Imagem de leitura — Adam Buck

27 02 2013

Mother_and_Child_1

Mãe e filho

Adam Buck ( Irlanda, 1759-1833)

gravura

Victoria & Albert Museum, Londres

Adam Buck nasceu em Cork, na Irlanda, em 1759. Foi um pintor miniaturista trabalhando  entre 1780 e 1790, enquanto ainda morava na Irlanda.  Mudou-se para Londres em 1795. Exerceu grande influência na cultura da época da Regência fazendo  gravuras de trajes contemporâneos, bem como retratos de famílias, no gênero de cenas clássicas e ilustrações para Laurence Sterne ‘s Sentimental Journey.  Foi  professor de pintura, e fez inúmeras exposições de  miniaturas e pequenos retratos de corpo inteiro na Academia Real entre 1795 e 1833. Morreu em Londres em 1833.





Palavras para lembrar — Tahar Ben Jelloun

24 02 2013

Beside the summer sea

Ao lado do mar de verão,1896

Philip Burne-Jones (Inglaterra, 1861-1926)

Aquarela sobre papel, 46 x 26 cm

Samuel and Mary R. Bancroft Memorial, 1935

Delaware Art Museum, Wilmington, DE

” Um livro é o nascimento de uma viagem, o traçado de um itinerário”.

Tahar Ben Jelloun





Imagem de leitura — Henri Manguin

22 02 2013

Henri Manguin (1874-1949) - Le thé à la Flora

Chá na Vila Flora, 1912

Henri Manguin (França, 1874 – 1949)

Óleo sobre tela, 116 x 89 cm

Hahnloser/ Jäggli Stiftung

Henri Charles Manguin nasceu na França em 1874. Fez a Escola de Belas-Artes de Paris, sob o aprendizado de Gustave Moreau.  Inspirado por Matisse de quem foi colega e mais tarde amigo, Rouault e Marquet passa a pintar com as cores dos Fuaves. Foi professor na Academia Ranso.  Viajou  para Nápoles com Marquet. De tempos em tempos ia para Saint-Tropez, e em 1949 estabelece residência definitiva lá. Falece quase depois nesse mesmo ano.





A arte do ensaio muda de cara

21 02 2013

Chatterton-Purdy-PamelaLeitora, s/d

Pamela Chatterton-Purdy (EUA, contemporânea)

www.chatterton-purdyart.com

O  mais recente número da revista New Republic, traz o interessante artigo The New Essayists or the decline of a form, por Adam Kirsch.  Ele demonstra que a morte do ensaio literário, diferente do que se presumia há quase 30 anos, não chegou a existir e que hoje o ensaio está mais vivo do que se poderia esperar. Há um número significativo de volumes de ensaios chegando às listas de mais vendidos.  Algo muito maior do que o sonhado em passado recente. O assunto me interessa porque o ensaio é uma das minhas formas favoritas de leitura e muito já desejei, quando adolescente, pensando que me caberia um espaço nas artes literárias, que esta seria a minha forma de expressão.  Desde os Ensaios de Montaigne, aos de Emerson, aos de Gore Vidal, para dar exemplos genéricos e universais, considero o ensaio como uma forma literária agradabilíssima, em que podemos seguir a maneira de pensar do autor, apreciar seus argumentos e além disso apreciar o estilo e a perspicácia com que um argumento seduz o leitor.  Nem sempre é necessário que se concorde com o autor.  Um bom ensaísta pode ser apreciado pelo método e pela arte literária mesmo que se discorde do conteúdo.

Adam Kirsch lembra, no entanto, que o ensaio mudou de cara. Ele considera quatro livros publicados nos Estados Unidos e descobre que o conceito que tivemos de ensaio já não se aplica.  O ensaio ao que tudo indica passou a ser uma performance e não uma reflexão do autor.  Passou a ser uma crônica, um causo de ficção, deixando para trás aquilo que percebemos no verdadeiro, ou melhor na antiga concepção do ensaio, que é a opinião do autor, que a justifica pelo uso de suas associações, pelo  uso de suas convicções.  O ensaio atual não passa de uma meta linguagem, em que o autor cria um personagem que por sua vez é quem considera diversos aspectos culturais.  Como se Dona Candoca, alterego do colunista Artur Xexeo, com o qual ele expressa opiniões nem sempre das mais eruditas, fosse na verdade a personagem que pensasse e organizasse uma linha de pensamentos e os defendesse.  É o eu de ficção que agora toma o lugar do pensador.  Lembra também que os detalhes do dia a dia do personagem inventado são agora o assunto pelo qual percebemos e debatemos o mundo.   É o reality-show do eu ficcionalizado.  É o tele-ensaio.  Pena.  Para onde foram os pensadores?  Levante-se, por favor, o verdadeiro pensador.

PERGUNTA: Qual é o seu ensaísta brasileiro favorito?

Ah, sim, o meu?  Provavelmente Gilberto Freyre, mas é difícil dizer. Ledo Ivo está muito próximo dele.





Palavras para lembrar — C.S. Lewis

18 02 2013

Min Li

Antes do concerto, 1998

Min Li (China, contemporâneo)

Óleo sobre tela, 77 x 77 cm

www.minlifinearts.com

“Lemos para saber que não estamos sós.”

C.S. Lewis





Palavras para lembrar — Christopher Morley

16 02 2013

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Leitora, 2008

Guy Baron (França, 1946)

Óleo sobre tela, 40 x 80 cm

Guy Baron

“Quando você vende um livro a alguém você não vende só 12 onças de papel, tinta e cola – você lhe vende uma vida completamente nova.”

Christopher Morley





Como escrever um romance, texto de Katherine Pancol

16 02 2013

François Fressineir, Belles_Heures

Ponto alto, s/d

François Fressinier (França, 1968)

Técnica mista com pintura a óleo

www.françoisfressinier.com

“Olhou para o computador, um lindo laptop branco que esperava por ela de goela aberta sobre a mesa da cozinha, cheia de livros, faturas, canetas hidrocor, Bics, folhas de papel, migalhas do café da manhã. Seu olhar deslizou sobre o círculo amarelado deixado pelo bule de chá, a tampa do pote de geléia de damasco, um guardanapo enrolado como uma serpente branca…Precisava abrir espaço para poder escrever e deixar sua tese de habilitação de lado. Precisava de tanta coisa, tanta coisa, suspirou, repentinamente cansada diante da idéia de todo o esforço que teria de fazer. Como escolher o tema de um livro? Como criar os personagens? A história? As reviravoltas? Elas se originam nos acontecimentos exteriores ou na revolução dos personagens? Como começar um capítulo? Como organizá-lo? Devia reler seus trabalhos e pesquisas para evocar as façanhas de Rolland, Guilherme, o Conquistador, Ricardo Coração de Leão, Henrique II, pedir ao espírito de Chrétien de Troyes que baixasse sobre ela? Ou se inspirar em Shirley, Hortense, Iris, Philippe, Antoine e Mylène, vesti-los com um hennin medieval, um par de polainas ou tamancos, instalá-los no campo ou no castelo? O cenário muda, as oscilações do coração perduram. O coração bate, idêntico, em Leonor, Scarlett ou Madonna. As pregas de um vestido, as cotas e malha de ferro se desfazem em poeira, mas os sentimentos permanecem. Por onde começar?, repetia Josephine consigo mesma, observando a intensidade da luz daquele mês de janeiro baixar suavemente sobre a cozinha, iluminar com luz pálida aborda da pia e morrer no escorredor. Existe alguns livro de receitas para escrever? Quinhentos gramas de amor, 350gr de referências históricas, um quilo de suor… deixe cozinhar em fogo brando, em forno quente, mexa para evitar que grude ou forme caroços, deixe repousar três meses, seis meses, um ano. Stendhal, segundo dizem, escreveu o Cartouche de Parma em três semanas, Simenon finalizava seus romances em dez dias. Mas durante quanto tempo eles carregaram essas obras consigo e lhes deram alimento ao levantar de manhã, vestir as calças, beber seu café, recolher correspondência, observar a luz da manhã se espalhando sobre a mesa do café da manhã ou contar os grãos de poeira num raio de sol? Deixar o tempo agir. Encontrar seu modo de usar. Beber café como Balzac. Escrever em pé como Hemingway. Encerrada como Colette, quando Willy a trancafiava. Fazer pesquisa como Zola. Usar ópio, um bom tinto, hachiche. Vociferar como Flaubert. Correr, devagar, dormir. Ou não dormir como Proust. E eu? O tecido encerado da toalha da mesa da cozinha, o face a face com a pia, o bule de chá, o tique-taque do relógio, as migalhas do café da manhã e as prestações a pagar! Léautaud dizia: “escreva como quem escreve uma carta, não  releia; não aprecio a grande literatura só gosto da conversação escrita.” A quem posso enviar uma carta? Não tenho nenhum amante me esperando no parque. Não tenho mais marido. Minha melhor amiga mora no mesmo andar que eu.”

Em: Os olhos amarelos dos crocodilos, Katherine Pancol, Rio de Janeiro, Suma das Letras:2012, p.198-199.





Imagem de leitura — Géza Vörös

13 02 2013

Géza Vörös, na sala1

Na sala, s/d

Géza Vörös (Hungria, 1897-1957)

óleo sobre tela

Geza Vörös nasceu em Nagydobrony, na Hungria em 1897.  Estudou na Academia de Belas Artes de Budapeste. Aos 19 anos expôs seu primeiro trabalho.  Morou em Nagybánya e Szolnok, ambas colônias de arte na Hungria. Foi nesse período que conheceu sua futura esposa, Anna, que se tornou o principal modelo para suas pinturas de figurativas. Fez bastante sucesso com as suas naturezas-mortas e  pinturas de interiores também. Em 1927, foi a Paris, a estudo.  Lá conheceu Matisse que daí por diante exerceu  grande influência sobre ele: veja os contrastes ousados de cores e os detalhes ornamentais. Morreu em Budapeste em 1957.





Palavras para lembrar — Jean Cocteau

11 02 2013

Linda Apple

Esperando o ônibus, 2008

Linda Apple (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 15 x 15 cm

www.applearts.com

“Um belo livro é aquele que semeia em abundância os pontos de interrogação.”

Jean Cocteau





Palavras para pensar — Christian Bobin

9 02 2013

jaskiewicz (Polonia) menina lendo

Menina lendo, 1998

Barbara Jaskiewicz-Socewicz  (Polônia, contemporânea)

Óleo sobre tela com espátula, 65 x 50 cm

www.barbarajaskiewicz.pl

“O que aprendemos com os livros, é a gramática do silêncio”.

Christian Bobin