Tim, manhã de Natal, 2010
Elmira Tofikovna Petrova (Rússia, 1975)
óleo sobre tela
O livro vermelho
Francine Van Hove (França, 1942)
óleo sobre tela, 30 x 30 cm
Alain
Émile-Auguste Chartier
Père Biart lendo no jardim, 1891
Henry van de Velde (Bélgica, 1863–1957)
óleo sobre papel pardo, colado em tela, 63 x 52 cm
Newfields, Indianápolis
Homem escrevendo carta, 1890
Heinrich Breling (Alemanha, 1849-1914)
óleo sobre madeira
“Eu não gostaria de viver como se fosse imortal. Não tenho medo da morte. Tenho medo do sofrimento. Da velhice, embora agora menos, ao ver a velhice serena e bela de meu pai. Tenho medo da fraqueza, da falta de amor. Mas não tenho medo da morte. Não tinha medo quando era jovem, mas então pensava que era apenas porque parecia distante de mim. Mas agora, aos sessenta anos, o medo não chegou. Amo a vida, mas a vida também é cansaço, sofrimento, dor. Penso na morte como um merecido descanso. Bach a chama de irmã do sono, na maravilhosa cantata BWV 56. Uma irmã gentil que logo virá fechar meus olhos e acariciar-me a cabeça. Jó morreu quando estava “saciado de dias”. Belíssima expressão. Eu também gostaria de chegar a me sentir “saciado de dias” e encerrar com um sorriso este breve círculo que é a vida. Posso desfrutá-la ainda, sem dúvida; ainda quero ver a lua refletida no mar; quero mais beijos da mulher que amo, quero a presença dela que dá sentido a tudo; ainda quero mais tardes dos domingos de inverno, deitado no sofá de casa enchendo páginas de símbolos e fórmulas, sonhando desvendar outro pequeno segredo dos milhares que ainda nos envolvem… Gosto da perspectiva de ainda poder beber deste cálice de ouro; a vida que fervilha, terna e hostil, clara e incompreensível, inesperada… mas já bebi muito desse cálice doce e amargo, e se neste exato momento o anjo viesse me dizer: “Carlo, chegou a hora”, não lhe pediria para me deixar terminar a frase. Sorriria para ele e o seguiria.”
Em: A ordem do tempo, Carlo Rovelli, tradução de Silvana Cobucci, Ed. Objetiva: 2018
Rapaz lendo
Laleh Ispahani (Paquistão 1966)
“O Crisóstomo disse ao Camilo: todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós.”
Em: O filho de mil homens,Biblioteca Azul: 2016
Sem título
Emmanuel Garant (Canadá, 1953)
óleo sobre tela
Napoleão Bonaparte
Uma leitura interessante
Fritz Wagner (Alemanha,1896-1939)
óleo sobre tela, 31 x 26 cm
Rainer Maria Rilke, Cartas a um jovem poeta.