A coragem da verdade, texto de Márcio Tavares D’Amaral

17 10 2015

 

 

Gabriele Munter moça sentadaMoça na poltrona, escrevendo

Gabriele Munter (Alemanha, 1877-1962)

 

 

“Digo aos meus alunos que começam uma frase com “eu acho” que refaçam a questão quando puderem dizer “eu penso”. Porque, na filosofia, é da verdade que se trata. Não de opiniões. Opiniões desgarram, ancoram-se nas manias do sujeito. A verdade pede muita amorosidade e muito trabalho. Porque está escondida debaixo de uma montanha de opiniões “achadas”. Fica ali perdida. Até que o trabalho seja feito, com calma, demora e alegria, e ela possa aparecer. Às vezes nem é grande coisa: saber onde está a razão numa briga de vizinhos. Às vezes é uma coisa enorme: o bóson de Higgs, o vírus da AIDS. Não sabemos de antemão. É preciso paciência. Foucault deu ao seu último curso o lindo título de “A coragem da verdade”. Pois é isso mesmo.”

 

Em: “Tenho certeza. Eu acho”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 17/10/2015, 2º caderno, página 2.





Imagem de leitura — William Mulready

16 10 2015

 

 

William Mulready, RA,Rustic Happiness, or Father and Child,Oil on panel;  1828, 22 x 18 cm (GBFelicidade rústica, 1828

William Mulready (Irlanda, 1786-1863)

óleo sobre madeira, 22 x 18 cm





Imagem de leitura — Augustus Edwin Mulready

15 10 2015

 

 

Augustus Edwin Mulready ( Irlanda, 1844-1905) Uma leitura sossegada, 1875, ost, 40x30cm, Maas Gallery, LondresUma leitura sossegada, 1875

Augustus Edwin Mulready (Irlanda, 1844-1905)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm





Sublinhando…

12 10 2015

 

 

Serebriakova, retrato de esolntseva-irmadartista-1914, Zinaida Evgenievna Serebriakova (Carcóvia, 1884 — Paris, 1967)ostRetrato da irmã da artista, 1914

Zinaida Evgenievna Serebriakova (Rússia, 1884-1967)

óleo sobre tela

 

 

“Todo sorriso é feito de mil prantos,
toda vida se tece de mil mortes.”

 

Carlos de Laet (Brasil 1847-1927) em Triste Filosofia, Poesias, 1873





Flores para um sábado perfeito!

10 10 2015

 

 

Elisiana Alves,Flores e Frutos de Pequi, 48 x 38 cm – Aquarela, 2008Flores e Frutos de Pequi, 2008

Elisiane Alves (Brasil, contemporânea)

Aquarela, 48 x 38 cm





Bloggers Recognition Award

9 10 2015

 

 

coles Phillips, Mulher escrevendo a maquinabMulher lendo, ilustração de Coles Phillips.

 

 

O Carlos Bazuca do blog O ideal e o possível indicou a Peregrina Cultural para o para o Bloggers Recognition Award.
As regras para participar são as seguintes:
1. Faça um post explicando por que você começou a blogar e dê algumas dicas
2. Nomeie blogs de seus colegas blogueiros
3. Comente nos blogs deles para que saibam que foram nomeados

 

1.—Comecei a blogar como Peregrina Cultural em junho de 2008. Sempre gostei de escrever, de ler e como historiadora da arte, gosto das artes plásticas e de história. Eu não sabia bem que caminho dar ao blog, mas a intenção foi ir dividindo aos poucos com quem quisesse ver ou ler, aspectos da cultura brasileira que não estavam nas manchetes, na TV, que não eram moda. Foi indo, assim assado, até que em dezembro de 2008, um artigo no jornal O Globo do Rio de Janeiro me incendiou. Tratava-se de uma resenha e da promoção de um livro sobre os gostos dos leitores no Brasil do século XIX. O artigo, na primeira página do Caderno Prosa e Verso (ainda em publicação na época), era ilustrado por três quadros do século XIX com mulheres lendo, todos estrangeiros. Aquilo me enfureceu. Um dos mais belos quadros da história da arte brasileira é justamente o de uma moça lendo, de autoria de José Ferraz de Almeida Júnior, pintor que todo brasileiro deveria conhecer, quanto mais alguém que se deu ao trabalho de procurar imagens de mulheres lendo. Logo para um artigo sobre o que era lido no país, era a escolha natural e não um Renoir ou uma Mary Cassatt. Publiquei um artigo no blog em que incluí o email que eu havia mandado para o jornal, reclamando das ilustrações no texto. É claro que ninguém respondeu ao email, mas no blog recebi quatro comentários. Essa postagem iniciou então uma das facetas do blog,pelo qual ele é mais frequentemente reconhecido: imagens de pessoas lendo. Daí para cá fui preenchendo lacunas. O blog foi mudando aos poucos, pelo interesse de seus leitores. Escrevo vez por outra, textos meus, em geral bastante pessoais. Tenho cuidado com o que posto. Há muitas escolas que seguem o blog. Tenho professores dedicados e um ou outro artigo meu, digo de minha autoria, que não são muitos, faz parte do currículo de algumas escolas, assim como muitas das poesias infantis, das trovas e outras seleções de textos são diariamente escolhidas como leituras para a sala de aula. Isso tem-me dado muita alegria e uma enorme responsabilidade.

DICAS? Seja persistente, não abandone o barco, aos poucos seus seguidores aparecerão. Não inveje o sucesso de seus colegas. Cada um de nós tem a sua parcela de audiência e é impossível agradar a todos. Por isso mesmo agrade a si mesmo e exija de você tanto quanto dos outros. Cuidado para que o blog não seja “trabalho” mas algo interessante, que você goste de fazer.

2 — Leio mais blogs do que parece, mas muita gente que começou comigo há sete anos já desistiu… uma pena. Gosto não só dos blogs que mostram a escrita ou a poesia, mas também de blogs que dividem conhecimentos, como de história, arqueologia, etc. Citar blogs é sempre correr o risco de esquecer de alguém que é importante, mas leio o blog do Mariel Fernandes- Toda vida é crônica; da Lella – Valéria Miguez – Cinema é minha praia; do Gilberto Ortega – Ler até a exaustão; do Eurico Gomes, da Renata Amemiya – Ano Novo todo dia; Jaqueline Bastos – O eu insólito. Para tag nesse assunto recomendo:

 

Ivan Anderson
Cinema é minha praia
Ler até a exaustão
O ponto afinal
Pro seu dia ficar melhor





Resenha: “O leitor do trem das 6h 27” de Jean-Paul Didierlaurent

8 10 2015

 

Aliberto BARONI (Brasil, 1911-1994) - Figuras no bonde - OST -CIE - 50 x 70 cm.Figuras no bonde

Aliberto Baroni (Brasil, 1911-1994)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

 

Amantes da leitura em geral têm um fraco por histórias, romances, novelas em que livros são protagonistas ou fazem parte essencial da trama.  O leitor do trem das 6h 27 de Jean-Paul Didierlaurent já pelo título nos prepara para um deleite do gênero.  E é.   No entanto, essa é uma história cuja tema central talvez não seja livros mas o cultivo da amizade e do amor através da palavra escrita.

Sim, há um leitor que lê em voz alta páginas soltas de livros diversos, para uma plateia no trem da manhã. Muitos de seus ouvintes se encantam com as passagens escolhidas ao acaso: elas fazem a imaginação borbulhar, trazem excitação ao dia a dia e são capazes de preencher vidas que de outro modo poderiam ser alienadas. Um por um, cada ouvinte encontra sua verdade, sua história, na interpretação dos trechos de ficções  narrados pelo leitor do trem. É o que acontece com as irmãs Delacôte que eventualmente convidam o leitor do trem para sessões de leitura e entretenimento, para elas e amigos.

 

O_LEITOR_DO_TREM_DAS_6H27_1440449597523368SK1440449597B

 

Nesse pequeno romance de Jean-Paul Didierlaurent as palavras escritas são mágicas.  Elas são a chave do amor e da amizade.  Elas saram, purificam e restabelecem. Garantem companheirismo e fraternidade, benevolência e apego.  Os gestos de ternura, de simpatia, entre o leitor e seu colega Giuseppe, vítima de um acidente no trabalho,  são verdadeiras odes à mágica da palavra impressa. Até mesmo o leitor do trem, que solitário cultiva a companhia de um peixinho de aquário, eventualmente sucumbe à magia da palavra escrita e  por ela encontra o amor.

 

didierlaurentJean-Paul Didierlaurent

 

O mundo de Guylain Vignolles, funcionário de uma companhia de desencalhe de livros, parece inicialmente sem esperança, abjeto, rude e descortês.  Mas aos poucos testemunhamos os pequenos milagres, aqueles que acontecem quando prestamos atenção nas palavras impressas. E… surpresa!  Quase tudo se resolve. Hábil contador de histórias, Didierlaurent escreveu um conto de fadas para a nossa época. Há monstro, vilão, mágica, boas ações, madrinhas, princesa e final feliz. Que mais podemos querer para cultivar um bom astral?





Imagem de leitura — Anton Raphael Mengs

5 10 2015

 

Johann_Joachim_Winckelmann_(Raphael_Mengs_after_1755)Retrato de Johann Joachim Winckelmann, 1762
Anton Raphael Mengs (Alemanha, 1728 — 1779)
Oleo sobre tela, 69 x 49 cm
Metropolitan, NY





Imagem de leitura — Jessie Willcox Smith

5 10 2015

 

 

Menina na escola, Jessie Willcox SmithMenina na escola

Jessie Willcox Smith (EUA, 1863-1935)





Imagem de leitura — Alexandre-Denis Abel de Pujol

3 10 2015

 

 

513px-Portrait_of_Nicholas_Legrand_and_His_Grandson,_Joseph-Adolphe_De_Pujol_by_Alexandre-Denis_Abel_de_PujolRetrato de Nicolas Legrand e seu neto Joseph-Adolphe De Pujol, 1815

Alexandre-Denis Abel de Pujol (França, 1785-1861)

óleo sobre tela, 113 x 95 cm

High Museum of Art, Atlanta, Ga