Uma boa leitura, 1887
Ralph Hedley (GB, 1848 – 1913)
óleo sobre tela, 50 x 47 cm
Uma boa leitura, 1887
Ralph Hedley (GB, 1848 – 1913)
óleo sobre tela, 50 x 47 cm
Crianças lendo
Oscar Gustaf Björck (Suécia, 1860 – 1929)
óleo sobre tela, 46 x 32 cm
Coleção Particular

Reflexões, 1921
Ethel Porter Bailey (GB, 1872-1944)
óleo sobre tela
“Pode-se dizer o que quiser sobre a nuance psicológica de Proust ou sobre a extensão da narrativa em Tólstoi, mas não se pode negar o prazer que a Sra. Christie proporciona. Seus livros são tremendamente gratificantes.
Sim, eles são formalistas. No entanto, essa é uma das razões pelas quais eles são gratificantes. Com cada personagem, cada aposento, cada arma do crime dando a impressão de ser ao mesmo tempo algo novo e familiarmente rotineiro (o papel do tio pós-imperialista chegado da Índia sendo desempenhado aqui pela solteirona de Gales do Sul, e os suportes de livro que não combinam no lugar do vidro de veneno na última prateleira do barracão de ferramentas do jardim), a Sra. Christie distribui suas pequenas surpresas com o ritmo cuidadosamente calibrado de uma babá distribuindo balas para as crianças sob seus cuidados.
Mas acho que existe outro motivo para eles agradarem tanto – um motivo que é pelo menos tão importante, se não mais, que é o fato de que no universo de Agatha Christie todo mundo, no fim, recebe o que merece.
Riqueza ou pobreza, amor ou perda, uma pancada na cabeça ou a corda do enforcado, nas páginas dos livros dela, homens e mulheres, não importa sua idade, não importa seu nível social, são colocados cara a cara com o destino condizente. Poirot e Marple não são na verdade personagens centrais no sentido tradicional. Eles são simplesmente os agentes de um complicado equilíbrio moral que foi estabelecido pelo Todo Poderoso no início dos tempos.”
Em: Regras de Cortesia, Amor Towles, tradução de Léa Viveiros de Castro, Rio de Janeiro, Rocco: 2012, p. 239.
NOTA: Nesta tradução, de Léa Viveiros de Castro, logo na primeira frase do segundo parágrafo mostra a palavra “formulaic” traduzida por formalista, quando na verdade, a melhor tradução teria sido formulaico, que vem de fórmula e não formalista cuja conotação é de seguir regras estritas. Deve haver alguma razão para esta tradução, já que esta é uma das mais conhecidas tradutoras do inglês. Noto isto porque li originalmente o texto em inglês e o anotei porque havia a rotulação das obras de Agatha Christie seguirem uma fórmula e me surpreendi com a tradução quando procurei essa passagem na edição brasileira.
Hora do descanso
Lyn Fabian (Austrália, contemporânea)
técnica mista
A carta de amor, 1889
Geskel Saloman (Dinamarca, 1821 – 1902)
óleo sobre tela, 91 x 71 cm
“…se você deseja escrever um romance, observe atentamente seu entorno. O mundo pode parecer monótono, mas está cheio de diamantes brutos, atraentes e misteriosos. Romancistas são aqueles que conseguem identificá-los. e, ainda melhor, eles são oferecidos quase gratuitamente. Se você tiver um bom par de olhos, conseguirá escolher e coletar livremente essas pedras preciosas brutas”.
Em: Romancista como vocação, Haruki Murakami, tradução: Eunice Suenaga, Alfaguara: 2017, p.75.
O mundo de Degas
Marci Oleszkiewicz-Taylor (EUA, 1979)
óleo sobre tela
Moça reclinada lendo
Isolda [Hermes da Fonseca Chapman] (Brasil, 1924 – 2004)
aquarela e pastel sobre papel, 29 x 44 cm
Santa Catarina lendo, c. 1530-32
Antonio Allegri Correggio (Itália, 1489-1534)
Óleo sobre tela
The Royal Collection, Grã Bretanha
T. S. Eliot
T. S. Eliot (1888 – 1965)
Hora da leitura, 2007
Beth Palser (EUA, contemporânea)
aquarela
Recentemente Dr. Katherine Rundell, autora de livros infantis e também pesquisadora sobre o poeta John Donne no All Souls College, Oxford, deu entrevista ao jornal inglês The Guardian, onde explica sua teoria: adultos deveriam ler livros para crianças e adolescentes.
Não pense que ela defende essa ideia pensando em censura para os livros que seus filhos devam ou possam ler. Nada disso. Ela acredita que nos beneficiamos ao ler essas obras porque livros infantis lembram aos adultos o que é sonhar, desejar o impossível, pensar no que talvez não seja tão impossível. Acreditar que pode haver justiça, amor, aventura e felicidade. E também a ter esperança.
Tudo indica que ela não está sozinha nesta volta as livros da infância. O mercado livreiro na Inglaterra mostra um aumento substancial de vendas de livros infantis para adultos. Numa pesquisa feita pelo jornal The Observer em 2018, foram vendidos 10 milhões e meio de livros de ficção para crianças, para serem lidos por pessoas acima dos 17 anos. Isso reflete um aumento de 42% sobre 2015, quando só 7 milhões e 400 mil livros de crianças foram comprados para serem lidos por adultos.
Katherine Rundell acredita que isso faz parte do processo de auto conhecimento, de se voltar a ter contato com a criança que fomos. “Leia essa ficção e veja o mundo com olhos duplos: os seus e os da criança em você.” Porque ler é uma das primeiras atividades que fazemos por nós mesmos. Ler os livros infantis que nos encantaram nos lembra de quem éramos quando criança, e mostra os elementos que fizeram a pessoa em que você se transformou.
Para leitura completa do artigo:
Cata lendo Bolaño
Adam De Boer (EUA, 1984)