Curiosidade literária

6 03 2023

Senhora lendo, 2002

Dick Hoette (Holanda, contemporâneo)

 

 

Emily Brontë (1818-1848) escritora e poetisa inglesa, autora de O morro dos ventos uivantes, tinha um cachorrinho muito fiel. Aliás, não deveria ser chamado de cachorrinho.  Era, afinal, um mastiff, um cachorro grande, que pode chegar aos oitenta quilos, espaçoso, territorialista e fiel.  Ela o chamava de Keeper, cuja tradução pode ser não só “protetor, guarda, mas também aquilo que se guarda”.  Quando Emily morreu, aos trinta anos, em 1848, o cão, companheiro de passeios pelo campos e lugares desertos da paróquia de Haworth, seguiu o cortejo funerário até o cemitério e só a muito custo deixou o local retornando à casa.  Daí por diante, Keeper dormiu na porta do quarto de Emily até morrer, eternamente enlutado.





Leitura é mágica

1 03 2023
Ilustração Ana Bagayan.




Imagem de leitura: Alexander Roslin

1 03 2023

Marie-Franoise Julie Constance Filleul,

Marquesa de Marigny

Alexander Roslin (Suécia,1718-1793)

óleo sobre tela, 93 x 75cm

 





O caminho da escrita, de Annie Ernaux

28 02 2023

Interlúdio II, Leah lendo, 2013

Daniel Maidman (Canadá, 1975)

óleo sobre tela

“Ao escrever, caminha-se no limite entre reconstruir um modo de vida em geral tratado como inferior e denunciar a condição alienante que o acompanha.”

Annie Ernaux

Em: O lugar, Annie Ernaux, tradução de Marília Garcia, São Paulo, Fósforo: 2021





Curiosidade literária

27 02 2023

Menina lendo, 1907

Arie Boers (Holanda, 1867-1947)

 

 

Olavo Bilac (1867-1918) e José do Patrocínio (1853-1905) eram bons amigos.   Depois de adquirir um automóvel, assim que esses veículos apareceram no Brasil, Patrocínio convidou Bilac para um passeio.  Entusiasmado ofereceu o carro a Bilac para que este o dirigisse.  Bilac nunca havia feito isso e prontamente, no caminho, encarando um curva na estrada, perdeu o controle e bateu com o carro de encontro a uma árvore.  Perda total, apesar da pouca velocidade a que se movia: 4 km por hora.  Isso  mesmo, quatro quilômetros por hora.  Por sorte, os dois passageiros não sofreram nenhum arranhão.

 

 





Imagem de leitura: Salman Toor

22 02 2023

O coração do lar, 2012

Salman Toor (Paquistão-EUA, 1983)

óleo sobre tela, 101 x 111 cm





Só uma aranha, texto de Ian McEwan

22 02 2023

Juventude, c. 1940

George Telfer Bear (GB, 1876-1973)

óleo sobre tela

Glascow Museums and Resource Centers

“Então viu, bem acima deles, uma aranha de pernas compridas subindo de cabeça para baixo rumo a um canto do quarto. Tanto propósito numa cabeça tão diminuta. A aranha parou de subir de repente, balançando-se nas pernas finas como cabelos, gingando como se movida por uma melodia oculta. Alguém saberia dizer o que ela estava fazendo? Nenhum predador para enganar, nenhuma outra aranha para seduzir ou intimidar, nada que a impedisse de subir. Mas ainda assim ela esperava, dançando no mesmo lugar. Quando a aranha enfim retomou seu caminho, a atenção de Lawrence já estava longe.”

Em: Lições, Ian McEwan, tradução de Jorio Dauster, São Paulo, Companhia das Letras: 2022





Dos medos de conhecer o escritor, texto de Olga Tokarczuk

16 02 2023

Jovem lendo

Ann Brockman (EUA, 1899-1943)

óleo sobre tela

 

 

“A escritora costumava vir em maio,num carro carregado até o teto de livros e comida exótica. […] Se eu a conhecesse um  pouco menos, certamente leria seus livros.  Mas por conhecê-la, tinha medo de os ler. Era possível que eu me achasse neles, de uma forma que não conseguiria entender? Ou os lugares que amo seriam completamente diferentes do que são para mim? De alguma forma as pessoas como ela, que dominam a escrita, costumam ser perigosas.  Logo levantam suspeitas de falsidade — que não são elas mesmas, mas um olho que está sempre observando, e transformando em frases tudo o que observa; assim retira da realidade a sua qualidade mais importante — sua inexpressividade.”

 

Em: Sobre os ossos dos mortos, Olga Tokarczuk, tradução de Olga Baginska-Shinzato,  São Paulo, Todavia: 2020, p.54





Curiosidade literária

13 02 2023

Última página

Mate Ferge (Hungria, radicado na Áustria,  1979)

óleo sobre tela

 

 

 

O escritor inglês, da época da rainha Vitória, Thomas Carlyle (1795-1881) emprestou, em 1835, a primeira versão do livro que escrevera, A revolução  francesa, para seu conterrâneo, amigo e filósofo John Stuart Mill (1806 -1873).  Quando Carlyle voltou a Londres para pegar o manuscrito com o amigo, soube que o documento havia sido queimado acidentalmente.  Por incrível que  possa parecer, Carlyle voltou para casa e imediatamente de pôs a escrever todas as 800 páginas de novo e publicou o livro, de grande sucesso, em 1837.

 





Palavras para lembrar: Hermann Hess

7 02 2023

Leitura

Anônimo, Brasileiro

óleo sobre cartão, 45 x 55 cm

 

 

 

“Nunca releio meus livros, porque tenho medo.”

 

Hermann Hess