase, como se faz com uma oração, com aquelas exatas palavras – Hoje eu vou ser um durão (e eu choro enquanto escrevo estas linhas: choro porque eu acho essa frase ridícula e horripilante, essa frase que, durante anos, me acompanhou e que de certa forma ocupou, não creio que haja exagero em dizer isso, o centro da minha vida).”

O fim de Eddy, romance autobiográfico de uma das mais proeminentes vozes da nova literatura francesa, desvela o conservadorismo e o preconceito da sociedade no interior da França. De forma cruel, seca e sufocante, a violência e a amargura de uma pequena cidade de operários se contrapõem à sensibilidade do despertar sexual de um garoto, estabelecendo um paralelo direto com as experiências do próprio autor.

 

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6 – Submissão, Michel Houellebecq, Editora Alfahuara, 2015, 258 páginas —- França, 2022. Depois de um segundo turno acirrado, as eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato da chamada Fraternidade Muçulmana. Carismático e conciliador, Ben Abbes agrupa uma frente democrática ampla. Mas as mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. François é um acadêmico solitário e desencantado, que espera da vida apenas um pouco de uniformidade. Tomado de surpresa pelo regime islâmico, ele se vê obrigado a lidar com essa nova realidade, cujas consequências — ao contrário do que ele poderia esperar — não serão necessariamente desastrosas. Comparado a 1984, de George Orwell, e a Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Submissão é uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade. É um dos livros mais impactantes da literatura atual.

 

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7 — O leitor do trem das 6h27, Jean-Paul Didierlaurent — Editora Intrínseca,  2015, 176 páginas —- Um romance sensível sobre o poder dos livros e da literatura. Operário discreto de uma usina que destrói encalhe de livros, Guylain Vignolles é um solteiro na casa dos trinta anos que leva uma vida monótona e solitária. Todos os dias, esse amante das palavras salva algumas páginas dos dentes de metal da ameaçadora máquina que opera. A cada trajeto até o trabalho, ele lê no trem das 6h27 os trechos que escaparam do triturador na véspera. Um dia, Guylain encontra textos de um misterioso desconhecido que vão fazê-lo buscar cores diferentes para seu mundo e escrever uma nova história para sua vida. Com delicadeza e comicidade, Didierlaurent revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que os personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia cotidiana.

 

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8 — O círculo dos Mahé, Georges Simenon, Editora Companhia das Letras: 2017, 120 páginas —- Aos trinta e cinco anos, casado e com dois filhos, o dr. François Mahé ainda mora com a mãe e leva uma típica vida pequeno-burguesa. Certo verão ele decide ir com a família à ilha de Porquerolles, no sul da França. No entanto, um constante mal-estar o impede de desfrutar o paraíso mediterrâneo. Ao ser chamado para examinar uma mulher no leito de morte, o médico se vê entre uma família humilde e fica fascinado pela mais velha dos três filhos, uma jovem muito magra que usava um vestido vermelho. Começa então uma história de obsessão e crise profunda, e somos levados pela jornada sombria da alma do protagonista. A morte da mãe também abalará as estruturas do dr. Mahé e, com o passar do tempo, ele será impelido a retornar à ilha mediterrânea ano após ano, como que hipnotizado pela garota. Com sua prosa enxuta e fluente, Simenon faz um retrato soturno da psique de um homem medíocre que vislumbra uma alternativa à banalidade, mas sofre para conseguir alcançá-la.

 

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9 — Felicidade conjugal, Tahar Ben Jelloun, Editora Bertrand Brasil, 2014, 322 páginas —-  Existe felicidade conjugal em uma sociedade na qual o casamento é uma instituição inabalável? O protagonista, um pintor obrigado a se aposentar após sofrer um AVC, sofre com a certeza de que sua relação conjugal caótica foi a responsável por seu colapso. Diante disso, com o tempo ocioso e com medo de cair em depressão, ele decide escrever suas memórias, narrando o começo do relacionamento, a má relação com os sogros, o amor louco, a rotina e o ódio que se instalou. Um trabalho de autoanálise, que vai ajudá-lo a encontrar coragem para se libertar da relação destrutiva com a esposa. Esta é a primeira parte do livro, chamada de “O homem que amava demais as mulheres”.  Ao descobrir, por acaso os escritos do marido, a esposa decide escrever sua versão dos fatos. Começa então a segunda metade, intitulada de “Minha versão dos fatos – Resposta a O homem que amava demais as mulheres”. Obviamente, as versões são divergentes, a ponto de o leitor questionar se os dois fizeram parte da mesma história, do mesmo casal.
Sucesso de crítica e multipremiado por toda a Europa, Tahar Ben Jelloun retrata em Felicidade conjugal a história de um homem que resolve pintar seu último quadro: o de seu relacionamento. As cores são fortes, e, como toda obra de arte, sempre há mais de uma opinião sobre o mesmo assunto, a mesma vida, os mesmos atos.

 

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10 — Limonov, Emmanuel Carrère, Editora Tag Experiências Literárias, 2017, 377 páginas —- Limonov não é um personagem de ficção. Ele existe. Eu o conheço. Ele foi delinquente na Ucrânia, ídolo do underground soviético; mendigo, depois mordomo de um bilionário em Manhattan; escritor da moda em Paris; soldado perdido nas guerras dos Bálcãs; e agora, no imenso caos do pós-comunismo na Rússia, velho chefe carismático de um partido de jovens desesperados. Ele mesmo se vê como herói, podemos considerá-lo um tratante: suspendo neste ponto meu julgamento. É uma vida perigosa, ambígua: um verdadeiro romance de aventuras. É também, creio eu, uma vida que conta alguma coisa. Não apenas sobre ele, Limonov, não apenas sobre a Rússia, mas sobre a história de nós todos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

 

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11 — Remissão de pena, [Trilogia Essencial] Patrick Modiano, Editora Record, 2015, 128 páginas —- A autobiografia romanceada do autor do Prêmio Nobel de Literatura em 2014. Patrick e seu irmão são confiados a amigas de seus pais em Paris após a Segunda Guerra. Das mulheres responsáveis pelos dois meninos pouco se sabe além do que revelam os trechos de conversas entreouvidas por Patrick: que uma delas é uma pessoa triste e que a outra foi artista de circo. Isso e o fato de receberem as visitas frequentes de Jean D. e Roger Vincent durante o dia e de diversos visitantes noturnos. Nesse mundo intangível, os dois irmãos seguem de mãos dadas pela infância através da rue du Docteur-Dornaine e em meio a visitas a castelos, excursões a Paris, leitura de histórias de aventura, tardes ouvindo rádio — sempre à espera de que, um dia, alguém volte para buscá-los.

 

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12 — A caderneta vermelha, Antoine Laurain, Editora Alfaguara, 2016, 125 páginas —-  Caminhando pelas ruas de Paris em uma manhã tranquila, o livreiro Laurent Letellier encontra uma bolsa feminina abandonada. Não há nada em seu interior que indique a quem ela pertence – nenhum documento, endereço, celular ou informações de contato. A bolsa contém, no entanto, uma série de outros objetos. Entre eles, uma curiosa caderneta vermelha repleta de anotações, ideias e pensamentos que revelam a Laurent uma pessoa que ele certamente adoraria conhecer. Decidido a encontrar a dona da bolsa, mas tendo à sua disposição pouquíssimas pistas que possam ajudá-lo, Laurent se vê diante de um dilema: como encontrar uma mulher desconhecida em uma cidade de milhões de habitantes?

 

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13 — A extraordinária viagem do faquir que ficou preso no armário Ikea, Romain Puértolas, Editora Record, 2014, 256 páginas —-  A figura de um faquir está associada à meditação, ao treinamento e à magia. Mas, no caso de Ajatashatru Ahvaka Singh, é mais provável que o público se depare com truques e trapaças. A última de suas artimanhas foi convencer sua aldeia a pagar por uma viagem a França para adquirir a Camadepregösa, um modelo de cama de pregos vendida pela Ikea. Só que ele não contava em ficar preso dentro de um dos armários da loja. Nem que o móvel seria despachado para outro país. Assim, o faquir e seu turbante partem para uma aventura, ainda que involuntária, pelo mundo, fazendo uma horda de inimigos, alguns amigos e aprontando muitas confusões pelo caminho.

 

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14 — A outra história, Tatiana de Rosnay, Editora Intrínseca, 2016, 272 páginas —-Ágil, repleto de camadas e belamente escrito, A outra história é uma reflexão sobre identidade, o processo de ser escritor e a glória e o preço da fama, um retrato de como as decisões de antigas gerações ecoam no presente e moldam o futuro.
Aos vinte e quatro anos, Nicolas Duhamel se depara com um segredo de família perturbador mantido a sete chaves por muitos anos. Perplexo, embarca para São Petersburgo em uma jornada em busca da verdade. Porém, as respostas não surgirão tão facilmente.
Os mistérios de sua origem familiar o levam a escrever seu primeiro romance, O envelope, e a assiná-lo como Nicolas Kolt. Após três anos do inesperado e estrondoso sucesso mundial do livro, Nicolas é um escritor vaidoso, com muitos fãs, um autor obcecado pela fama e pelas redes sociais a ponto de deixar de lado a família e os amigos.
Tanta aclamação, no entanto, tem seu preço, e todos perguntam sobre o novo livro. Mas Nicolas não é capaz de escrever sequer uma linha e não suporta mais mentir. Desejando se afastar de tudo para encontrar uma nova inspiração, ele viaja para a Itália com sua namorada Malvina e se hospeda em um luxuoso hotel na costa da Toscana. Durante o fim de semana em que espera paz e tranquilidade para compor a outra história, Nicolas Kolt se vê diante de perigos e segredos que podem colocar seu futuro em jogo.

 

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15 — Os desorientados, Amin Maalouf, Editora Bertrand Brasil, 2014, 490 páginas —- Durante 25 anos, Adam não voltou mais à sua terra natal. Depois de fugir da guerra que assolou seu país, ele foi viver na França e se tornou um historiador renomado. Nesse meio-tempo, perdeu contato com seu círculo de amizade, que se dispersou por diversos lugares do mundo em busca de exílio. Quando decide voltar, o protagonista sente-se um estrangeiro em seu próprio país.  Os desorientados é um romance que expõe o que representaram os conflitos para aqueles que hoje estão na meia-idade. Até agora poucas obras haviam sido escritas a respeito dos anos de guerra e da carnificina ocorrida no Líbano. Maalouf faz isso sem comiseração, mas com sabedoria, adquirida após anos de estudo e vivência. Ao trazer à tona a questão cultural e exclusão dos cidadãos em sua própria pátria, o autor aborda, sem citá-la diretamente, a guerra no Líbano e aspectos negativos da sociedade libanesa.

 

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16 — Coração e alma, Maylis De Kerangal, Editora Radio Londres, 2017, 235 páginas —  Coração e alma é a história de um transplante cardíaco. É um relato de precisão cirúrgica, repleto de personagens inesquecíveis, em que histórias pessoais, diálogos e descrições técnicas se entrelaçam num ritmo frenético, digno de um grande filme de ação. O romance narra as vinte e quatro horas épicas entre um terrível acidente de trânsito ocorrido depois uma sessão de surf cheia de adrenalina — que causa a morte cerebral de um rapaz de 20 anos, Simon — e o instante em que seu coração recomeça a bater no peito de uma parisiense de 50 anos, Claire. Uma viagem emocionante e tocante, um tour de force que manterá o leitor em suspense até a última linha.

 

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17 — Irene, Pierre Lemaitre, Editora Universo dos Livros, 2015, 400 páginas —-  Para o comandante Camille Verhoeven, a vida não poderia estar melhor: ele tem um casamento feliz e está esperando o primeiro filho com a amável Irene.  Mas sua rotina agradável é interrompida por um assassinato cuja brutalidade choca toda a Brigada Criminal. O caso se torna ainda mais sombrio quando são encontradas similaridades entre o crime e o assassinato hediondo relatado em Dália Negra, um romance policial de James Ellroy, publicado em 1987.  A imprensa, então, apelida o assassino de “O Romancista” e a investigação do caso se desenvolve com os dois homens – o comandante Verhoeven e O Romancista – sob o olhar público, e um está determinado a ser mais inteligente do que o outro. No entanto, só é possível haver um ganhador: aquele que tem menos a perder.

 

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18 — A mulher no espelho, Eric-emmanuel Schmitt, Editora Record, 2014, 400 páginas —- Em Bruges durante a Renascença Anne foge no dia de seu casamento. Hanna mora na Viena imperial e acaba de se casar com um membro da elite local. Mas o que seria o começo de um final feliz é motivo de angústia para ela. Já Anny, nos dias de hoje, tem tudo o que se poderia desejar: dinheiro, beleza e sucesso. Tudo, menos felicidade. Três mulheres, três épocas, três histórias, o mesmo sentimento de inadequação. Schmitt narra de forma brilhante a jornada de personagens inquietas que buscam a verdade por trás da complexa existência.

 

NOTAS:

Esta é uma lista que não tenta cobrir tudo publicado no Brasil entre 2014-2018 em tradução de autores franceses ou considerados de língua francesa.

Este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Emmanuel Garant

11 12 2018

 

 

Emmanuel Garant (Canada 1953) Souvenirchampetre_huile24x36, 2004Lembranças de um dia no campo, 2004

Emmanuel Garant (Canadá, 1953)

óleo sobre madeira,  24 x 36 cm





Palavras para lembrar — Aluísio de Azevedo

6 12 2018

 

 

István Nagy (Hungria, 1873-1937), O leitorO leitor

István Nagy (Hungria, 1873 – 1937)

óleo sobre tela

 

“Tudo mais, que aprendemos de ouvido ou que aprendemos nos livros, se evapora com o tempo e desaparece; só essas lições, que nos entraram pelos olhos e nos espalharam n’alma as suas raízes, só essas conservaremos por toda a vida e levaremos conosco para a sepultura.”

 

Aluísio de Azevedo





Minutos de sabedoria: Aluísio de Azevedo

22 11 2018

 

 

Daniela Astone (Itália, 1980) Forma e luzForma e luz, 2013

 

Daniela Astone (Itália, 1980)

óleo sobre tela, 70 x 60 cm

“E que mais é o nosso viver nesta espécie de mundo, senão uma ilusão entre dois nadas: o presente e o futuro? Dois nadas insondáveis e obscuros que fecham uma hipótese, chamada presente. Ontem saudades nebulosas; hoje mentiras e esterilidades; amanhã sonhos mal contornados. Eis a vida!”

 

Aluísio de Azevedo

 

aluisio-azevedo.detailAluísio de Azevedo (1857-1913)




Resenha: “Autobiografia”, Agatha Christie

21 11 2018

 

 

 

Bryce Cameron Liston, An Enchanting Tale, 2013, ost, 50 x 40 cmHistória fascinante, 2013

Bryce Cameron Liston (EUA, 1965)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 

 

Muito me surpreendi com a Autobiografia da Agatha Christie.  Boa surpresa.  Esta é uma leitura feita por uma profissional da escrita: fácil de ler, interessante, repleta de informações pessoais, culturais e sobre hábitos da época.  Foram quase 600 páginas que me deixaram com gosto de quero mais.  Não é qualquer um  que consegue isso. Na virada de 2018 tomei decisão de ler mais livros de outros segmentos além de ficção/romance.  Ando interessada em memórias.  Gosto daquelas que colocam a vida do autor no contexto da época.  Esta é uma delas.

Neste livro, aprendi sobre costumes da época (virada do século XIX para o XX) que são interessantes de pontuar. Hábitos e maneira de pensar eram diferentes.  Uma das surpresas foi saber da existência de uma tal “carroça de banho de mar” que as mulheres na primeira década do século XX usavam.  Era realmente uma carroça, com rodas, e uma tendinha de madeira em cima para a troca de roupas.  Elas eram puxadas para um lugar mais fundo do mar para mulheres poderem nadar. Veja foto abaixo.  Eu já conhecia regras que circunscreviam os banhos de mar para mulheres, mas essa foi a primeira vez que soube desses carrinhos.

Há observações sobre o comportamento das mulheres que quero ressaltar. Em 1919, Agatha Christie teve um filha. Quando Rosalind está com dois anos e pouco, em 1922, Archie Christie, seu marido, tem oportunidade de trabalhar viajando por um ano de navio, através dos países que faziam parte da Commonwealth Britânica. Agatha não se estressa.  Deixa a filha com a mãe e a irmã e uma babá e vai viajar pelo mundo por um ano inteiro, por todas as colônias inglesas. Hoje, em pleno século XXI, a mesma classe média alta, pelo menos aqui no Brasil, ou até mesmo nos EUA, acharia estranha essa decisão.  Como?  Não ver sua única filhinha, tão pequenina por um ano inteiro?  Num mundo sem SKYPE, sem Whatsap, sem internet, sem a facilidade de telefonemas internacionais?

 

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Também é interessante notar que Agatha Christie é capaz de viajar sozinha através de muitos países.  Estamos falando de viagens antes da Segunda Guerra Mundial.  Sozinha.  Por que?  Porque quase todos os países por que passa são protetorados ingleses.  As leis inglesas protegiam essa mulher, que na Inglaterra da época já tinha bastante mais liberdade do que em outros cantos do mundo.  Se formos comparar com o presente, 2018, praticamente 100 anos depois das aventuras de Agatha Christie, nós mulheres, não podemos viajar sozinhas, como turistas, mala em punho, pela maioria dos países por onde ela passou no Oriente Médio.  Essa é uma diferença enorme.  Depois da independência desses países leis que restringem deslocamento de mulheres, baseadas no Alcorão ou em costumes locais,  deixaram de dar apoio a essa liberdade feminina.

O leitor tem também a oportunidade de descobrir que Agatha gostava bastante de esportes e com seu primeiro marido, esteve entre os primeiros europeus a praticar surfe em pé na prancha, quando nesta mesma viagem de 1922/23 estiveram no Havaí.  E numa época em que carros eram raros, ela já dirigia seu próprio.  No fundo, o que mais me surpreendeu nesta autobiografia foi perceber como ela foi uma mulher moderna.  Muito moderna. E com seu sucesso literário tomou para si o poder, o poder de decidir o que queria, de fazer o que queria, quando queria, sem dar satisfações.

 

young-agatha-christie-1926Agatha Christie, 1926

É claro que para os fãs de Agatha Christie ler sua autobiografia será interessante para conhecer que ideias apareceram em seus livros como resultado da própria vivência da escritora.  Curioso saber da surpresa dela com o próprio sucesso, e que, com o tempo, ela não se acanhava de fazer bom uso do dinheiro que lhe veio às mãos, comprando imóveis e remodelando-os.  Quando precisava de uma renda maior, para ajudar nas obras, para colocar mais uma viagem na agenda, Agatha Christie admite, sem pudor, que se sentava à mesa, para escrever um conto ou um romance que lhe trouxesse dinheiro.  Talvez seja por isso que conta mais de 80 títulos de sua autoria.

Outro aspecto que esquecemos quando falamos da Dama do Mistério é que ela também se sobressaiu na dramaturgia.  São dela as duas peças de teatro de maior sucesso no mundo, no século XX.  A ratoeira [The Mouse Trap], foi encenada, ininterruptamente desde 1952 até hoje. Testemunha de acusação [Witness for the prosecution] de 1953.

É difícil resenhar uma vida tão completa da escritora que mais vendeu livros no mundo, ficando em terceiro lugar, depois da Bíblia e Shakespeare. Calcula-se em 4 bilhões de exemplares.  Agatha Christie teve uma vida repleta.  Viveu bem e intensamente.  Deixou  80 livros policiais e de contos, 19 peças de teatro e 6 romances usando o pseudônimo Mary Westmoreland.  Suspeita-se que ainda haja outras obras com outra identidade.

 

bathing11Carroça de banho.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura — Antoni Clavé

20 11 2018

 

 

 

antoni clavé (ESpanha, 1913 -2005) Mulher lendo, 1942, óleo sobre madeira.

Mulher lendo, 1942

Antoni Clavé (Espanha, 1913-2005)

óleo sobre madeira, 71 x 88 cm





Imagem de leitura — A. C. W. Duncan

16 11 2018

 

 

 

A C W Duncan Woman with Flowers in a VaseMoça com vaso de flores, c. 1908

A. C. W. Duncan (GB, ativo 1883-?)

óleo sobre tela

East Ayrshire Council, The Dick Institute Museum and Art Gallery, Kilmarnock, Grã-Bretanha





Minutos de sabedoria: provérbio chinês

15 11 2018

 

Alphonse Mucha, Reverie 1896,Revêrie, de Alphonse Mucha, 1896.

 

“Um pouco de perfume sempre fica na mão de quem oferece flores.”

 

Provérbio chinês





Resenha: “Romancista como vocação” de Haruki Murakami

13 11 2018

 

 

 

 

Belinda del Pesco (EUA, contemporânea) aquarela, 20 x 25 cmAlmofada vermelha

Belinda del pesco (EUA, contemporânea)

aquarela, 20 x 25 cm

 

 

Não se trata de ficção.  Este é um livro de ensaios sobre escrita, literatura, escolhas e preferências do autor e ainda outros temas surgidos nas entrevistas que Haruki Murakami deu.  Não se trata tampouco de um guia para o escritor neófito, nem uma cartilha de como se tornar um escritor de sucesso.  Invés disso temos um belo preenchimento do retrato de Murakami como pessoa, intelectual e pensador.

 

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Mesmo assim é um livro que encanta, principalmente àqueles como eu, que apreciam os livros do autor.  Saímos dessa leitura com a sensação de quem é Murakami, um cara sóbrio, que tem dúvidas, muitas delas sobre suas criações.  Conhecemos o início de sua carreira como escritor e suas ideias sobre a educação nas escolas japonesas. É um livro leve, de fácil leitura, repleto de vinhetas ou histórias  ilustrando suas ideias.  Nesta obra passeamos pelas memórias do autor,  e vislumbramos os processos de sua escrita.

 

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Tudo me pareceu de interesse: seu desprezo pelos prêmios literários; o hábito de sair do Japão para um lugar onde não é conhecido (por exemplo, Paris) e viver lá pelos 6, 8, 10 meses necessários para escrever o romance que tem na cabeça e que surgiu no Japão (ele gosta deste distanciamento físico); o descaso que críticos japoneses têm por sua obra, por acreditarem que é repleta de perspectivas estrangeiras (americanas na maioria); o cuidado detalhado, minucioso, vagaroso necessário para completar uma obra e sobretudo a seriedade com que trata de sua vocação.

Leitura encantadora.  Difere de todos os outros Murakamis que li.  Com ele começamos a perceber o homem que cria o mundo paralelo em que nos deliciamos.  Vale a pena!  Muito bom.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.