Natureza morta, 2007
Marcos Garcia (Brasil, contemporâneo)
técnica mista, 29 x 21 cm
Cena urbana no Rio de Janeiro com praça e igreja, década de 1950
David Correa Saavedra (Brasil, 1901-1968)
óleo sobre placa, 38 x 46 cm
Leitura, 1891
Juan Llimona (Espanha, 1860-1926)
óleo sobre tela, 100 x 67cm
Museu Nacional d’Art de Catalunya.
Santa Teresa de Jesus
No tempo da harmonia, a idade de ouro não está no passado, está no futuro, 1892
Paul Signac (França, 1863-1935)
óleo sobre tela, 310 x 410 cm
Prefeitura de Montreuil, França
Ricardo Coração de Leão
Iluminura, MS Royal 14 C VII f.9
Data do manuscrito !250-1259
Biblioteca Britânica
“…Mas, depois de sua partida, o senhor de Zara enviou um emissário secretamente a seu irmão avisando-lhe que detivesse o rei quando ele chegasse às suas terras. Quando o rei chegou e entrou na cidade onde morava o irmão daquele senhor, este imediatamente convocou um homem em quem tinha toda confiança, Rogério, um normando de Argenton, que estava junto dele havia vinte anos e a quem dera sua sobrinha em casamento; ordenou-lhe que inspecionasse atentamente todas as casas onde houvesse visitantes alojados, e que tentasse identificar o rei por sua maneira de falar ou por qualquer outro detalhe. Prometeu dar-lhe a metade da cidade se conseguisse capturar o rei.
O homem localizou e examinou todas as casas onde havia viajantes; Ricardo ocultou por bastante tempo sua identidade, depois, vencido pelas súplicas e pelas lágrimas do leal investigador, confessou sua identidade. Imediatamente o outro exortou-o , chorando, a fugir às escondidas, e ofereceu-lhe um cavalo excelente. Pouco depois, voltando para junto de seu senhor, disse que aquilo que se contava a respeito da chegada do rei não tinha fundamento, mas que se tratava de Balduíno de Béthune e de seus companheiros, voltando da peregrinação. O senhor, furioso, mandou prender todos eles.
O rei deixou a cidade às escondidas com Guilherme de Etang e um jovem servidor que falava o alemão; viajou três dias e três noites sem se alimentar. Depois, compungido pela fome, foi até uma cidade chamada Viena, na Áustria, às margens do Danúbio, onde, por cúmulo de infelicidade, naquele momento encontrava-se o duque da Áustria. O jovem servidor do rei foi trocar dinheiro; tirou muitos besantes , mostrando-se arrogante e pretensioso. Então os habitantes da cidade apoderaram-se dele imediatamente e lhe perguntaram quem era; respondeu que estava a serviço de um mercador muito rico que chegaria à cidade três dias depois. Foi libertado e voltou discretamente para junto do rei, em seu refúgio, exortando-o a fugir o mais depressa possível e contando-lhe o que acontecera. Mas o rei, ainda sob o efeito da fatiga causada por sua dura navegação, desejava descansar alguns dias naquela cidade. O servidor ia com frequência ao mercado para comprar o necessário, e certa vez, no dia de São Tomé Apóstolo, enfiara inadvertidamente sob seu cinto as luvas do patrão.Vendo-as, os magistrados da cidade voltaram a deter o servidor, maltrataram-no rudemente, infligiram-lhe muitas torturas, feriram-no e ameaçaram arrancar-lhe a língua se não se apressasse em dizer a verdade. O servidor, vencido por um sofrimento insuportável, contou-lhes tudo. E eles informaram o duque imediatamente, cercaram o alojamento do rei e instaram-no a entregar-se voluntariamente.
O rei permaneceu marmóreo em meio ao alarde de todas aquelas pessoas que palravam; deu-se conta de que sua bravura não poderia defendê-lo contra tantos bárbaros, e exigiu a presença do duque, garantindo que só se entregaria a ele. O duque chegou imediatamente e o rei deu alguns passos em sua direção, depois colocou sua espada e sua pessoa em suas mãos. O duque,muito satisfeito, levou o rei com ele, com grandes honras. Depois entregou-o à guarda de bravos cavaleiros que, noite e dia, vigiaram-no estreitamente em todos os lugares, de espada na mão.” *
* Narrativa baseada em diversos relatos da época de Ricardo I, de Inglaterra, conhecido como Ricardo Coração de Leão.
Em: Ricardo Coração de Leão; história e lenda, Michele Brossard-Dandré e Gisèle Besson, tradução de Monica Stahel, São Paulo, Martins Fontes: 1993, pp: 224-6
O retorno, 2002
Giovanni Santarelli (Brasil, 1971)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Brasil Pinheiro Machado
Manhã de domingo de sol reto.
A grande igreja sem estilo
Decorada por dentro por um batismo de Cristo
Feito por um pintor ingênuo
Que quis ser clássico e foi primitivista.
Missa internacional
Com gentes de todas as raças
Ouvindo o padre alemão rezar em latim.
A gente nem tem vontade de olhar o crucifixo desolado
Nem de rezar
Porque tem lá dentro tanta menina bonita
Que não reza também
E fica sapeando a gente com meiguice…
Só os polacos de camisa nova por ser domingo
Que vieram com as famílias de carroça lá das colônias
Rezam fervorosamente
Enquanto nos seus quintais
Os chupins malvados e alegres
Comem todo o centeio
Cantando glórias pro sol de domingo.
Em: 101 Poetas Paranaenses: V.1 (1844 -1959) – antologia de escritas poéticas do século XIX ao século XXI, seleção e apresentação de Ademir Demarchi, Curitiba, Biblioteca Pública do Paraná: 2014, p.94
Senhora sentada lendo, década 1930
Roland Wakelin (Nova Zelândia-Austrália, 1887-1971)
óleo sobre madeira
John Steinbeck disse a um amigo que seu cachorro comeu seu primeiro manuscrito, Ratos e homens (1937). Ficou agradecido porque não só estava só pela metade, como descobriu que a obra necessitava de enormes revisões.