Imagem de leitura — Alexander Mark Rossi

13 12 2015

 

 

Alexander Mark RossiNa costa em Bognor Regis, 1887
Alexander Mark Rossi (GB, 1840-1916)
Óleo sobre tela





Imagem de leitura — Sue Halstenberg

13 12 2015

 

Romantic Novel by Sue HalstenbergLeitura romântica

Sue Halstenberg (EUA, contemporânea)

pastel, 40 x 60 cm





Sublinhando…

8 12 2015

 

 

 

Louise Catherine Breslau (Swiss, 1856-1927). Oil on wood. Schweizerische Eidgenossenschaft, Bundesamt für Kultur, BernNa biblioteca

Louise Catherine Breslau (Suíça, 1856-1927)

óleo sobre madeira

Schweizerische Eidgenossenschaft, Bundesamt für Kultur, Berna

 

 

“Só a leve esperança, em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada…”

 

 

Em: Velho Tema, de Vicente de Carvalho (Brasil, 1866-1924), Poemas e canções, 4ª edição, São Paulo, Editora O Livro: 1919.





Imagem de leitura — Jesser Valzacchi

6 12 2015

 

 

 

12 - Pessimas noticias- 2012 (0_80x100)Jesser Valzacchi Péssimas Notícias 2012Péssimas notícias, 2012

Jesser Valzacchi (Brasil, 1983)

óleo sobre tela, 80 x 100 cm





Uma lista de livros para meninas-moças adolescentes

6 12 2015

 

Erin de Burca (Irlanda, contemp) Alba lendo 2007Alba lendo

Erin de Burca (Irlanda, 1982)

 

O jornal inglês The Guardian nesta semana, perguntou a um grupo de conhecidos escritores, educadores e editores que livro cada um deles recomendaria como leitura essencial para uma jovem de dezesseis anos. Nessa publicação a lista foi de 21 títulos. Fiz uma rápida busca na internet para ver quais desses livros existem em traduções publicadas no Brasil.  Agora, nessa época de fim de ano quando pensamos no que seria interessante dar de presente, temos pelo menos uma lista à mão para nos ajudar. Não há ordem de importância nessa lista.

 

SEUS_OLHOS_VIAM_DEUS_1304863734BSeus olhos viam Deus

Zora Neale Hurston

Record, 2002

O livro “Seus Olhos Viam Deus” apresenta a história de Janie Crawford, uma heroína afro-americana que enfrenta o tabu de escolher seu próprio destino, na Flórida da década de 1930. Jane incorpora o inconformismo e a revolta contra o que se espera de uma mulher pobre e negra.

Ela denuncia de forma crítica a violência contra as mulheres em geral, mas principalmente contra as negras. A autora Zora Neale Hurston não escreve diretamente sobre a discriminação num mundo dominado por brancos, mas a deixa transparecer pela construção da tensão dos relacionamentos.

 

OLHO_DE_GATO_1232925702BOlho de gato

Margaret Atwood

Marco Zero, 1990

 

Finalista do Booker Prize de 1989, “Olho de Gato” traz a história da pintora Elaine Risley, que, de volta à cidade natal, Toronto, para uma retrospectiva de sua obra, é levada a refletir sobre seu passado, marcado por humilhações. Intercalando os momentos de estranheza da Elaine de meia- idade com as descobertas da Elaine de nove anos, a canadense Margaret Atwood descreve de maneira densa e realista as crueldades que as pessoas são capazes de cometer, independente da idade.

Elaine revê sua vida na estrada, durante a Segunda Guerra Mundial, quando, junto de sua família, circula pelo Canadá, sem endereço fixo, até que, prestes a completar nove anos, instala-se com os parentes em Toronto. Para tentar se integrar, ela procura fazer amizade com três meninas da escola: Carol, Grace e Cordelia. É a partir da singularidade de sua longa relação com esta última, um estranho misto de melhor amiga e maior tormento, que Elaine, submetida à dor de ver minada sua autoestima, aguça o olhar sobre o apetite humano pela destruição.

 

COMPAIXAO_1249243792BCompaixão

Toni Morrison

Companhia das Letras, 2009

 

A obra de Toni Morrison é toda debruçada sobre a condição do negro nos Estados Unidos e, sobretudo, da mulher negra americana. Em Amada, ela visitou o terror permanente da vida na escravatura. Agora, em Compaixão, recua mais na história e vai à origem, a 1690, quando a própria nação norte-americana estava nascendo, cem anos antes da Declaração de Independência. Morrison nos faz lembrar que o começo do regime escravagista se confunde com esse início da nação, os dois cresceram juntos. A autora vê, nesse alvorecer do país, a possibilidade de uma escravatura sem racismo, que junta brancos, negros e indígenas numa mesma árdua luta pela sobrevivência na natureza inóspita do nordeste americano.

Compaixão é a história de Florens, que a própria mãe entrega como pagamento da dívida de seu senhor, na esperança de que possa ter uma vida melhor numa fazenda remota, ao lado de três outras mulheres — Rebekka, a senhora branca; Lina, uma escrava indígena; e Sorrow, outra escrava negra — e do tolerante senhor anglo-holandês Jacob Vaark.

Em meio às asperezas da vida rural desse período, ameaçada pela varíola, numa terra sem lei, dividida entre o puritanismo religioso das seitas protestantes dos brancos e a tolerância e liberdade do indígena e do negro, Florens descobre o amor e o sexo. Luta com a natureza do nordeste da América do Norte e com sua própria natureza, ambas bravias, uma fria, a outra ardente. Sempre em busca de um amor perdido: o de sua mãe e o de sua pátria.

Neste momento em que os negros descendentes de africanos chegam pela primeira vez ao poder com a eleição de Barack Obama, é mais que oportuno esse olhar cheio de lirismo e clareza que Toni Morrison lança à origem efetivamente mestiça da cultura e da civilização dos Estados Unidos.

 

ORGULHO_E_PRECONCEITO_1311429026BOrgulho e preconceito

Jane Austen

Há 42 edições desse livro no Brasil. É escolher uma. Há livros de bolso e livros maiores. É um clássico.

Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com a perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista.

Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína – recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

 

ENSINANDO_A_TRANSGREDIR_1403612977BEnsinando a transgredir

Bell Hooks

WFM, Martins Fontes, 2013

 

Em ‘Ensinando a transgredir‘, Bell Hooks – escritora, professora e intelectual negra insurgente – escreve sobre um novo tipo de educação, a educação como prática da liberdade. Para hooks, ensinar os alunos a “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor.
Ensinando a transgredir, repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino.

Segundo Bell Hooks, “a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender”. Ensinando a transgredir registra a luta de uma talentosa professora para fazer a sala de aula dar certo.

 

DIARIO_DE_UMA_GAROTA_NORMAL_1444356994530669SK1444356994BDiário de uma garota normal

Phoebe Gloeckner

Faro editorial, 2015

 

‘Minnie é uma garota de 15 anos que registra num diário tudo o que sente e acontece em sua vida.Seu relato é incomum apenas porque ela conta tudo. Não há aqui a sutileza das histórias para meninas, quase sempre romantizadas para parecerem mais leves. A descoberta da sexualidade, o interesse pelos garotos, as novas amizades, tudo é contado de forma tão natural que acaba por revelar como o mundo adulto é cáustico, doloroso e cruel, se visto pelos olhos de uma adolescente que está prestes a entrar nele.’

 

O_CONTO_DA__AIA_1363362855BO conto da aia

Margaret Atwood

Rocco, 2006

 

A história de O Conto da Aia, da canadense Margaret Atwood, passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.

Como tudo pôde mudar tão rapidamente? Offred, a narradora, responde: “Foi depois da catástrofe, quando mataram a tiros o presidente e metralharam o Congresso, e o Exército declarou estado de emergência. Na época, atribuíram a culpa aos fanáticos islâmicos. Mantenham a calma, diziam na televisão. Tudo está sob controle. (…) Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário. Não houve sequer um tumulto nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, assistindo à televisão, em busca de alguma direção. Não havia mais um inimigo que se pudesse identificar.” Não, este não é um romance pós-atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Margaret Atwood, a grande dama da literatura contemporânea em língua inglesa, publicou-o originalmente em 1985. O livro já é um clássico, há muitos anos adotado nos colégios ingleses, canadenses e americanos. E agora ganha tradução para o português.

As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Uma catástrofe nuclear tornou estéril grande parte das pessoas, de modo que as mulheres férteis agora são preciosidades. Transformadas em aias, elas são entregues a algum homem casado do alto escalão do exército e obrigadas a fazer sexo com eles até engravidar. Portanto, a cada mês, menstruar é fracassar. E quando elas engravidam, dão à luz e amamentam a criança por alguns meses, sendo que o bebê é propriedade do casal que as escravizou. Após o período de amamentação, elas são entregues a outro homem e passam pelo mesmo martírio novamente, agora com outro nome – Offred é “of Fred”, “de Fred”, “pertencente ao homem chamado Fred”. Ao longo da vida, uma aia pode ter vários donos e, portanto, vários nomes: Ofglen, Ofcharles, Ofwayne…

As aias são controladas e vigiadas dia e noite. Elas não têm permissão para escrever nem ler, só podem ir ao banheiro um determinado número de vezes por dia e não devem permitir que nenhum homem veja qualquer parte do seu corpo exposta, nem mesmo os braços. O ideal é que nem seu rosto seja mostrado. É uma vida triste, mas um destino melhor que o das não-mulheres, como são chamadas aquelas que não podem ter filhos, as homossexuais, viúvas e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é mortífero.

Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Offred escreve em seu diário proibido: “A sanidade é um bem valioso: eu a amealho e guardo escondida, como as pessoas antigamente amealhavam e escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir a ter o suficiente quando chegar a hora.”

Com esta história assustadora, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. O conto da aia já foi transformado em filme, peça de teatro, ópera, audiolivro e dramatização radiofônica.

Ficam aqui então as sugestões. Dos 21 só esses 7 traduzidos, uma pena.





Imagem de leitura — Darren Thompson

5 12 2015

 

Darren thompson. reader#19(large), oil on birchwood, 24x30nchsLeitor nº 19

Darren Thompson (EUA, 1968)

óleo sobre madeira, 60 x 75 cm





Imagem de leitura — Emanuel Garant

3 12 2015

 

 

Emanuel Garant, (Canada, 1953)Leitura ao crepusculo, ost, 40x30, 2008Leitura ao crepúsculo, 2008

Emanuel Garant (Canadá, 1953)

óleo sobre tela, 40 x 30 cm





Imagem de leitura — Fairfield Porter

1 12 2015

 

Fairfield Porter (EUA 1907-1975)Menino sentado à mesa com toalha de xadrez vermelha, 1960, 103x98 cm The Parrish Art Museum, Southampton, NYMenino sentado à mesa com toalha de xadrez vermelho, 1960

Fairfield Porter (EUA, 1907-1975)

103 x 98 cm

The Parrish Art Museum, Southampton, NY





Imagem de leitura — Antônio Rafael Pinto Bandeira

1 12 2015

 

Antonio Rafael Pinto Bandeira (Brasil, 1863-1896) Jovem adormecida, 1891, ost, 83 x 62 cm, Museu Antonio Parreiras, NiteróiMenina adormecida, 1891

Antônio Rafael Pinto Bandeira (Brasil, 1863-1896)

óleo sobre tela, 83 x 62 cm

Museu Antônio Parreiras, Niterói





Escritoras na berlinda — #leiamulheres

29 11 2015

 

 

Elena-Polenova-770x434Estudantes de anatomia, década de 1880

Elena Polenova (Rússia, 1850-1898)

óleo sobre tela

Vasily Polenov Museu de Belas Artes e Parque Nacional, São Petersburgo

 

 

Só ontem me dei conta do movimento #LeiaMulheres, através de um artigo no jornal O Globo, no que restou de sua página literária, PROSA.  Com o título Prêmios de 2015 são das mulheres, Leonardo Cazes demonstra o reconhecimento dado às nossas escritoras através de prêmios literários no Brasil. Já era tempo.

Em 1988, de volta aos EUA  depois de dois anos de residência na Europa, decidi ler exclusivamente mulheres. Uma decisão um tanto radical, mas bastante enriquecedora. Tanto que prolonguei o experimento por um pouco mais de dez anos.  A limitação de leitura não incluía os livros que eu precisasse ler para a crítica literária. Nessa época eu fazia crítica literária para o jornal da cidade e alguns regionais.  Tampouco incluía autores ganhadores do prêmio inglês Booker,  porque considero este, o mais importante prêmio literário do mundo.  Nem circunscrevi a leitura profissional a autoras mulheres, pois como ferramentas de trabalho esse limite certamente colocaria à prova a minha postura profissional. Só essas exceções.  Foi nesse período que descobri  minha preferência por escritoras britânicas.  Ainda hoje são elas as que mais prendem a minha atenção, que me dizem algo que vai além da palavra escrita.  Quando finalmente voltei ao Brasil, em dezembro de 2002, tive a oportunidade de me familiarizar com a espanhola Rosa Montero, cuja obra me fascina, (ainda não traduzida nos EUA) e com algumas portuguesas. Desde então tratei de conhecer também algumas escritoras brasileiras.

Gosto não se discute.  Minha preferência pelas inglesas não é lógica. Nunca morei naquele país, não estudei em escola inglesa no Brasil, não tenho família inglesa — exceto por antepassados escoceses que em 1810 emigraram para Portugal. Sou produto brasileiro mesmo, com forte sobreposição da cultura americana, resultado de muitos anos de estadia nos EUA, além de um consorte americano, professor universitário de literatura americana do século XIX.  Eu tinha tudo para dar preferência às norte-americanas.  Mas suas preocupações e tendência ao sentimental não tocam o nervo da sensibilidade que autoras britânicas parecem encontrar em mim, assiduamente, com seu leve humor, ironia e forte crítica social observada nas entrelinhas. O mesmo posso dizer sobre os escritores britânicos.  Eles me atraem mais do que os de outras nacionalidades.

 

 

HECKLY Annie, Huile sur toile de 52x45 cm marouflée sur cartonSem título

Annie Heckly  (France (?), 1900- ?)

óleo sobre tela colado em cartão, 52 x 45 cm

 

Minha preferência por autoras britânicas começou quando descobri Barbara Pym.  Soube que o poeta Philip Larkin, entre outros, havia julgado a escritora, finalista do Prêmio Booker em 1977 com a obra Quartet in Autumn [Quarteto de outono], “a escritora britânica mais subestimada da Inglaterra“.  Nessa época eu morava em Coimbra e tinha fácil acesso à biblioteca do British Council, umas poucas quadras de casa.  Tive então a oportunidade de ler esse livro. Fiquei encantada. Com a simplicidade do texto, da linha narrativa, Barbara Pym foi capaz de dizer muito mais sobre os seres humanos, sobre o relacionamento entre homens e mulheres, do que a aparente crônica de gênero da vida de um vilarejo inglês pode supor.  Fui atrás do resto de sua obra e aos poucos mergulhei na produção de outras escritoras inglesas.  Dessa feita familiarizei-me com as escritoras do século XX.  Aqui estão algumas de minhas favoritas: Beryl Bainbridge, Elizabeth Bowen, Anita Brookner, A.S. Byatt, Margaret Drabble, Doris Lessing, Penelope Lively, Elizabeth Mackintosh, Nancy Mitford, Iris Murdock, Bernice Rubens, Dodie Smith, Muriel Spark, Fay Weldon. Tenho certeza que algumas autoras me escaparam… Mais recentemente adicionei à minha lista Kate Atkinson.

Se me perguntassem, no entanto, em qual delas eu gostaria de me espelhar, caso, um dia, eu tivesse a intenção de escrever, seria Penelope Lively, por quem nutro, até hoje, grande admiração e a quem eu teria dado o Booker Prize, não para Moon Tiger, com o qual ganhou esse prêmio em 1987, mas para The Road to Lichfield, com o qual foi finalista para o mesmo prêmio, dez anos antes em 1977.

Concordo que boa literatura não tem gênero.  Mas discordo da posição politicamente correta de se dizer que não há diferença no texto entre autores homens ou mulheres.  É verdade que tanto um quanto outro pode narrar com a persona do sexo oposto.  Ficção é, afinal, imaginação.  É criar naquele papel em branco, naquela tela de computador, algo que não existia e que por muito tempo só existe na imaginação do escritor.  Conseguir moldar o texto para que outros o leiam e o imaginem é algo próximo a um pequeno milagre.  Há no resultado final, no livro, no romance, no conto a prova de uma mágica, de um toque do divino em cada um de nós. Mas, considerar que não há diferença entre a maneira de focar um assunto, nas várias preocupações entre os sexos, considero uma repercussão de profunda misoginia. É o mesmo que achar que não há diferenças entre homens e mulheres.  Elas existem.  São óbvias. Que todos sejam tratados de igual maneira, com a mesma consideração é o que importa. Que as mesmas oportunidades de publicação estejam presentes para homens e mulheres. Mas não é uma má ideia passar algum tempo, um ano, dois, lendo autores mulheres. Afinal, mulheres são a grande maioria dos leitores no mundo inteiro.  Por que não parar para observar, sentir e entender como veem o mundo?